Rio Guaporé elevado ameaça reprodução de tartarugas em Rondônia

Redução das praias de desova preocupa pesquisadores; após queda nos nascimentos em 2024, recuperação em 2025 ainda não alcançou níveis anteriores.

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Rio Guaporé elevado ameaça reprodução de tartarugas em Rondônia

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O nível elevado do Rio Guaporé tem reduzido as áreas disponíveis para a desova de tartarugas-da-Amazônia em Rondônia e acendido um alerta entre pesquisadores e voluntários do Projeto Quelônios do Guaporé. Em 2026, apenas três das seis praias monitoradas registraram desova, comprometendo as condições de reprodução da espécie.

A situação ocorre após uma queda expressiva no nascimento de filhotes em 2024. Naquele ano, aproximadamente 350 mil tartarugas nasceram na região, contra mais de 1,4 milhão em 2023. Em 2025, houve recuperação, com cerca de 500 mil nascimentos, número ainda distante dos registros anteriores.

O balanço oficial da temporada de 2026 ainda não foi confirmado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Entretanto, as condições observadas pelas equipes de conservação já indicam preocupação com os resultados da reprodução neste ano.

Rio elevado reduz praias de desova

Na região de São Francisco do Guaporé, o Projeto Quelônios do Guaporé monitora seis grandes praias, chamadas tabuleiros, utilizadas pelas tartarugas durante o período reprodutivo.

Neste ano, somente metade desses locais apresentou desova. Em uma das praias, houve concentração expressiva de fêmeas, enquanto nas demais a atividade reprodutiva foi mais limitada.

“Permanecemos na base durante todo o ano para monitorar a região e proteger os animais da ação de predadores humanos. Neste ano, registramos desova em apenas três das seis praias monitoradas e, em somente uma delas, houve um número expressivo de fêmeas desovando”, relata José Soares, conhecido como Zeca Lula, fundador do Instituto Ecovale e coordenador do Projeto Quelônios do Guaporé.

Além das condições ambientais, a proteção dos ninhos exige vigilância permanente contra ameaças humanas. Pesquisadores e voluntários acompanham os locais de reprodução, monitoram mudanças no ambiente e atuam para aumentar as chances de sobrevivência dos animais.

Radiotransmissores ampliam pesquisas sobre tartarugas

A temporada de 2026 também trouxe uma novidade para os estudos da espécie: a utilização de radiotransmissores para acompanhar os deslocamentos das tartarugas-da-Amazônia.

A iniciativa, realizada com apoio da Wildlife Conservation Society (WCS), permite rastrear os movimentos dos animais após a desova e identificar possíveis rotas de deslocamento, áreas de alimentação e locais utilizados como refúgio ao longo do rio.

Segundo José Carratte, biólogo e supervisor de Meio Ambiente da Energisa Rondônia, os equipamentos podem ampliar o conhecimento científico sobre o comportamento da espécie.

“Com os dados coletados, poderemos entender melhor para onde essas tartarugas vão depois da desova, se permanecem próximas às praias ou se deslocam para outras regiões. São informações importantes para conhecer o comportamento da espécie e aprimorar as estratégias de proteção e conservação”, destaca.

Energisa apoia conservação com energia solar

O trabalho de preservação também depende de infraestrutura para manter as equipes em uma região de difícil acesso. O Projeto Quelônios do Guaporé conta com apoio da Energisa Rondônia, que contribui com combustível para as atividades de monitoramento e com estrutura energética para a base de pesquisa.

A distribuidora instalou um sistema de energia solar que garante eletricidade à estrutura, amplia a autonomia das equipes e permite a realização das atividades com uma fonte renovável.

Carratte explica que a parceria contribui para a continuidade das ações de conservação durante todo o ano, e não apenas no período de desova.

“O trabalho de preservação acontece durante todo o ano. Por isso, a Energisa contribui com combustível para as atividades de monitoramento e com o sistema de energia solar instalado na base. É uma parceria que ajuda a garantir as condições necessárias para que as equipes continuem protegendo as tartarugas e acompanhando o desenvolvimento da espécie na região”, afirma.

Projeto busca proteger tartarugas para as próximas gerações

Desenvolvido pelo Instituto Ecovale, o Projeto Quelônios do Guaporé reúne pesquisadores, voluntários e parceiros em atividades de proteção, monitoramento e conservação das tartarugas-da-Amazônia.

Mesmo diante das dificuldades ambientais, as equipes mantêm o acompanhamento da região e buscam ampliar o conhecimento sobre os impactos das mudanças nas condições do rio e nas áreas de reprodução.

A expectativa é que o monitoramento permanente e o avanço das pesquisas científicas contribuam para fortalecer as estratégias de conservação e preservar o ciclo reprodutivo das tartarugas no Vale do Guaporé.

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