Nevasca transforma Cocapata em cenário de desastre e ameaça sobrevivência de famílias na Bolívia

Em Huayllatani, no departamento de Cochabamba, famílias enfrentam frio extremo e tentam salvar animais atingidos pela neve; 26 comunidades ficaram incomunicáveis, 1.172 famílias foram afetadas e cerca de 1.500 camélidos (Lhama) morreram.

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Nevasca transforma Cocapata em cenário de desastre e ameaça sobrevivência de famílias na Bolívia

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A paisagem de Cocapata, no departamento de Cochabamba, na Bolívia, distante cerca de 800 quilômetros de Porto Velho, em Rondônia, em linha reta, ganhou contornos dramáticos nos últimos dias. O branco da neve, que poderia representar apenas uma mudança na paisagem das montanhas, transformou-se em motivo de angústia para centenas de famílias que enfrentam o frio intenso e os efeitos de uma das mais severas nevascas registradas na região.

Na comunidade de Huayllatani, a neve cobriu campos, caminhos e áreas destinadas à criação de animais. Camelídeos ficaram soterrados, surpreendidos pelo rápido acúmulo de neve, enquanto moradores passaram a enfrentar uma corrida contra o tempo para localizar e salvar os animais. Segundo reportagem da Red Uno, aproximadamente 1.500 camélidos morreram em consequência da nevasca e das baixas temperaturas.

Nevasca transforma Cocapata em cenário de desastre e ameaça sobrevivência de famílias na Bolívia

Debaixo da espessa camada de neve, parte do rebanho desapareceu. Para as famílias da comunidade, a perda não representa apenas a morte de animais, mas o comprometimento de uma fonte essencial de renda, alimentação e sobrevivência. Alpacas, lhamas e ovinos fazem parte da economia de comunidades que vivem em áreas montanhosas e dependem diretamente da criação.

A dimensão da emergência foi confirmada pelas autoridades locais. Segundo o levantamento divulgado pela Red Uno, 1.172 famílias foram afetadas pela intensa nevasca e 26 comunidades ficaram isoladas ou com os acessos severamente comprometidos.

Nevasca transforma Cocapata em cenário de desastre e ameaça sobrevivência de famílias na Bolívia

Entre as áreas atingidas estão as centrais regionais de Calientes, Abuelas, Kala Cruz, La Calaca e Kutini. O isolamento dificulta a chegada de alimentos, forragem e assistência às famílias, além de impedir o transporte adequado dos animais e de outros recursos necessários à sobrevivência.

O problema é agravado pela dificuldade para manter as máquinas utilizadas na abertura das estradas. Embora o município disponha de equipamentos para retirar a neve e recuperar os acessos, há falta de diesel para manter os trabalhos. Segundo as informações divulgadas pela Red Uno, postos de combustível da região não estariam fornecendo o produto por falta de autorização oficial do governo central.

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O cenário também comprometeu a alimentação dos animais. Aproximadamente 12.199 cabeças de gado ficaram sem acesso à forragem, diante da cobertura das áreas de pastagem pela neve. A falta de alimento, somada às temperaturas extremamente baixas, elevou o risco de novas mortes.

Além dos animais que já morreram, a preocupação das famílias é preservar o rebanho sobrevivente. A neve impede o acesso às áreas de pastagem e dificulta a distribuição de alimento, deixando os animais expostos ao frio e à falta de nutrientes.

Como resposta emergencial, autoridades locais articulam medidas com a Gobernación de Cochabamba para levar forragem às comunidades. Entre as ações previstas está a distribuição de aveia e uma campanha de vitaminização dos animais sobreviventes, programada para os próximos dias.

A nevasca também afetou a educação. Seis unidades educacionais suspenderam as aulas presenciais e passaram para a modalidade virtual devido às condições climáticas. A região também enfrentou problemas de comunicação e interrupção no fornecimento de energia elétrica, ampliando as dificuldades enfrentadas pelos moradores.

Nevasca transforma Cocapata em cenário de desastre e ameaça sobrevivência de famílias na Bolívia

O frio impõe uma rotina de resistência. Entre a neve e as baixas temperaturas, moradores permanecem nas comunidades tentando proteger o que restou dos animais, enquanto aguardam assistência para enfrentar as consequências do fenômeno.

A situação é ainda mais delicada porque as condições climáticas dificultam o deslocamento e o acesso às áreas atingidas. A neve transforma estradas e caminhos em corredores difíceis de atravessar, ampliando o isolamento justamente quando as comunidades mais necessitam de alimentos, forragem, combustível e atendimento.

Os moradores de Huayllatani relatam a falta de assistência e pedem apoio diante das perdas provocadas pela nevasca. Representantes de Cocapata também buscaram ajuda junto às autoridades departamentais e ao governo nacional boliviano para ampliar o atendimento às comunidades atingidas.

Em meio ao cenário completamente branco, a emergência deixa marcas que vão muito além da paisagem: são rebanhos perdidos, famílias isoladas, animais sem alimento, estradas bloqueadas e atividades escolares interrompidas.

Diante da extensão dos danos, o Município de Cocapata declarou situação de desastre e emergência, reconhecendo oficialmente a gravidade dos impactos provocados pela combinação de neve intensa e temperaturas extremas.

Enquanto a neve continua a dominar a paisagem das montanhas, famílias de Cocapata enfrentam não apenas o frio, mas também a incerteza sobre como preservar o que restou dos rebanhos e reconstruir o sustento perdido. Para comunidades cuja sobrevivência depende diretamente da criação de animais e do acesso às estradas, a nevasca já deixou de ser apenas um fenômeno climático e se transformou em uma emergência com consequências sociais e econômicas profundas. Com informações de EL Deber e Red Uno.

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