Dia da Mulher Negra destaca legado de Tereza de Benguela e luta por terras quilombolas

Data celebra a resistência das mulheres negras e reforça a cobrança por titulação de territórios quilombolas, combate ao racismo e garantia de direitos.

Publicado em

Dia da Mulher Negra destaca legado de Tereza de Benguela e luta por terras quilombolas
foto - Tânia Rêgo/Agência Brasil

Compartilhe esta notícia:

Nos siga no Google News

Neste sábado (25), o Brasil celebra o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, data que coincide com o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha. A ocasião homenageia a trajetória de resistência das mulheres negras e reforça reivindicações históricas, como a titulação de terras quilombolas, o combate ao racismo e a promoção da igualdade de direitos.

Instituída por lei em 2014, a data nacional presta homenagem à líder quilombola Tereza de Benguela, considerada um dos maiores símbolos da resistência negra no país. Neste ano, organizações sociais e movimentos negros aproveitaram a celebração para cobrar maior agilidade na regularização dos territórios quilombolas e denunciar as desigualdades que ainda afetam milhões de mulheres negras.

Quem foi Tereza de Benguela

Tereza de Benguela viveu no século XVIII e assumiu a liderança do Quilombo do Quariterê, localizado na região do atual estado de Mato Grosso, após a morte de seu companheiro, José Piolho.

Conhecida como “Rainha Tereza”, ela comandou por cerca de duas décadas uma comunidade formada por pessoas negras e indígenas que resistiu à escravidão até aproximadamente 1770.

Mulheres participam de marcha em celebração ao Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, destacando o legado de Tereza de Benguela.
Tereza de Benguela liderou o Quilombo do Quariterê, em Mato Grosso – Fundação Cultural Palmares – Governo Federal

Registros históricos indicam que a administração do quilombo ocorria por meio de decisões coletivas, em um sistema semelhante a um parlamento, tornando sua liderança uma referência de organização política e resistência.

Embora existam dúvidas sobre sua origem e sobre as circunstâncias de sua morte, seu legado permanece como símbolo da luta pela liberdade e pelos direitos da população negra.

Titulação de terras segue como prioridade

Durante as celebrações do 25 de julho, lideranças quilombolas reforçaram que o reconhecimento dos territórios tradicionais continua sendo uma das principais demandas das comunidades.

A coordenadora da Coordenação Nacional de Comunidades Negras Rurais Quilombolas, Selma Dealdina Mbaye, afirmou que a maioria da população quilombola é composta por mulheres, que aguardam a regularização fundiária para garantir segurança jurídica e proteção contra conflitos.

Segundo ela, a titulação é fundamental para combater problemas como:

  • grilagem de terras;
  • mineração irregular;
  • exploração ilegal de recursos naturais;
  • violência contra comunidades tradicionais.

Dados apresentados pela entidade apontam que o Brasil possui mais de 8 mil comunidades quilombolas, reunindo aproximadamente 1,3 milhão de pessoas, distribuídas por 24 estados e mais de 1,7 mil municípios.

Legado inspira novas gerações

Para a jornalista, pesquisadora em Direitos Humanos e militante do Movimento Negro Unificado, Leonor Costa, a história de Tereza de Benguela permanece atual ao demonstrar que o enfrentamento às desigualdades exige mobilização permanente.

O legado da líder quilombola inspira mulheres negras que seguem atuando na defesa dos direitos humanos, da igualdade racial e da preservação dos territórios tradicionais.

Julho das Pretas amplia mobilização nacional

Além das homenagens oficiais, o mês de julho é marcado pela realização do Julho das Pretas, iniciativa criada pelo Odara – Instituto da Mulher Negra.

Em 2026, a programação reúne mais de 600 atividades promovidas por quase 300 coletivos em diferentes regiões do país.

As ações incluem debates, atividades culturais, rodas de conversa, manifestações públicas e campanhas voltadas ao enfrentamento do racismo, do sexismo e das desigualdades sociais.

Entre os eventos está a Marcha das Mulheres Negras de São Paulo, que neste ano também pede justiça por Luana Barbosa, mulher negra e lésbica morta após uma abordagem policial ocorrida em Ribeirão Preto, caso que se tornou símbolo da luta contra a violência institucional.

Origem da data

O Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha foi criado em 1992, durante o 1º Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-Caribenhas, realizado em Santo Domingo, na República Dominicana.

Representantes de mais de 30 países participaram da reunião, que consolidou uma agenda internacional de enfrentamento ao racismo, à discriminação de gênero e às desigualdades vividas pelas mulheres negras.

No Brasil, a criação do Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, em 2014, fortaleceu essa mobilização, ampliando o reconhecimento da contribuição histórica das mulheres negras para a formação do país.

FAQ

Quem foi Tereza de Benguela?
Foi uma líder quilombola do século XVIII que comandou o Quilombo do Quariterê, em Mato Grosso, tornando-se símbolo da resistência contra a escravidão.

Por que o Dia da Mulher Negra é celebrado em 25 de julho?
A data homenageia a luta das mulheres negras na América Latina e no Caribe e, no Brasil, também celebra o legado de Tereza de Benguela.

O que é a titulação de terras quilombolas?
É o processo legal de reconhecimento e regularização dos territórios ocupados tradicionalmente por comunidades quilombolas.

O que é o Julho das Pretas?
É uma mobilização nacional que reúne centenas de atividades voltadas à valorização das mulheres negras e ao combate ao racismo e às desigualdades.

Com informações de Sarah Quines – Repórter da Rádio Nacional.

NEWS QUE VOCÊ VAI QUERER LER

DESTAQUE NEWS

EMPREGOS E CONCURSOS

POLÍTICA

POLÍCIA

ÚLTIMAS NOTÍCIAS