PGR pede suspensão da lei de Santa Catarina que proibiu cotas raciais

O procurador-geral Paulo Gonet enviou parecer ao STF para manter suspensa a norma estadual que proíbe a reserva de vagas raciais em instituições de ensino.

Fonte: André Richter - repórter da Agência Brasil - 20

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PGR pede suspensão da lei de Santa Catarina que proibiu cotas raciais
© Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

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O procurador-geral da República, Paulo Gonet, manifestou-se nesta quinta-feira (29) a favor da suspensão imediata da Lei 19.722/2026, de Santa Catarina. A legislação, sancionada recentemente, veda a utilização de critérios raciais para o ingresso de estudantes em instituições que recebem verbas do governo catarinense.

Embora a norma já esteja suspensa por uma liminar do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), a PGR reforçou que o Supremo Tribunal Federal (STF) precisa se posicionar de forma definitiva. O objetivo é evitar que a proibição das cotas seja aplicada nos processos seletivos do início deste ano letivo.

Argumentos jurídicos e precedentes do STF

Em seu parecer, Gonet destacou que o Supremo já validou a constitucionalidade das cotas raciais em diversos julgamentos anteriores. Segundo o procurador, a lei estadual ignora avanços consolidados no país para a promoção da igualdade de oportunidades e a reparação de desigualdades históricas.

A legislação aprovada pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina permitia apenas reservas baseadas em critérios econômicos, deficiência ou origem em escola pública. Para a PGR, a exclusão do fator racial compromete a eficácia das políticas de inclusão que são fundamentais para o ambiente acadêmico.

Relatoria e entidades que contestam a lei

A ação no STF é relatada pelo ministro Gilmar Mendes e foi motivada por questionamentos de diversas entidades. Entre os autores do pedido de suspensão estão a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o partido PSOL, a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a organização Educafro.

As instituições argumentam que a lei catarinense representa um retrocesso social e fere princípios fundamentais da Constituição Federal. Com o parecer favorável da PGR, o caso ganha novo fôlego jurídico e aguarda uma decisão liminar de Gilmar Mendes antes de seguir para o julgamento do plenário.

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