Casos de violência política de gênero crescem 11 vezes no Brasil entre 2022 e 2026

Dados do Tribunal Superior Eleitoral e do Disque 180 mostram avanço das agressões contra mulheres no cenário eleitoral, atingindo de forma desproporcional candidatas pretas e pardas.

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Casos de violência política de gênero crescem 11 vezes no Brasil entre 2022 e 2026
© Marcelo Camargo/Agência Brasil

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  • Os processos de violência política de gênero no TSE subiram de 15 em 2022 para 177 em 2026, um aumento de onze vezes.
  • Entre janeiro e agosto de 2026, o Disque 180 registrou 1.564 denúncias de violência política contra mulheres, sendo mais de 53% contra mulheres pretas e pardas.
  • As agressões incluem discursos de ódio, vazamento de dados, misoginia e ameaças de estupro e morte, atingindo inclusive candidatas como a deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG).

Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação do News Rondônia

Organizações da sociedade civil e fontes governamentais registraram um salto expressivo no número de agressões políticas de gênero no Brasil no mês em que se lembra o Dia Nacional de Luta contra a Violência à Mulher, celebrado no dia 10 de outubro. Levantamentos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicam que as ações judiciais motivadas por esses ataques saltaram de 15 casos em 2022 para 177 processos em 2026, representando um crescimento de onze vezes no período.

O cenário hostil reflete-se diretamente na campanha eleitoral para o primeiro turno do pleito. Estudo elaborado pelas entidades Terra de Direitos e Justiça Global apontou a ocorrência de 134 episódios de violência política no período, o equivalente a uma agressão a cada nove horas. Do total de casos registrados, 52,2% tiveram mulheres como alvo. Quando consideradas apenas as agressões direcionadas a candidaturas formais, a proporção atinge 58,8%, evidenciando que as mulheres enfrentam a maior parte da violência no debate público, embora ocupem cerca de um terço das candidaturas.

Paralelamente, a Central de Atendimento à Mulher (Disque 180) contabilizou 1.564 denúncias de violência política contra mulheres entre janeiro e agosto de 2026. O recorte racial dos dados revela que mulheres pretas e pardas foram as principais vítimas, somando mais de 53% dos registros (842 casos), seguidas por mulheres brancas, com 37,7% das ocorrências. As agressões incluem desde discursos de ódio, vazamento de dados pessoais e misoginia até ameaças explícitas de estupro e morte.

A gravidade do problema é ilustrada por episódios recentes, como o da deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG), que necessitou de escolta armada após denunciar ameaças de morte, intimidações sexuais e a exposição indevida de seus documentos pessoais durante a campanha. A data histórica comemorativa em 10 de outubro remonta à mobilização de 1980 nas escadarias do Teatro Municipal de São Paulo, quando movimentos sociais se uniram para combater a violência de gênero, desafio que permanece central nas pautas dos órgãos de proteção aos direitos humanos no país.

FAQ

Qual foi o aumento nos processos de violência política de gênero registrados pelo TSE entre 2022 e 2026?
Os processos judiciais sobre o tema subiram de 15 para 177 casos registrados na Justiça Eleitoral.

Qual grupo racial de mulheres concentrou o maior número de denúncias no Disque 180 em 2026?
As mulheres pretas e pardas foram as principais vítimas, somando mais de 53% das denúncias de violência política.

Quais são os principais canais públicos para denúncia de agressões e violência política de gênero?
As denúncias podem ser feitas pelo Disque 180, Ouvidoria das Mulheres do CNMP, Polícia Federal e Ministério Público Eleitoral.

 

Com informações de Agência Brasil

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