Brasileiros no Líbano relatam cenário de guerra e incerteza

Conflito entre Israel e Hezbollah já expulsou mais de 1 milhão de pessoas de suas casas; brasileiros descrevem rotina de bombardeios e destruição no sul do país.

Fonte: Lucas Pordeus León - Repórter da Agência Brasil - 20

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Brasileiros no Líbano relatam cenário de guerra e incerteza
© Hussein Melhem/Arquivo Pessoal

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  • Escalada recente dos combates entre Israel e Hezbollah no sul do Líbano causa mil mortes, 2,5 mil feridos e deslocamento em massa.
  • Brasileiros e libaneses naturalizados relatam cidades vazias, destruição de infraestrutura, alto custo de vida e condições precárias de abrigo.
  • Conflito, intensificado após ataques de Israel e EUA ao Irã, segue sem previsão de cessar-fogo, gerando temor entre a comunidade brasileira no Líbano.

Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação do News Rondônia

O acirramento dos combates entre as Forças de Defesa de Israel (FDI) e o grupo Hezbollah transformou o cotidiano de milhares de brasileiros e libaneses naturalizados em um drama humanitário. Em menos de três semanas, a escalada do conflito resultou na morte de mil pessoas e deixou outras 2,5 mil feridas, forçando o deslocamento massivo da população do sul do Líbano. Relatos colhidos pela Agência Brasil descrevem cidades fantasmas, infraestrutura devastada incluindo a destruição de 12 pontes estratégicas e o medo constante de bombardeios que atingem áreas residenciais e comerciais.

Para o brasileiro Hussein Melhem, que mantinha uma padaria na cidade de Tiro, a guerra significou a perda total da estabilidade. Após ter sua casa bombardeada, ele e a família fugiram apenas com a roupa do corpo sob intenso frio e chuva. O cenário nas estradas é de desolação, com famílias vivendo em barracas improvisadas. A crise também inflacionou drasticamente o custo de vida; aluguéis em áreas consideradas menos perigosas chegam a custar US$ 2 mil, valor inacessível para quem teve seus negócios paralisados pela violência.

Em Beirute, a situação não é diferente. O amazonense Aly Bawab, que viajou ao país para visitar familiares, relata que as explosões são diárias e sem horário definido. Ele descreve o trauma psicológico causado pelos aviões militares que ultrapassam a velocidade do som para gerar estrondos e assustar a população, além da vibração física incontrolável do corpo durante os bombardeios próximos. Especialistas comparam a estratégia atual de Israel no Líbano à aplicada na Faixa de Gaza, apontando para uma destruição sistemática de aldeias e colheitas no sul do país.

Enquanto a Força de Defesa de Israel afirma ter atingido 2 mil alvos do Hezbollah desde o início de março, o grupo libanês responde com operações militares diárias, incluindo ataques a tanques e posições israelenses. O conflito, que remonta à década de 1980, atingiu um novo ápice após os ataques de Israel e Estados Unidos contra o Irã, desencadeando uma reação em cadeia que ameaça desestabilizar ainda mais o Oriente Médio. Sem previsão de cessar-fogo, a comunidade brasileira no Líbano aguarda com apreensão por rotas de fuga ou assistência diplomática.

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