Formação em jornalismo deve focar na ética para enfrentar IAs

Presidente da Abej defende que o ensino reafirme o papel humano e crítico da profissão; temas como desinformação devem ser trabalhados de forma transversal nos cursos.

Fonte: Luiz Claudio Ferreira - Repórter da Agência Brasil - 20

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Formação em jornalismo deve focar na ética para enfrentar IAs
© Sam Balye/Unsplash

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  • Especialista da UFT e presidente da Abej afirma que IA e desinformação exigem formação jornalística centrada em ética para manter a confiança social.
  • Ela defende combate à desinformação e uso de IA de forma transversal na grade, com foco no método jornalístico e no olhar crítico humano.
  • Marluce destaca a importância da literacia midiática, da formação presencial e da extensão universitária para diferenciar o jornalismo profissional no ecossistema digital.

Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação do News Rondônia

O avanço das tecnologias de inteligência artificial e a propagação da desinformação impõem às faculdades de jornalismo o desafio de potencializar uma formação humana baseada na ética. Esta é a análise de Marluce Zacariotti, professora da Universidade Federal do Tocantins (UFT) e presidente da Associação Brasileira de Ensino de Jornalismo (Abej). Para a pesquisadora, que participa do 25º Encontro Nacional de Ensino de Jornalismo (ENEJor) na UnB, esses pilares são indispensáveis para a manutenção da confiança social na atividade profissional.

Marluce defende que o combate à desinformação e o uso de IAs não devem ser restritos a disciplinas isoladas, mas sim trabalhados de forma transversal em toda a matriz curricular. O foco deve ser a reafirmação do papel clássico do jornalismo, utilizando as tecnologias para potencializar a pesquisa e a verificação de dados, sem abrir mão do olhar crítico humano. A pesquisadora reforça que as instituições não podem adotar uma visão apocalíptica, mas sim entender as ferramentas para orientar os alunos em seu uso responsável.

Um dos caminhos apontados para fortalecer o jornalismo perante a sociedade é o investimento em literacia midiática. Para a presidente da Abej, o público precisa compreender a diferença entre a produção jornalística profissional que envolve métodos, contextos e abordagens éticas e o conteúdo gerado por influenciadores. Expor o método de trabalho e as metodologias de apuração é essencial para que o jornalismo se diferencie no atual ecossistema digital, dominado por algoritmos e pelas chamadas big techs.

A formação presencial também foi destacada como prioridade pela pesquisadora. Marluce argumenta que o jornalismo é uma atividade inerentemente coletiva, que exige troca e vivência. Ela demonstra preocupação com o cenário profissional onde o jornalista passa cada vez mais tempo dentro das redações e menos na rua, muitas vezes devido à precarização do trabalho. Para ela, a extensão universitária cumpre o papel fundamental de conectar o estudante à realidade social, preparando-o para produzir conteúdo original e responsável.

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