Tecnologia busca decodificar linguagem da natureza

Pesquisadores utilizam inteligência artificial para medir o estresse de espécies urbanas e criar um índice de resiliência ambiental em Recife.

Fonte: Eliane Gonçalves - Repórter da Radioagência Nacional - 20

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Tecnologia busca decodificar linguagem da natureza
© Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

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Inspirado pelo saber tradicional dos “profetas da chuva”, como Renato Lino, que interpreta sinais da natureza para prever o clima, um novo projeto científico busca traduzir as respostas metabólicas de seres vivos por meio de tecnologia digital. Batizado de Apeiron, o projeto será conduzido pelo Centro de Estudos e Sistemas Avançados de Recife (CESAR) e visa transformar observações biológicas em dados concretos para o planejamento urbano.

O tradutor da natureza

A iniciativa, descrita pelo biólogo e pesquisador da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Artur Maia, como uma “Babel reversa”, pretende captar sinais emitidos por diversas espécies inseridas na cena urbana de Recife, como:

Sons emitidos por morcegos.

Ritmo de abertura e fechamento das conchas de ostras.

Transpiração de aroeiras.

Padrões de voo das abelhas.

Esses dados serão comparados com registros das mesmas espécies em áreas de conservação, como a Reserva Ambiental de Saltinho e a APA de Guadalupe, permitindo compreender como o ambiente humano afeta o metabolismo desses organismos. O objetivo central é desenvolver o Índice de Resiliência Metabólica (IRM), uma escala de 0 a 100 que mensura o esforço das espécies para sobreviver em condições estressantes.

A cidade como organismo vivo

De acordo com Maia, o estresse metabólico é uma informação autêntica que não pode ser omitida pelo organismo. Ao medir o “conforto metabólico” de diferentes espécies, os pesquisadores esperam oferecer subsídios para um planejamento urbano que entenda a cidade como um organismo vivo. A metodologia permitirá identificar pressões ambientais específicas em diferentes bairros, auxiliando na criação de políticas públicas mais eficazes para a melhoria da qualidade de vida tanto para humanos quanto para a fauna e flora locais. Os primeiros testes da pesquisa estão previstos para começar até novembro de 2026.

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