Estudo do Inpe revela que ações humanas são a principal causa das emissões de carbono na Amazônia

Pesquisa publicada na revista Nature analisou 15 anos de medições e apontou que desmatamento e queimadas superam o estresse climático na liberação de CO₂.

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Estudo do Inpe revela que ações humanas são a principal causa das emissões de carbono na Amazônia
© Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

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  • Estudo liderado por Luciana Gatti (Inpe), com 33 cientistas e publicado na Nature, mostrou que desmatamento e queimadas são a principal fonte das emissões de CO₂ e CO na Amazônia entre 2010 e 2024.
  • As emissões médias anuais de CO₂ variaram de 408 milhões de toneladas em anos mais úmidos e preservados para entre 1,58 bilhão e 1,80 bilhão de toneladas em períodos com maior desmatamento, queimadas e secas severas.
  • Em uma série histórica de 46 anos, houve redução de 8% na precipitação média anual, queda de 20% nas chuvas da estação seca e aumento de 1,13 °C na temperatura média anual (1,81 °C na seca), intensificando o risco de ponto de não retorno do bioma.

Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação do News Rondônia

Um estudo científico abrangente liderado pela pesquisadora Luciana Gatti, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), apontou que as emissões de dióxido de carbono (CO₂) e monóxido de carbono (CO) na Amazônia são impulsionadas majoritariamente por ações humanas diretas, como o desmatamento e os incêndios florestais. A pesquisa, que reuniu 33 cientistas e foi publicada na prestigiada revista Nature, analisou dados coletados continuamente entre os anos de 2010 e 2024.

Para compreender os fatores de variação nas emissões, os pesquisadores categorizaram o período monitorado em três grupos distintos. O Grupo 1 (composto por 2011 a 2014, 2017 e 2018) reuniu os anos mais úmidos e com menor índice de interferência humana, registrando uma emissão média anual de 408 milhões de toneladas de CO₂. Já o Grupo 2 (2019 a 2022) apresentou condições climáticas amenas, mas uma expressiva intensificação do desmatamento, resultando na liberação média de 1,58 bilhão de toneladas de CO₂ ao ano. Por fim, o Grupo 3 (2010, 2015, 2016, 2023 e 2024) combinou secas severas com alta degradação ambiental, alcançando a marca de 1,80 bilhão de toneladas emitidas anualmente.

A análise comparativa entre os grupos evidenciou que os anos com maior desmatamento e queimadas apresentaram volume de emissões significativamente superior aos períodos preservados, indicando que a ação antrópica é o vetor determinante da degradação. Os dados demonstraram ainda que, embora o estresse climático não seja a causa primária das emissões, os períodos de seca prolongada funcionam como amplificadores do volume de carbono liberado pela ação humana.

A pesquisa estendeu o levantamento para uma série histórica de 46 anos sobre as condições meteorológicas da região amazônica. A apuração indicou uma redução de 8% na precipitação média anual e uma queda de 20% no volume das chuvas durante a estação seca (entre agosto e novembro). No mesmo intervalo, a temperatura média anual da floresta subiu 1,13 °C, com uma elevação ainda mais acentuada de 1,81 °C nos meses de estiagem, reforçando a urgência da interrupção das queimadas para evitar que o bioma atinja um ponto de não retorno.

Perguntas Frequentes (FAQ)

Quem liderou a pesquisa sobre o fluxo de carbono na Amazônia publicada na Nature?
O estudo foi liderado pela pesquisadora Luciana Gatti, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), com a colaboração de outros 32 cientistas.

Qual foi o volume médio de emissões de CO₂ nos anos de maior interferência humana?
Nos períodos de intensa atividade de desmatamento e queimadas, as emissões anuais variaram entre 1,58 bilhão e 1,80 bilhão de toneladas de CO₂.

Como a seca afeta a liberação de carbono na floresta amazônica?
As secas e o estresse climático não geram as emissões sozinhos, mas atuam como fatores potencializadores dos danos provocados pelos incêndios e desmatamentos.

Quais mudanças de temperatura foram registradas na Amazônia na série histórica de 46 anos?
A temperatura média anual subiu 1,13 °C, enquanto a média da estação seca (agosto a novembro) registrou um aumento de 1,81 °C.

 

Com informações de Fabíola Sinimbú – Repórter da Agência Brasil

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