Jessé França destaca a música como instrumento de transformação social e defende fortalecimento da cultura em Rondônia

Baixista, professor e produtor musical relembra trajetória iniciada na infância, fala sobre projetos educacionais e culturais e propõe a criação de uma orquestra pública em Porto Velho.

Fonte: Fabiano Coutinho

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Jessé França destaca a música como instrumento de transformação social e defende fortalecimento da cultura em Rondônia

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Depois de estudar no Centro Municipal de Arte e Cultura Escolar da Zona Leste, onde aprofundou conhecimentos em teoria musical e contrabaixo, Jessé ingressou na primeira turma do Bacharelado em Música da Faculdade Metropolitana de Porto Velho.

Segundo ele, a graduação foi decisiva para compreender não apenas a execução musical, mas também aspectos ligados ao mercado de trabalho, produção artística, metodologia de ensino e desenvolvimento profissional.

Posteriormente, concluiu uma pós-graduação em Metodologia do Ensino Superior e, anos depois, retornou à mesma instituição como professor universitário, experiência que classificou como um dos momentos mais marcantes da carreira.

Ensino musical como ferramenta de inclusão

Além da atuação nos palcos e estúdios, Jessé desenvolveu uma trajetória voltada à educação.

Entre os projetos citados está o trabalho realizado no Centro de Ensino Moderno, onde ministrou aulas de música para crianças do ensino fundamental, adaptando o conteúdo à realidade dos alunos.

Outra experiência considerada transformadora foi a participação em um projeto da ACUDA, associação que desenvolve ações de ressocialização com pessoas privadas de liberdade.

Segundo o músico, a convivência com os participantes reforçou sua convicção de que a arte pode modificar trajetórias de vida.

Ele relatou que, anos depois, encontrou ex-alunos que continuaram estudando música e passaram a atuar em atividades culturais e religiosas, resultado que considera uma das maiores recompensas da profissão.

Produção musical e valorização dos artistas rondonienses

Paralelamente ao trabalho como professor, Jessé consolidou atuação na produção musical.

Entre os projetos destacados está a direção musical do Canta Comerciária, iniciativa promovida pelo Sesc voltada exclusivamente à participação de mulheres em apresentações musicais realizadas durante as comemorações do Dia Internacional da Mulher.

Também participou da produção da tradicional Cantata de Natal do Tribunal de Contas do Estado de Rondônia, coordenando os trabalhos da banda que acompanhava o coral formado por servidores da instituição.

Ao comentar essas experiências, afirmou que a produção de espetáculos exige planejamento, organização e capacidade de integrar músicos, cantores e equipes técnicas.

Incentivo à cena musical local

Uma das iniciativas idealizadas por Jessé foi o Cultura Grave, encontro que reúne baixistas e outros instrumentistas para apresentações, troca de experiências e compartilhamento de conhecimentos técnicos.

Segundo ele, o objetivo é fortalecer a integração entre músicos da capital, criar oportunidades de aprendizado coletivo e estimular novos profissionais.

O projeto deverá ganhar novas edições, reunindo apresentações musicais, palestras e debates sobre história da música, técnica instrumental e produção artística.

Música regional inspira projetos autorais

A carreira também inclui participação em gravações de artistas rondonienses.

Jessé integrou a produção do álbum Olhos de Rio, do cantor e compositor Bado, trabalho que valoriza elementos da identidade cultural amazônica.

Na área autoral, lançou o single instrumental Manoel Iracema, composição inspirada na história de seus avós, migrantes nordestinos que ajudaram a construir suas vidas em Porto Velho.

Segundo o músico, a obra busca transmitir sentimentos de memória, afeto e pertencimento por meio das mudanças de sonoridade e das referências familiares presentes na composição.

Proposta de criação de uma orquestra pública

Durante a entrevista, Jessé também defendeu um maior investimento na estrutura musical de Rondônia.

Entre as propostas apresentadas está a criação de uma orquestra estadual ou municipal, que possa oferecer espaço de atuação profissional para músicos formados nas escolas de arte, universidades e cursos superiores existentes no estado.

Na avaliação dele, Porto Velho já possui profissionais qualificados para desenvolver um projeto dessa dimensão, faltando apenas a implementação de uma política pública permanente voltada ao setor.

Música além da profissão

Ao encerrar a entrevista, Jessé reforçou que a música não deve ser vista apenas como carreira profissional.

Segundo ele, aprender um instrumento pode representar desenvolvimento pessoal, melhoria da saúde emocional e fortalecimento das relações sociais.

O músico incentivou crianças, jovens e adultos a iniciarem os estudos musicais independentemente da idade ou da intenção de seguir profissionalmente na área, defendendo que a arte tem potencial para transformar vidas e ampliar perspectivas.

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