Especialista explica os erros mais comuns dos tutores e ensina como melhorar o comportamento dos cães

Fundadora da Cão Urbano, Carol Antonetti afirma que muitos problemas atribuídos aos pets têm origem na forma como os tutores conduzem a rotina e a educação dos animais

Fonte: Fabiano Coutinho

Publicado em

Especialista explica os erros mais comuns dos tutores e ensina como melhorar o comportamento dos cães

Compartilhe esta notícia:

Nos siga no Google News

Latidos excessivos, destruição de objetos, ansiedade quando o tutor sai de casa e agressividade são algumas das queixas mais frequentes entre quem convive com cães. Para a adestradora e especialista em comportamento canino Carol Antonetti, a maioria desses problemas pode ser evitada quando os tutores compreendem as necessidades naturais dos animais. Em entrevista ao podcast Conexão RH, ela falou sobre educação, enriquecimento ambiental, adestramento e os principais equívocos cometidos por quem cria cães como membros da família.

Os cães deixaram há muito tempo de ser apenas animais de guarda e passaram a ocupar um espaço cada vez mais importante dentro das famílias brasileiras. Esse novo papel fortaleceu o vínculo afetivo entre tutores e pets, mas também trouxe desafios relacionados ao comportamento dos animais, especialmente quando suas necessidades naturais são ignoradas.

Segundo a adestradora Carol Antonetti, fundadora da Cão Urbano, muitos comportamentos considerados problemáticos não surgem por “desobediência” do cachorro, mas pela falta de conhecimento sobre a forma como ele aprende e interage com o ambiente.

“Hoje eles são membros da família. Não são mais aqueles cães de quintal. Eles fazem parte da nossa vida e justamente por isso precisamos entender como eles pensam e se comunicam.”

Da paixão pelos cães à profissão

Carol conta que o interesse pelo adestramento surgiu depois da chegada de Maggie, uma cadela da raça Pastor Belga Malinois conhecida pela elevada energia e necessidade constante de estímulos físicos e mentais.

Sem experiência para lidar com aquele comportamento, ela decidiu buscar conhecimento.

“Eu contratei um adestrador, mas queria entender mais. Comecei a estudar outras metodologias, aplicar na minha própria cadela e percebi que era isso que eu queria fazer.”

A experiência despertou uma nova carreira.

Ela passou a realizar cursos em diversas áreas do comportamento canino, incluindo obediência, passeio estruturado, faro, guarda e proteção, além de buscar formação em diferentes estados do país.

Segundo Carol, a profissão exige estudo contínuo.

“Infelizmente, só o amor não é suficiente. A gente precisa estudar psicologia, comportamento e técnicas de aprendizagem para ensinar um cachorro.”

Todo cachorro pode aprender

Uma das dúvidas mais comuns entre os tutores é se existe idade ideal para iniciar o adestramento.

Para Carol, quanto antes começar, melhor.

Mesmo filhotes podem aprender regras básicas de convivência, enquanto cães adultos e idosos também conseguem modificar comportamentos já estabelecidos.

“Todo cachorro aprende, independentemente da raça ou da idade. Alguns aprendem mais rápido, outros precisam de mais tempo, mas todos conseguem evoluir.”

Ela explica que cães mais velhos podem exigir um trabalho mais longo porque já desenvolveram hábitos consolidados ao longo da vida.

Ansiedade por separação lidera as queixas

Entre os problemas mais frequentes atendidos pela especialista está a chamada ansiedade por separação.

Ela explica que muitos cães desenvolvem sofrimento intenso quando ficam sozinhos.

Como consequência, alguns passam a destruir móveis, roer portas, lamber compulsivamente as patas, deixar de comer ou vocalizar durante horas.

“Essa é, de longe, a principal reclamação dos tutores hoje.”

Segundo Carol, em muitos casos o próprio comportamento dos donos acaba reforçando esse quadro.

Ela cita como exemplo a recepção extremamente efusiva quando chegam em casa.

“O ideal é reforçar a calma. Você chega, guarda suas coisas, espera o cachorro se tranquilizar e só depois oferece carinho. Quando a gente recompensa a agitação, pode acabar fortalecendo um comportamento ansioso.”

Passeio vai muito além do exercício físico

Outro erro bastante comum, segundo a especialista, é acreditar que um quintal grande substitui os passeios.

Para ela, caminhar faz parte das necessidades naturais dos cães.

“O cachorro precisa explorar, farejar e conhecer o ambiente. Só ter espaço em casa não substitui o passeio.”

