Célio Lopes, ex-PDT e atual União Brasil, sempre tumultuando o cenário político

O lançamento da pré-candidatura do senador Acir Gurgacz, em Ji-Paraná, terminou envolto em um episódio que provocou irritação e comentários nos bastidores.

Fonte: Bruno Eduardo

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Célio Lopes, ex-PDT e atual União Brasil, sempre tumultuando o cenário político

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Ricardo Frota, candidato do PDT a deputado federal, teria ficado indignado por não ter recebido espaço para fazer uso da palavra durante o evento. A situação chamou ainda mais atenção porque o encerramento ficou por conta de Célio Lopes, ex-integrante do PDT e hoje filiado ao União Brasil.

Para aliados de Frota, a situação foi interpretada como um desprestígio ao candidato do próprio PDT. Afinal, enquanto um pedetista que pretende disputar uma vaga na Câmara Federal ficou sem espaço no palco, um ex-integrante da legenda acabou ocupando posição de destaque no encerramento.

Mas afinal, por que Célio Lopes deixou o PDT?

Essa é uma pergunta que começa a ganhar força no meio político.

Célio Lopes construiu sua trajetória no PDT desde os 16 anos e chegou a disputar a Prefeitura de Porto Velho pela legenda em 2024, conquistando quase 30 mil votos. Em março de 2026, porém, deixou o partido e ingressou no União Brasil, onde passou a trabalhar sua pré-candidatura a deputado federal.

A mudança foi uma decisão ideológica? Foi uma necessidade de sobrevivência política? Uma busca por mais espaço? Ou simplesmente uma estratégia para aumentar as chances de chegar a Brasília?

De militante do PDT a protagonista em outro palanque

É justamente aí que o episódio de Ji-Paraná ganha um sabor político ainda maior.

Célio Lopes, que já foi pedetista, agora aparece em um novo campo partidário e, mesmo assim, ocupa o encerramento de um evento ligado a figuras com forte relação histórica com o PDT.

Para alguns antigos correligionários, isso pode soar como uma ironia política: aquele que deixou a legenda agora volta a aparecer em eventos onde ainda estão presentes candidatos e lideranças do partido.

E o desconforto de Ricardo Frota, candidato a deputado federal pelo PDT, nesse contexto, ganha outra dimensão.

Não se trata apenas de alguns minutos de fala. Trata-se de espaço político, respeito aos candidatos da legenda e, principalmente, de quem está sendo colocado no centro do palco.

O velho problema do protagonismo

O episódio também alimenta uma percepção que circula entre alguns integrantes da política local: a de que Célio Lopes teria uma forte tendência a buscar protagonismo e ocupar o centro das atenções.

Durante sua passagem pelo PDT, esse comportamento teria provocado descontentamentos entre alguns correligionários. Há, inclusive, relatos de bastidores de que sua saída da legenda teria sido recebida com alívio e até comemoração por alguns pedetistas que já demonstravam insatisfação com sua forma de conduzir determinadas articulações.

São percepções de bastidores, e não uma unanimidade dentro do partido. Mas ajudam a explicar por que sua presença novamente no centro de uma situação política provocou tanto comentário.

Agora, no União Brasil, Célio Lopes tenta transformar o capital eleitoral obtido em 2024 em uma candidatura competitiva para a Câmara Federal.

Salvação política ou busca por poder?

Talvez essa seja a pergunta mais incômoda.

Trocar de partido em política pode ser sobrevivência. Pode ser estratégia. Pode ser convicção. Pode ser simplesmente a busca por um caminho mais viável para alcançar um objetivo eleitoral.

Mas quando alguém deixa uma legenda na qual construiu sua trajetória e, pouco tempo depois, aparece novamente ocupando posição de destaque em um ambiente ligado à antiga casa, é inevitável que surjam interpretações.

Foi uma saída para buscar novos horizontes ou uma saída para buscar mais poder?

E a história ganhou um novo ingrediente. Em uma reunião recente realizada em Porto Velho, com a presença do candidato ao Governo de Rondônia, Hildon Chaves, foi mencionado que Célio Lopes teria um compromisso de retornar ao PDT depois das eleições.

Será?

Se esse retorno realmente acontecer, a mudança para o União Brasil poderá ser vista, retrospectivamente, sob uma perspectiva ainda mais estratégica. Célio terá deixado o PDT, disputado a eleição por outra legenda e, depois das urnas, poderá voltar à sigla onde iniciou sua trajetória.

Mas também fica outra pergunta: como será recebido na volta?

Depois dos atritos, das divergências e dos comentários que acompanharam sua saída, um eventual retorno certamente será observado de perto pelos antigos companheiros de partido.

Para alguns, pode ser apenas mais um movimento natural da política. Para outros, poderá parecer uma estratégia de ida e volta conforme as circunstâncias eleitorais.

No fim, a política tem dessas coisas: partidos mudam, alianças mudam e os caminhos também mudam. O que permanece é a cobrança por coerência — e é justamente nesse ponto que um eventual retorno de Célio Lopes ao PDT poderá gerar novos debates.

A resposta cabe ao tempo, às urnas e, principalmente, ao próprio Célio Lopes.

O que ninguém pode negar é que Célio Lopes continua sabendo como ocupar espaço no cenário político rondoniense. E, em Ji-Paraná, o episódio envolvendo Ricardo Frota mostrou que esse protagonismo pode produzir tanto visibilidade quanto indignação.

Na política, quem insiste em ser protagonista pode até conseguir os holofotes. O problema é quando o protagonismo começa a produzir mais indignação do que aplausos.

 

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