Desigualdade racial e regional marca queda na adesão ao pré-natal no Brasil

Estudo revela que cobertura de consultas despenca entre gestantes indígenas e mulheres com baixa escolaridade ao longo da gravidez.

Fonte: Letycia Bond - Repórter da Agência Brasil - 20

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Desigualdade racial e regional marca queda na adesão ao pré-natal no Brasil
© Agência Brasil/Marcello Casal Jr./Arquivo

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Embora 99,4% das gestantes brasileiras realizem ao menos uma consulta de pré-natal, o acesso a esse acompanhamento fundamental não é uniforme até o fim da gestação. Um estudo divulgado nesta segunda-feira (13) pelo Centro Internacional de Equidade em Saúde (ICEH/UFPel), em parceria com a organização Umane, revela um abismo social: a cobertura de sete consultas cai para 78,1% na média nacional, mas atinge níveis críticos entre mulheres indígenas, adolescentes e residentes da Região Norte.

A escolaridade aparece como o principal divisor de águas na saúde materna. Enquanto 86,5% das mulheres com maior nível de educação formal completam o ciclo de consultas, o índice despenca para 44,2% entre aquelas com menos tempo de estudo. O cenário é ainda mais grave para mulheres indígenas com baixa escolaridade, das quais apenas 19% conseguem seguir a recomendação médica, evidenciando como o racismo estrutural e a falta de acesso geográfico impactam o início da vida.

O levantamento, baseado em 2,5 milhões de nascimentos em 2023, aponta que quase metade das gestantes indígenas (46,2%) abandona o acompanhamento antes do final, um índice três vezes superior ao das mulheres brancas. Regionalmente, o Norte apresenta a menor taxa de respeito pleno ao direito ao pré-natal (63,3%), enquanto o Sul lidera com 85%. Especialistas defendem que o fortalecimento da Rede Alyne e o combate à discriminação no atendimento são urgentes para reduzir a mortalidade materna, especialmente entre a população negra e originária.

Além de detectar doenças precocemente, o pré-natal é o momento essencial para orientar sobre o aleitamento materno e preparar a família para o parto. A pesquisadora Luiza Eunice ressalta que o vínculo com os profissionais de saúde e a oferta de transporte público são fatores decisivos para que a gestante retorne às unidades. Para o Poder Público, o desafio é ser proativo: não esperar que a mulher busque o sistema, mas garantir que o sistema alcance as populações mais vulneráveis de forma equânime.

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