Ela compara a situação ao período da pandemia, quando muitas pessoas permaneceram confinadas.

“Imagine passar todos os dias dentro do mesmo ambiente. Nós tínhamos televisão, celular e outras distrações. O cachorro não.”

Durante o passeio, explica Carol, o animal utiliza principalmente o olfato para interpretar o ambiente.

Cheirar postes, árvores e outros pontos do trajeto faz parte da comunicação entre os cães.

Quando o cachorro destrói a casa

Sofás rasgados, chinelos destruídos e portas danificadas costumam ser motivo de reclamação entre os tutores.

Na avaliação da especialista, esses comportamentos normalmente não representam vingança.

Eles são sinais de necessidades comportamentais não atendidas.

“O cachorro que destrói tudo geralmente está com falta de manejo. Ele precisa gastar energia física, mental e viver mais experiências compatíveis com a espécie.”

Além dos passeios, Carol recomenda o chamado enriquecimento ambiental.

Brinquedos interativos, atividades de faro, mordedores naturais e exercícios de obediência ajudam a estimular o cérebro do animal e reduzir comportamentos destrutivos.

“O cachorro precisa trabalhar a mente, mas também precisa descansar. O equilíbrio entre atividade e repouso faz toda a diferença.”

O tutor também precisa aprender

Embora o trabalho seja direcionado aos cães, Carol afirma que a maior parte do processo envolve orientar os próprios donos.

“Eu tenho mais trabalho com os tutores do que com os cães.”

Segundo ela, o adestramento não termina quando o animal volta para casa.

Os exercícios precisam continuar fazendo parte da rotina.

“O cachorro aprende comigo, mas quem convive com ele todos os dias é o tutor. Se a família não mantiver o que foi ensinado, muitos comportamentos acabam voltando.”

Por isso, ela procura envolver os proprietários durante todo o processo.

“Meu objetivo é ensinar as pessoas a entenderem o comportamento do cachorro para que consigam resolver situações futuras sem depender sempre de um profissional.”

Agressividade exige análise individual

Outro tema abordado durante a entrevista foi a agressividade.

Segundo Carol, não existe uma única explicação para esse comportamento.

Fatores genéticos, experiências vividas pelo animal e a forma como ele é criado podem influenciar diretamente.

“A agressividade é muito complexa. Existe predisposição genética, mas também existe manejo. Cada caso precisa ser avaliado individualmente.”

Ela alerta que reforçar comportamentos inadequados, ainda que de forma involuntária, pode agravar o problema.

Cachorro não sabe quando fez algo errado

Uma crença bastante difundida entre os tutores também foi desmistificada pela especialista.

Segundo Carol, aquela expressão de culpa apresentada por alguns cães não significa que eles compreenderam o erro.

“O cachorro não sabe que fez algo errado. O que ele percebe é a mudança no nosso tom de voz, na postura corporal e nas nossas emoções.”

Para ela, a melhor forma de ensinar continua sendo mostrar o comportamento correto em vez de apenas repreender o animal.

Relação equilibrada beneficia cães e famílias

Ao longo da entrevista, Carol reforçou que compreender o comportamento canino é o caminho mais seguro para fortalecer a convivência entre cães e tutores.

Ela acredita que educação, rotina, enriquecimento ambiental e respeito às necessidades naturais dos animais produzem resultados muito mais eficazes do que punições.

“Quando a gente entende por que o cachorro faz determinada coisa, fica muito mais fácil ensinar o comportamento correto.”

Para a especialista, investir tempo na educação do animal significa melhorar sua qualidade de vida e construir uma convivência mais tranquila para toda a família.


FAQ

Todo cachorro pode ser adestrado?

Sim. Segundo Carol Antonetti, cães de qualquer raça, idade ou porte podem aprender, embora alguns necessitem de mais tempo e treinamento.

Um quintal grande substitui o passeio?

Não. O passeio permite que o cachorro explore o ambiente, utilize o olfato e satisfaça necessidades naturais que não são atendidas apenas dentro de casa.

Por que alguns cães destroem móveis e objetos?

Na maioria dos casos, esse comportamento está relacionado à falta de estímulos físicos e mentais, ansiedade ou manejo inadequado.

O adestramento termina quando o cachorro volta para casa?

Não. O tutor deve continuar aplicando as orientações recebidas para manter os comportamentos aprendidos.

NEWS QUE VOCÊ VAI QUERER LER

DESTAQUE NEWS

EMPREGOS E CONCURSOS

POLÍTICA

POLÍCIA

ÚLTIMAS NOTÍCIAS