Uso excessivo de telas prejudica criatividade nas brincadeiras

Especialistas e pais discutem os impactos do uso de telas na infância e defendem o equilíbrio entre a tecnologia e as brincadeiras tradicionais.

Fonte: João Barbosa* – Estagiário da Rádio Nacional - 20

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Uso excessivo de telas prejudica criatividade nas brincadeiras
© Tomaz Silva/Agência Brasil

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  • Dia Mundial do Brincar reacende debate sobre substituição das brincadeiras de rua por dispositivos eletrônicos na infância.
  • Especialistas alertam que uso excessivo de telas reduz criatividade, iniciativa e pode causar problemas físicos, emocionais e comportamentais.
  • Projetos sociais e estudiosos defendem uso crítico da tecnologia, letramento digital e maior regulação das plataformas para proteger crianças.

Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação do News Rondônia

O ato de brincar passa por uma transformação profunda nas últimas décadas. Se antes as ruas eram o cenário predominante para atividades como pique-esconde e queimada, hoje a rotina de muitas crianças é marcada pela presença constante de dispositivos eletrônicos. Celebrado em 28 de maio, o Dia Mundial do Brincar acende o debate sobre como a digitalização do lazer influencia o desenvolvimento cognitivo e a criatividade infantil, em um cenário onde a insegurança urbana e a rotina exaustiva dos pais reduzem os espaços de convivência real.

O impacto das telas na criatividade

Estudos apontam que a dependência excessiva de tablets e celulares pode criar um ciclo vicioso de tédio e inatividade. A terapeuta ocupacional Amanda Sposito, orientadora do estudo “Tecnologias digitais moldam o novo brincar infantil”, alerta para a perda da capacidade de iniciativa das crianças. “Quanto mais as crianças ficam imersas em tela, menos criatividade elas têm e menos coisas conseguem fazer na vida real”, explica. Segundo a especialista, o hábito de delegar o entretenimento infantil aos dispositivos inibe a capacidade de os pequenos desenvolverem suas próprias brincadeiras sem a mediação de um adulto ou de um software.

A preocupação com a saúde física e mental segue as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), que estabelece limites de tempo de exposição conforme a faixa etária. O uso desregulado pode acarretar desde problemas ortopédicos e visuais até questões emocionais e comportamentais. Para mitigar riscos, muitos pais adotam o controle parental e o monitoramento rigoroso do conteúdo acessado, visando proteger os filhos de materiais inapropriados e limitar o tempo de tela para preservar períodos essenciais, como a alimentação e o sono.

Tecnologia como ferramenta educativa

Por outro lado, iniciativas como o projeto social Gaming Park, presente na Rocinha (RJ) e em Vitória (ES), defendem que a tecnologia, quando utilizada de forma crítica e contextualizada, pode ser um potente instrumento de sociabilidade e aprendizado. Segundo a coordenadora técnica Dara Coema, o foco deve ser o letramento digital. “É uma questão de consumo crítico. Os jogos podem ser meios para passar valores relacionados ao trabalho em equipe e à comunicação”, afirma.

Para os especialistas, o desafio futuro não é o banimento da tecnologia, mas a educação midiática. Criar “cidadãos digitais” conscientes envolve ensinar às crianças como funcionam os algoritmos, a importância da privacidade de dados e como identificar conteúdos nocivos. Além da conscientização familiar, o debate reforça a necessidade de maior fiscalização sobre as plataformas digitais, para que as empresas do setor também assumam a responsabilidade por práticas que estimulam o consumo compulsivo e o uso excessivo de aparelhos entre os menores.

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