Especialista afirma que bombardeios de Israel não destroem o Hezbollah

Capitão da reserva Robinson Farinazzo avalia que campanha foca no impacto sobre civis e que ocupação por terra até o Rio Litani é insustentável.

Fonte: Lucas Pordeus León - Repórter da Agência Brasil - 20

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Especialista afirma que bombardeios de Israel não destroem o Hezbollah
© Reuters/Raghed Waked/Proibida reprodução

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  • Especialista avalia que bombardeios massivos de Israel no Líbano, com 303 mortos em um dia, não garantem derrota do Hezbollah.
  • Farinazzo aponta objetivo de “acabar com o Hezbollah” como inalcançável, relaciona ataques a desgaste militar israelense e crise política de Netanyahu.
  • Ele vê risco de colapso diplomático entre EUA, Irã e Hezbollah e considera solução militar no Estreito de Ormuz “virtualmente impossível”, defendendo a via diplomática.

Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação do News Rondônia

A campanha de bombardeios massivos de Israel contra o Líbano, que registrou a morte de 303 pessoas em apenas um dia, é insuficiente para garantir vitórias militares definitivas contra o Hezbollah. A análise é do capitão da reserva da Marinha brasileira, Robinson Farinazzo, presidente do Instituto de Altos Estudos de Geopolítica, Segurança e Conflitos (Gsec). Segundo o especialista, a estratégia de Tel-Aviv parece focar mais no impacto psicológico sobre a população civil libanesa do que na destruição efetiva das estruturas do grupo xiita, que são altamente camufladas e descentralizadas.

Para Farinazzo, o objetivo declarado do governo de Benjamin Netanyahu de “acabar com o Hezbollah” é inalcançável. Ele sugere que a intensificação dos ataques pode ser um reflexo do desespero político de Netanyahu frente à fragilidade da posição dos Estados Unidos no conflito. O militar ressalta que o exército israelense enfrenta um desgaste considerável e que, embora consiga avançar territorialmente até o Rio Litani, dificilmente teria condições de manter a ocupação sem sofrer baixas insustentáveis a longo prazo.

No campo diplomático, o cenário permanece instável. Após o anúncio de um cessar-fogo de duas semanas entre Estados Unidos e Irã na última terça-feira (7), Israel intensificou as ações no Líbano, levando o Hezbollah a retomar os ataques e o Irã a ameaçar o abandono das negociações. O secretário-geral do grupo, Sheikh Naim Qassem, afirmou nesta sexta-feira (10) que o fracasso das tropas terrestres israelenses em avançar é o motivo real por trás dos bombardeios aéreos indiscriminados contra Beirute e o sul do país.

Quanto à crise no Estreito de Ormuz, Farinazzo é enfático ao afirmar que uma solução puramente militar para reabrir a passagem é “virtualmente impossível”. Devido à geografia estreita da região e ao poder de fogo do Irã com mísseis de cruzeiro e minas marítimas, qualquer tentativa de intervenção naval resultaria em perdas catastróficas para os EUA. O especialista conclui que a diplomacia é a única saída viável, alertando que a insistência em um confronto direto pode levar ao esgotamento militar e econômico das potências ocidentais.

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