Supercélula provoca tornado no Rio Grande do Sul; embora raro, fenômeno também pode atingir Rondônia

Especialistas explicam que a combinação de calor intenso, alta umidade e forte cisalhamento dos ventos pode favorecer a formação de supercélulas na Amazônia, embora os registros sejam incomuns no estado.

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Supercélula provoca tornado no Rio Grande do Sul; embora raro, fenômeno também pode atingir Rondônia

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Vídeos que circulam nas redes sociais revelam momentos de tensão e desespero vividos por moradores da zona rural do município de Senador Salgado Filho, no Rio Grande do Sul, durante a passagem de um tornado registrado no fim da tarde de terça-feira (28). As imagens mostram o momento em que o fenômeno se aproxima rapidamente de uma residência.

Em um dos vídeos que circulam nas redes sociais, uma moradora aparece acompanhando, em desespero, a aproximação do tornado em direção à propriedade da família. Assustada com a força do fenômeno, ela repete diversas vezes: “Meu Deus, meu Deus, meu Deus! Pai, cuida de tudo e de todos, Senhor”.

Ao lado dela, o filho registra a cena e tenta tranquilizá-la, mas também demonstra apreensão ao perceber que o tornado avançava na direção da residência. “Senhor, está nas tuas mãos”, afirma.

Poucos segundos depois, diante da possibilidade de o imóvel ser atingido, ele decide agir: “Vamos pegar a caminhonete e sair daqui”.

Supercélula de tempestade associada a tornado registrado no Rio Grande do Sul.

As imagens evidenciam a força do fenômeno, que, segundo meteorologistas da MetSul Meteorologia, foi provocado por uma supercélula, um dos tipos mais intensos e organizados de tempestade. O registro ocorreu por volta das 18h (horário de Brasília), o que corresponde às 16h em Rondônia, durante um período de forte instabilidade atmosférica na região.

De acordo com o meteorologista Luiz Fernando Nachtigall, da MetSul, é possível identificar nas imagens “a presença de uma supercélula de tempestade com a base rebaixada e a curvatura da massa de nuvens de uma nuvem-parede (wall cloud) associada ao mesociclone da supercélula, com o tornado sob a célula“.

A passagem do tornado provocou destruição em diversos imóveis. Segundo a Defesa Civil, telhados foram arrancados pela força dos ventos e estruturas ficaram danificadas. Até o momento, as autoridades seguem levantando os prejuízos causados pelo evento.

Supercélula de tempestade associada a tornado registrado no Rio Grande do Sul.

O que é uma supercélula?

Segundo os meteorologistas, a supercélula é a forma mais intensa e organizada de tempestade. Ela se caracteriza pela presença de uma corrente ascendente em rotação, conhecida como mesociclone.

Diferentemente das tempestades comuns, que costumam durar pouco tempo, uma supercélula pode permanecer ativa por várias horas e percorrer grandes distâncias, produzindo fenômenos meteorológicos severos, como chuvas torrenciais, granizo de grande porte, intensa atividade elétrica, rajadas destrutivas de vento e tornados, como o registrado no interior do Rio Grande do Sul.

Embora sejam mais frequentes na Região Sul do Brasil, especialmente durante períodos de forte instabilidade atmosférica, as supercélulas exigem monitoramento constante devido ao seu elevado potencial de causar danos materiais e colocar vidas em risco.

Fenômeno também pode ocorrer em Rondônia, mas é raro

Apesar de serem incomuns na Amazônia, especialistas explicam que supercélulas também podem se formar em Rondônia quando há uma combinação favorável de calor intenso, elevada umidade e forte cisalhamento dos ventos, condição em que a velocidade e a direção dos ventos variam significativamente com a altitude.

No estado, essas condições costumam ocorrer com maior frequência durante a transição entre a estação seca e a chuvosa, entre setembro e novembro, ou com a chegada de frentes frias que avançam pela Amazônia, conhecidas como friagens.

Supercélula de tempestade associada a tornado registrado no Rio Grande do Sul.

Caso uma supercélula se desenvolva sobre Rondônia, ela poderá provocar chuvas intensas, rajadas de vento superiores a 80 km/h, granizo em situações excepcionais, intensa atividade elétrica e, em casos extremamente raros, tornados. Meteorologistas ressaltam, no entanto, que a confirmação desse tipo de tempestade depende de análises detalhadas por radares meteorológicos, imagens de satélite e dados atmosféricos, recursos ainda limitados em parte da Região Norte. É importante lembrar que Rondônia já possui registro de ocorrência de tornado. Em 2021, um fenômeno classificado como F0 na escala Fujita foi identificado em Porto Velho, com ventos estimados em aproximadamente 117 km/h. O evento provocou danos leves, como avarias em estruturas e imóveis atingidos.

A escala Fujita, utilizada para classificar a intensidade dos tornados, considera o F0 como o nível mais baixo da categoria. Essa classificação corresponde a ventos entre cerca de 105 km/h e 137 km/h, capazes de provocar impactos como destelhamentos, queda de galhos e danos superficiais em construções.

Embora os registros sejam raros, a possibilidade reforça a importância do monitoramento contínuo das condições meteorológicas, especialmente durante períodos de maior instabilidade, quando tempestades severas podem atingir o estado com potencial para provocar danos e transtornos à população.

FAQ

O que causou o tornado no Rio Grande do Sul?
O fenômeno foi associado a uma supercélula de tempestade, estrutura meteorológica capaz de gerar eventos severos.

Uma supercélula pode acontecer em Rondônia?
Sim. Embora seja rara, a formação é possível quando há combinação de calor, umidade elevada e forte cisalhamento dos ventos.

Rondônia já registrou tornado?
Sim. Em 2021, Porto Velho teve um registro classificado como F0 na escala Fujita.

Qual é o período mais favorável para tempestades severas em Rondônia?
A maior possibilidade ocorre durante a transição entre a estação seca e a chuvosa, especialmente entre setembro e novembro.

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