Ilha, uísque e sigilos acirram duelo entre Lula e Flávio

No bloco de tema livre da Globo, candidatos trocaram acusações sobre patrimônio, relações com Daniel Vorcaro e financiamento de filmes sobre os dois lados.

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Ilha, uísque e sigilos acirram duelo entre Lula e Flávio

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  • Lula e Flávio Bolsonaro trocaram acusações sobre disputa de imóvel em Angra dos Reis envolvendo Richarlison e o advogado Willer Tomaz, com foco em suposta interferência na SPU, negada por Flávio.
  • Os candidatos se confrontaram sobre presente de uísque Macallan avaliado em cerca de R$ 500 mil, financiamentos de filmes ligados a Jair Bolsonaro e Lula e supostos vínculos com o banqueiro Daniel Vorcaro, todos ainda sob investigação ou com versões divergentes.
  • Houve embates sobre patrimônio, processos judiciais anulados contra Lula, abertura de sigilos e uso de cartão corporativo, com o ministro André Mendonça esclarecendo que ambos podem divulgar voluntariamente seus dados, enquanto o bloco terminou com novas acusações sem pleno esclarecimento.

Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação do News Rondônia

A disputa por um imóvel em Angra dos Reis, um uísque avaliado em R$ 500 mil e cobranças sobre movimentações financeiras dominaram o bloco de tema livre entre Lula e Flávio Bolsonaro no debate presidencial da Globo. Com oito minutos para cada candidato, os adversários concentraram o confronto em acusações de favorecimento, questionamentos sobre patrimônio e desafios para divulgar documentos.

Sorteado para começar, Lula cobrou explicações sobre a disputa envolvendo o jogador Richarlison e o advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio. O presidente questionou uma suposta interferência na Secretaria do Patrimônio da União (SPU) para beneficiar o advogado na regularização da área.

“Eu quero que você responda como é que uma pessoa consegue numa semana e a outra está esperando um ano”, afirmou Lula. O petista também insistiu em saber se Flávio havia indicado um coronel para o comando do órgão.

Flávio negou a indicação e qualquer participação na disputa. “Eu não tenho absolutamente nada a ver com isso”, declarou. Segundo ele, Willer é seu amigo, mas não seu sócio, e a questão já teria uma decisão judicial definitiva.

O conflito envolve direitos sobre um imóvel na Ilha Comprida, em Angra dos Reis. Richarlison afirma ter comprado a área e acusa o grupo ligado ao advogado de tomar a posse. Willer contesta essa versão e sustenta que o jogador negociou com pessoas sem direito sobre o terreno. As versões permanecem divergentes; não é possível apresentar a acusação de tomada irregular como fato comprovado. CNN Brasil

Lula afirmou que sua ministra examinava o caso e condicionou uma eventual restituição à confirmação da versão do jogador. Flávio voltou a negar envolvimento e tentou deslocar a discussão para a segurança pública, cobrando uma fala do adversário sobre “acabar com a polícia”.

A cobrança fazia referência a uma expressão registrada no bloco anterior. Naquele trecho, porém, Lula também havia prometido fortalecer a Polícia Federal e combater milícias e narcotráfico. A frase isolada não resume o conjunto daquela manifestação.

O confronto passou então ao suposto presente de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, para Lula. Flávio citou uma garrafa rara de Macallan e repetiu: “Qual é o sabor desse uísque?”

O senador afirmou que a bebida custava meio milhão de reais, comparou o valor com benefícios sociais e questionou se teria existido alguma contrapartida. Lula não apresentou uma explicação detalhada sobre o presente no trecho e respondeu com acusações sobre as relações do adversário com o banqueiro.

