Chacareiros cobram melhorias em serviços públicos na Zona Sul de Porto Velho

Ernildo Pascoal, presidente da Associação dos Chacareiros da Zona Sul, relata demandas da comunidade, destaca agricultura familiar e cobra maior presença do poder público.

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Chacareiros cobram melhorias em serviços públicos na Zona Sul de Porto Velho

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Moradores da região de chácaras da Zona Sul de Porto Velho enfrentam demandas relacionadas a serviços públicos, infraestrutura, saúde, agricultura familiar e descarte irregular de resíduos. As reivindicações foram apresentadas por Ernildo Pascoal, presidente da Associação dos Chacareiros da Zona Sul da capital, durante entrevista ao programa Amazônia, Gente e Justiça.

Ao apresentar a realidade da comunidade, Pascoal destacou que dar visibilidade aos problemas é uma das formas de buscar soluções junto às autoridades.

“É uma ferramenta muito importante para que a gente possa estar passando para a sociedade como vivemos, quais são as nossas necessidades e qual é a presença do poder público dentro da nossa comunidade do setor chacareiro”, afirmou.

Trajetória ligada ao serviço público e às causas coletivas

Nascido em Porto Velho e filho de nordestinos — pai cearense e mãe paraibana — Ernildo Pascoal contou que ingressou no serviço público em 1979, inicialmente na Secretaria de Fazenda, ainda no período em que Rondônia era território federal.

Em 1995, segundo o entrevistado, foi redistribuído para o Ministério da Saúde, onde passou a atuar na área de auditoria. Ao longo da trajetória, também se envolveu com entidades representativas e causas comunitárias.

“Minha vida foi sempre assim, envolvida na questão do coletivo”, resumiu Pascoal ao recordar sua participação em organizações e movimentos.

Essa experiência passou a fazer parte da atuação na representação dos chacareiros, com articulações direcionadas principalmente às necessidades de moradores e produtores da região.

Associação busca ampliar diálogo com o poder público

Durante a entrevista, Pascoal reforçou a importância da organização comunitária para encaminhar demandas aos órgãos responsáveis.

A atuação da associação envolve identificar problemas enfrentados pelos moradores, formalizar solicitações e buscar diálogo com representantes do poder público.

A agricultura familiar está entre os temas que integram esse debate. Para comunidades instaladas em áreas de chácaras, políticas públicas capazes de atender produtores e moradores têm impacto direto na permanência das famílias e nas condições de desenvolvimento das atividades produtivas.

A participação de Pascoal no programa teve justamente o objetivo de ampliar a visibilidade dessas reivindicações e aproximar as necessidades da comunidade das autoridades responsáveis.

Descarte irregular de lixo preocupa moradores

Um dos problemas abordados foi o descarte inadequado de resíduos na região.

Segundo Pascoal, a associação conseguiu articular junto ao poder público a instalação de quatro coletoras de lixo. A medida representou um avanço, mas não resolveu completamente o problema.

“Graças à nossa articulação, ao nosso conhecimento, a gente sensibilizou o secretário da Seinfra e ele instalou quatro coletoras”, relatou.

O presidente da associação afirmou, entretanto, que materiais incompatíveis com o serviço de coleta continuam sendo depositados nos locais.

“A população precisa se educar. Eles fazem o descarte de cachorros mortos. Eles descartam um lixo que não está dentro daquilo que a empresa se compromete a recolher”, declarou.

Na avaliação do representante dos chacareiros, o problema também exige conscientização da própria comunidade.

Placas educativas foram instaladas na região

Outra iniciativa relatada por Pascoal envolveu uma ação de conscientização para combater o descarte irregular nas estradas.

Segundo ele, após articulação com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Sema), técnicos foram enviados para instalar placas educativas orientando sobre a destinação correta dos resíduos.

O problema, porém, continuou. De acordo com o entrevistado, algumas dessas estruturas chegaram a ser furtadas.

“É um trabalho difícil de conscientização da população. Mas nós estamos na luta”, afirmou.

A declaração evidencia um dos desafios enfrentados pela associação: além de cobrar ações do poder público, a entidade considera necessário estimular mudanças de comportamento entre os próprios moradores e frequentadores da região.

Universidade busca aproximar demandas e autoridades

O Amazônia, Gente e Justiça também tem ligação com a Universidade Federal de Rondônia (Unir).

Durante o encerramento da entrevista, o professor Delson explicou que o programa integra um projeto de extensão universitária vinculado ao curso de Direito e ao programa de mestrado e doutorado em Direitos Humanos.

Segundo ele, a proposta é receber as reivindicações da sociedade e aproximá-las de quem possui responsabilidade na formulação e execução de políticas públicas.

“A gente tem um escopo de trazer as demandas da população, fazer essa ponte para as autoridades, para que as políticas públicas sejam efetivamente implementadas”, explicou.

Para Pascoal, espaços como esse permitem que comunidades apresentem problemas que nem sempre conseguem visibilidade suficiente no debate público.

“Quero agradecer aqui à Unir pelo convite ao programa, de uma suma importância para que a gente possa ser ouvido e, quem sabe, ser atendido nos nossos pleitos”, declarou.

A expectativa da associação é manter a interlocução com órgãos públicos e continuar apresentando as reivindicações dos moradores da região de chácaras da Zona Sul de Porto Velho. A busca por melhorias, segundo Pascoal, depende tanto da atuação das autoridades quanto da mobilização e conscientização da própria comunidade.

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