Valorização de raízes culturais transforma aprendizado, defende pesquisador

Método pedagógico do artista Lucas dos Prazeres propõe combate ao racismo por meio da identidade territorial; Lei 11.645/2008 completa 18 anos.

Fonte: Luiz Claudio Ferreira - Repórter da Agência Brasil - 20

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Valorização de raízes culturais transforma aprendizado, defende pesquisador
© Rovena Rosa/Agência Brasil

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A sala de aula deve deixar de ser um espaço de mera reprodução para se tornar um ambiente de valorização dos saberes locais. Esta é a tese defendida pelo artista e pesquisador pernambucano Lucas dos Prazeres, de 42 anos, que percorre o Brasil capacitando educadores das redes públicas. Para o mestre em cultura popular, o reconhecimento das raízes e do território onde o aluno vive é a base para uma pedagogia inclusiva e antirracista, transformando a “brincadeira” e as tradições em ferramentas centrais de ensino.

As diretrizes defendidas por Prazeres reforçam a aplicação da Lei nº 11.645/2008, que em março completou 18 anos de vigência. A legislação torna obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena nas escolas brasileiras. Segundo o pesquisador, a verdadeira “tecnologia” a ser desenvolvida no ensino é a rede de apoio comunitária, inspirada nos povos tradicionais, onde a responsabilidade pelo cuidado e aprendizado da criança é compartilhada por toda a comunidade, extrapolando os muros da escola.

Nesta semana, o projeto “Reaprender Brincando” capacita 60 professores no Distrito Federal, sob a premissa de integrar o cotidiano do aluno à ementa escolar. Lucas dos Prazeres exemplifica que o material didático muitas vezes é desconectado da realidade periférica, citando o caso de sua própria família no Morro da Conceição, em Recife, onde textos escolares falavam de “fazendas de avós” para crianças que nunca haviam vivenciado essa realidade. Para ele, a cultura deve estar presente em todas as disciplinas, inclusive nas exatas, conectando números e fórmulas ao modo de vida local.

O pesquisador alerta gestores que a cultura na escola não pode ser reduzida a apresentações artísticas isoladas em datas festivas. A proposta é uma imersão profunda onde a arte e a história do bairro e do município sirvam como suporte para o desenvolvimento da identidade cultural desde a primeira infância. Ao evocar as raízes dos estudantes, a escola deixa de ser um espaço hermético e passa a ser um polo de resistência e produção de conhecimento vivo e representativo.

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