Calor extremo pode atingir 127 dias por ano no Brasil até 2075

Estudo da plataforma i4sea aponta aumento expressivo das temperaturas no país, com Rondônia liderando projeção de aquecimento entre os estados brasileiros.

Fonte: Francisco Rodrigo

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Calor extremo pode atingir 127 dias por ano no Brasil até 2075
© Tomaz Silva/Agência Brasil

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Um estudo da plataforma de inteligência climática i4sea projeta que o Brasil poderá registrar até 127 dias de calor extremo por ano até 2075, contra os atuais seis dias anuais. A pesquisa utilizou mais de 26 modelos climáticos globais para estimar os impactos das mudanças climáticas no território nacional. Rondônia aparece como o estado com maior aumento projetado de temperatura máxima, enquanto a Região Norte deve concentrar os efeitos mais intensos do aquecimento.

Estudo projeta aumento expressivo do calor extremo no Brasil

O Brasil poderá enfrentar uma mudança significativa no comportamento climático nas próximas décadas. Segundo projeções elaboradas pela plataforma de inteligência climática i4sea, o país deve passar dos atuais seis dias de calor extremo por ano para até 127 dias anuais até 2075.

O levantamento foi desenvolvido com base em mais de 26 modelos climáticos globais, incluindo o modelo MPI-ESM1-2-HR, do Instituto Max Planck de Meteorologia, cujos resultados foram adaptados à realidade brasileira por meio de análises regionalizadas.

Além da ampliação dos períodos de calor intenso, o estudo estima um aumento médio de 1,7°C na temperatura máxima nacional, podendo alcançar até 7°C em algumas localidades.

Região Norte concentra os maiores impactos

Entre todas as regiões brasileiras, a Região Norte deverá sofrer os efeitos mais intensos das mudanças climáticas.

A projeção indica elevação média de 2,8°C na temperatura máxima e cerca de 193 dias de calor extremo por ano até 2075.

Dentro desse cenário, Rondônia lidera o ranking nacional de aquecimento projetado, com aumento estimado de 3,95°C na temperatura máxima.

Na sequência aparecem Acre, com elevação prevista de 3,36°C, e Roraima, com 3,16°C.

O estudo também aponta que Roraima poderá registrar até 250 dias de calor extremo por ano, o equivalente a aproximadamente dois terços do calendário anual.

Centro-Oeste e Sul também terão mudanças significativas

Embora os impactos sejam mais severos na Região Norte, outras áreas do país também deverão registrar mudanças importantes.

No Centro-Oeste, a temperatura máxima deverá aumentar, em média, 2°C. O número de dias de calor extremo poderá saltar de cinco para 107 por ano.

Já na Região Sul, tradicionalmente marcada por temperaturas mais amenas, o aumento médio previsto é de 1,1°C. Mesmo assim, os dias de calor extremo poderão crescer de quatro para 38 anuais.

Ondas de calor tendem a se tornar mais frequentes

Além do aumento da temperatura média, a pesquisa estima uma intensificação das ondas de calor.

Segundo a i4sea, o Brasil poderá registrar até 13 episódios de ondas de calor por ano até 2075.

Esse cenário poderá impactar diretamente setores como energia elétrica, infraestrutura, logística, agricultura, saúde pública e abastecimento de água, exigindo maior capacidade de adaptação por parte dos governos e da iniciativa privada.

Empresas deverão incorporar o clima ao planejamento

Para o diretor-presidente da i4sea, Mateus Lima, o clima deverá deixar de ser apenas uma variável ambiental para integrar as decisões estratégicas das organizações.

Segundo ele, a tendência é que eventos extremos passem a influenciar diretamente o planejamento operacional de empresas e instituições.

De acordo com Lima, antecipar investimentos em infraestrutura, adaptação de processos e proteção dos trabalhadores poderá reduzir impactos econômicos e operacionais no futuro.

Mudanças climáticas ampliam desafios para diversas áreas

O aumento das temperaturas previsto pelo estudo reforça preocupações relacionadas às mudanças climáticas e seus efeitos sobre a sociedade.

Entre os principais desafios estão o aumento da demanda por energia elétrica, maior risco de queimadas, impactos sobre a produção agrícola, redução da disponibilidade hídrica em algumas regiões e crescimento dos problemas de saúde associados às altas temperaturas.

Especialistas também alertam que eventos extremos tendem a se tornar mais frequentes, exigindo políticas públicas voltadas à adaptação climática e ao fortalecimento da infraestrutura urbana e rural.

Perguntas Frequentes (FAQ)

Quantos dias de calor extremo o Brasil poderá registrar até 2075?

Segundo o estudo da i4sea, o país poderá registrar até 127 dias de calor extremo por ano, frente aos atuais seis dias.

Qual estado terá o maior aumento de temperatura?

Rondônia lidera a projeção nacional, com aumento estimado de 3,95°C na temperatura máxima até 2075.

Qual região será mais afetada?

A Região Norte deverá concentrar os maiores impactos, com aumento médio de 2,8°C e até 193 dias de calor extremo por ano.

Quantas ondas de calor poderão ocorrer anualmente?

O estudo estima que o Brasil poderá enfrentar até 13 ondas de calor por ano nas próximas décadas.

Como a pesquisa foi realizada?

A análise utilizou mais de 26 modelos climáticos globais, adaptados para o território brasileiro por meio de projeções regionalizadas até o ano de 2075.

 

Com informações de Ana Cristina Campos – Repórter da Agência Brasil

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