OMS eleva risco de ebola no Congo para muito alto

Organização Mundial da Saúde alerta para avanço acelerado do ebola na República Democrática do Congo após aumento de casos, mortes e ataques a hospitais.

Fonte: Paula Laboissière – Repórter da Agência Brasil - 50

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OMS eleva risco de ebola no Congo para muito alto
foto - Reuters/Gradel Muyisa Mumbere

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A Organização Mundial da Saúde (OMS) elevou de “alto” para “muito alto” o nível de risco do surto de ebola na República Democrática do Congo (RDC). O anúncio foi feito pelo diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, diante do avanço rápido da doença no país africano.

Segundo a OMS, o surto apresenta crescimento acelerado e preocupa autoridades internacionais de saúde devido à dificuldade de controle em algumas regiões afetadas. Até o momento, foram confirmados 82 casos de ebola e sete mortes oficialmente registradas.

Apesar dos números confirmados, a própria organização admite que a dimensão real da epidemia pode ser muito maior. Há atualmente quase 750 casos suspeitos e cerca de 177 mortes suspeitas em investigação na RDC.

Em pronunciamento, Tedros afirmou que a OMS revisou sua classificação de risco após a expansão da doença em território congolês. O nível passou a ser considerado muito alto no âmbito nacional, alto regionalmente e baixo em escala global.

O ebola é uma doença viral grave, conhecida por sua alta taxa de mortalidade e pelo risco de disseminação em áreas com estrutura de saúde fragilizada. O vírus é transmitido principalmente pelo contato direto com sangue, secreções e fluidos corporais de pessoas infectadas.

O atual surto também enfrenta obstáculos ligados à segurança pública. Segundo a OMS, um hospital localizado na província de Ituri sofreu um ataque na última quinta-feira, quando tendas e suprimentos médicos foram incendiados durante um incidente de segurança.

A situação preocupa equipes humanitárias porque episódios de violência dificultam o atendimento médico e comprometem campanhas de contenção da doença. Especialistas alertam que a confiança das comunidades locais é considerada essencial para impedir o avanço do vírus.

Tedros destacou que construir diálogo com a população afetada se tornou uma das principais prioridades da OMS neste momento. Em surtos anteriores, a resistência de moradores e conflitos armados já haviam dificultado ações sanitárias no Congo.

A República Democrática do Congo convive historicamente com episódios recorrentes de ebola desde a descoberta do vírus, em 1976. O país registra alguns dos maiores surtos já documentados no continente africano, frequentemente agravados por crises humanitárias e instabilidade política.

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