Mensagens apreendidas pela PF, divulgadas pelo UOL, mostram Vorcaro solicitando a compra de um Macallan 1945 para presentear Lula, por valor equivalente a aproximadamente R$ 500 mil. Outra mensagem relata um agradecimento do presidente. Esses registros, por si só, não demonstram uma contrapartida ilícita. Em entrevista anterior, Lula disse não saber se recebeu o presente e afirmou que, caso tivesse recebido, já teria bebido. noticias.uol.com.br

O financiamento de produções audiovisuais abriu outra frente de confronto. Lula cobrou os R$ 134 milhões relacionados ao filme sobre Jair Bolsonaro. Flávio defendeu a regularidade do projeto e disse que um relatório da PF demonstraria que os recursos foram destinados à produção.

“Era um investidor num filme privado, não tem Lei Rouanet, não tem dinheiro público”, afirmou o candidato.

A documentação divulgada antes do debate, entretanto, não permite tratar a investigação como encerrada. Segundo reportagem da revista Veja sobre manifestação da PF, os investigadores identificaram diferença entre US$ 12,33 milhões enviados a um fundo nos Estados Unidos e cerca de US$ 2,8 milhões que ingressaram na produtora brasileira de “Dark Horse”. A corporação apontou necessidade de perícia e pediu mais prazo para investigar. A divergência é objeto de apuração, não uma condenação.

Flávio rebateu com uma gravação atribuída a Vorcaro sobre um suposto repasse de R$ 30 milhões para um filme sobre Lula. Os produtores negaram receber recursos do banqueiro ou de empresas ligadas a ele. Reportagem do UOL também identificou inconsistências entre o áudio e os relatos escritos apresentados por Vorcaro.

O senador ainda acusou pessoas ligadas ao governo de articular investimentos de fundos de pensão no Banco Master mediante propina. A apuração publicada pelo UOL registra tentativas de aproximação com esses fundos, mas informa que os investimentos citados de Previ, Petros, Postalis e Caixa Asset não se concretizaram. Padilha negou atuar em defesa do banco.

Lula retomou, em seguida, a acusação de que Flávio participou de um encontro em uma embarcação com pessoas interessadas na negociação da vacina Covaxin durante a pandemia. “Você estava ou não estava no barco?”, perguntou. “Não estava”, respondeu Flávio.

O episódio foi descrito em reportagem da revista piauí, que situa o passeio no Lago Paranoá em 17 de julho de 2020. A data diverge da referência a junho feita por Lula em outro momento do trecho. O senador negou a participação durante o debate.

Na parte final, a discussão se voltou ao patrimônio dos candidatos e de familiares. Flávio questionou um imóvel associado a Jonas Suassuna, mencionado como endereço do filho de Lula, e acusou o presidente de manter bens em nome de terceiros. Lula rejeitou as acusações e renovou o desafio para abertura de contas.

“Eu e você. Abrir as contas, minha e sua”, declarou. O presidente também questionou como Flávio teria comprado uma casa de R$ 10 milhões. O senador respondeu que atua como advogado e empresário, além de exercer mandatos parlamentares.

Ao citar o triplex do Guarujá e o sítio de Atibaia, Flávio repetiu que Lula havia sido condenado. As condenações desses processos foram anuladas pelo STF em 2021, após o reconhecimento de que a Justiça Federal de Curitiba não tinha competência para julgá-los. Portanto, não podem ser apresentadas como condenações vigentes.

Os candidatos também divergiram sobre a entrega dos documentos para abertura de sigilos. Nesse contexto, o ministro André Mendonça esclareceu que ambos podem divulgar voluntariamente seus dados bancários, fiscais e telefônicos, sem autorização do TSE. Entregar uma autorização, contudo, não equivale a tornar públicos os extratos e registros.

Flávio encerrou cobrando transparência sobre os gastos do cartão corporativo e registros de acesso ao Palácio da Alvorada. Lula terminou sua participação acusando o adversário de repetir mentiras. O bloco foi marcado por negativas sucessivas e cobranças que, em vários momentos, deram lugar a novas acusações antes de serem esclarecidas.

O debate é promovido pela Rede Globo de Televisão.

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