Professora esclarece mitos sobre alimentação na amamentação

Marina Oliveira explica cuidados com cafeína, dietas restritivas e alimentação das lactantes e destaca a importância da rede de apoio durante o aleitamento.

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Professora esclarece mitos sobre alimentação na amamentação

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A alimentação durante a amamentação ainda é cercada por dúvidas e crenças transmitidas entre gerações. Restrições ao consumo de feijão, chocolate e café, além da ideia de que determinados alimentos aumentariam diretamente a produção de leite, estão entre os temas abordados pela professora Marina Oliveira durante entrevista ao programa Giro News, do News Rondônia.

Na conversa, Marina destacou que a lactante precisa de energia suficiente para produzir leite e que a alimentação deve ser equilibrada. A professora também chamou atenção para outros fatores que interferem nesse período, como estresse, descanso e existência de uma rede de apoio.

Canjica e milho aumentam a produção de leite?

Uma das crenças discutidas envolve o consumo de canjica e derivados do milho. Segundo Marina, esses alimentos pertencem ao grupo dos carboidratos e fornecem energia ao organismo.

Isso não significa, segundo a explicação apresentada, que exista uma relação direta em que determinado alimento, sozinho, provoque o aumento da produção de leite. A questão está ligada à necessidade energética da mulher durante a lactação.

Marina explicou que produzir leite demanda energia e, por isso, a mãe precisa consumir alimentos que atendam às necessidades do organismo nesse período.

Feijão provoca cólica no bebê?

Outra dúvida frequente está relacionada ao feijão. Algumas mães retiram o alimento da dieta por associarem os gases provocados no organismo materno às cólicas dos bebês.

Marina explicou que os gases formados no sistema digestivo da mãe não passam diretamente para o leite materno. No entanto, ressaltou que bebês podem apresentar reações individuais a determinados alimentos.

Caso sejam observados sinais recorrentes, como sangue ou muco nas fezes e assaduras na região da fralda após o consumo de determinado alimento pela mãe, a orientação apresentada durante a entrevista é procurar atendimento médico para investigação.

A professora defendeu, portanto, que alimentos não sejam excluídos indiscriminadamente da dieta apenas com base em crenças ou experiências de outras pessoas.

Cafeína exige atenção durante a amamentação

O consumo de cafeína também foi abordado. Marina afirmou que é necessário considerar todas as fontes ingeridas ao longo do dia, incluindo café, chá preto, chá-mate e refrigerantes à base de cola.

Segundo a professora, a recomendação mencionada durante a entrevista é não ultrapassar 300 mg de cafeína. Ela explicou que quantidades elevadas podem repercutir no bebê, inclusive afetando o sono.

Marina também afirmou que álcool e drogas devem ser evitados durante a amamentação. Fora essas situações, a orientação apresentada foi manter uma alimentação normal e saudável, reduzindo o consumo de produtos ultraprocessados.

Entre os alimentos regionais discutidos esteve o açaí. A professora destacou seu valor energético e indicou preferência pelo consumo puro, sem adição de guaraná ou outros xaropes utilizados para adoçar.

Dietas restritivas podem prejudicar a lactação

A pressão para recuperar rapidamente o peso anterior à gestação também entrou na discussão.

Marina alertou que dietas muito restritivas durante a lactação podem reduzir a quantidade de energia disponível para o organismo. Segundo ela, o planejamento alimentar de uma mulher que está amamentando precisa considerar as calorias necessárias para a produção do leite.

A professora ressaltou que é possível emagrecer nesse período, mas defendeu que o processo respeite as necessidades nutricionais da lactante e não seja motivado por uma busca imediata pelo corpo anterior à gravidez.

Rede de apoio também influencia a amamentação

A entrevista foi além da alimentação. Para Marina, o estresse pode dificultar a experiência da amamentação, especialmente quando a mãe enfrenta privação de sono e falta de apoio.

A professora destacou a importância da participação do pai e de outras pessoas da rede familiar. Atitudes como cuidar do bebê após a mamada podem permitir que a mulher descanse, tome banho ou durma por algum tempo.

Segundo Marina, amamentar não deve ser tratado como um processo automaticamente simples ou intuitivo. Mãe e bebê estão aprendendo juntos, e características individuais podem aumentar as dificuldades, como alterações relacionadas à língua do bebê ou características anatômicas da mama.

Esse apoio ganha destaque durante o Agosto Dourado, campanha de conscientização sobre a importância do aleitamento materno.

Marina também explicou que a primeira hora após o nascimento é considerada importante para iniciar a amamentação. Conhecido como “hora dourada”, esse período pode favorecer o primeiro contato do bebê com o peito. A professora ponderou, porém, que existem diferentes circunstâncias e que nem todas as mães conseguem amamentar.

A entrevista reforçou que a experiência da amamentação varia de mulher para mulher e de bebê para bebê. Em vez de restrições alimentares baseadas apenas em crenças, Marina defendeu informação, alimentação adequada, observação das respostas individuais e apoio à mãe durante esse período.

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