Israel aprova pena de morte para palestinos condenados por terrorismo

Nova lei, impulsionada pela coalizão de extrema-direita de Netanyahu, foca em ataques contra o Estado e gera forte reação da comunidade internacional por caráter discriminatório.

Fonte: Mariana Ribeiro Soares – repórter da RTP - 20

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Israel aprova pena de morte para palestinos condenados por terrorismo
© REUTERS/Oren Ben Hakoon/proibida reprodução

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  • O Parlamento de Israel aprovou lei que impõe pena de morte a palestinos da Cisjordânia envolvidos em ataques fatais contra o Estado.
  • A norma obriga tribunais militares a aplicar a pena capital em até 180 dias, enquanto cidadãos israelenses seguem sujeitos à prisão perpétua.
  • A medida gerou forte reação internacional e de grupos de direitos humanos, que apontam discriminação, violação do direito internacional e retrocesso democrático.

Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação do News Rondônia

O Parlamento de Israel (Knesset) aprovou, nesta segunda-feira, 30 de março, uma legislação polêmica que estabelece a pena de morte para palestinos da Cisjordânia ocupada que cometam ataques fatais com o objetivo de negar a existência do Estado de Israel. A medida, aprovada por 62 votos a 48, representa uma vitória política para o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, e para a ala de extrema-direita do governo de Benjamin Netanyahu. Na prática, a redação do texto exclui a aplicação da pena para cidadãos judeus, o que gerou acusações de segregação jurídica.

De acordo com a nova norma, tribunais militares israelenses serão obrigados a impor a sentença de morte a residentes da Cisjordânia em casos específicos de terrorismo, com execução prevista para até 180 dias após a condenação definitiva. Enquanto isso, tribunais civis que julgam cidadãos israelenses mantêm a discricionariedade de aplicar a prisão perpétua. O ministro Ben-Gvir celebrou a decisão no plenário, classificando o dia como um marco de “justiça para os assassinados” e uma ferramenta de dissuasão contra inimigos do Estado.

A reação internacional e de grupos de direitos humanos foi imediata e severa. A Autoridade Palestina acusou Israel de violar o direito internacional e tentar legitimar “execuções extrajudiciais”. Países europeus, incluindo Alemanha e França, já haviam alertado que a lei possui caráter discriminatório e mina princípios democráticos. O Conselho da Europa classificou a medida como um “anacronismo jurídico” e um retrocesso grave nos padrões contemporâneos de direitos humanos, enquanto a Associação para os Direitos Civis em Israel já recorreu ao Supremo Tribunal contra a validade da norma.

Historicamente, a pena de morte em Israel é uma raridade absoluta, tendo sido aplicada apenas duas vezes desde a fundação do Estado em 1948 a última delas em 1962, contra o criminoso nazista Adolf Eichmann. A aprovação ocorre em um momento de extrema fragilidade diplomática, sob um cessar-fogo tenso com o Hamas. O movimento islâmico afirmou que a nova lei expõe a “natureza sanguinária” do governo israelense e fragiliza ainda mais as alegações de compromisso com valores humanitários na região.

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