Relatório da ONU revela que desigualdade de gênero compromete o acesso global à água

Mulheres e meninas são as principais responsáveis pela coleta do recurso em 70% dos lares sem saneamento; estudo aponta perda de 250 milhões de horas diárias em deslocamentos.

Fonte: Ana Cristina Campos – Repórter da Agência Brasil - 20

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Relatório da ONU revela que desigualdade de gênero compromete o acesso global à água
© José Cruz/Agência Brasil

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  • Relatório da ONU-Água, divulgado pela Unesco, aponta que disparidades de gênero agravam a crise hídrica global.
  • Mulheres e meninas fazem a coleta de água em mais de 70% dos domicílios rurais sem serviços básicos, somando 250 milhões de horas diárias.
  • Documento relaciona desigualdade no acesso à terra e à água à exclusão de mulheres da governança hídrica e recomenda reformas legais, dados e fortalecimento da liderança feminina.

Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação do News Rondônia

Um novo relatório das Nações Unidas, publicado nesta quinta-feira (19) pela Unesco, acende um alerta sobre como as disparidades de gênero aprofundam a crise hídrica mundial. Segundo o documento divulgado pela ONU-Água, as mulheres e meninas seguem sendo as mais sacrificadas pela falta de infraestrutura: em áreas rurais sem serviços básicos, elas respondem pela coleta de água em mais de 70% dos domicílios. Esse esforço físico consome, globalmente, cerca de 250 milhões de horas todos os dias tempo que deixa de ser investido em educação, lazer ou geração de renda.

O estudo, lançado às vésperas do Dia Mundial da Água (22 de março), destaca que 2,1 bilhões de pessoas ainda vivem sem água potável segura. O impacto é especialmente severo para adolescentes entre 15 e 19 anos; estima-se que 10 milhões tenham faltado à escola ou ao trabalho devido à falta de banheiros e água para higiene menstrual. Apesar desse papel central no manejo doméstico e agrícola, as mulheres continuam sub-representadas em cargos de decisão e governança do setor hídrico.

O relatório aponta que o acesso à água está intrinsecamente ligado à posse de terra, onde a desigualdade é gritante: em alguns países, homens detêm o dobro de propriedades em comparação às mulheres. Como o direito ao uso da água para fins produtivos costuma estar vinculado à titularidade do solo, as mulheres enfrentam desvantagens econômicas sistêmicas. O diretor-geral da Unesco, Khaled El-Enany, enfatizou que a participação feminina na gestão hídrica não é apenas uma questão de justiça, mas um pilar para o desenvolvimento sustentável.

Para promover avanços, o documento recomenda a eliminação de barreiras legais e financeiras que impedem direitos iguais à terra e à água, além do investimento em dados que exponham essas desigualdades para orientar políticas públicas. Também é defendida a valorização do trabalho não remunerado de coleta nos processos de planejamento e o fortalecimento da liderança feminina em áreas científicas e técnicas da governança hídrica.

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