Se você ainda pensa que para “turistar” na Amazônia é preciso atravessar fronteiras estaduais, pare tudo. O luxo da vez não está em destinos famosos, mas na conexão que um novo lugar pode proporcionar ao visitante. Porto Velho está despertando para uma joia que sempre esteve ali, a 100 km de distância, navegando pelo Baixo Madeira, a Resex Lago do Cuniã. E não estamos falando de um passeio contemplativo comum, estamos falando de Turismo Criativo, onde você deixa de ser espectador para se tornar parte da experiência ribeirinha.
Imagine trocar o barulho das notificações de suas telas pelo som dos pássaros que habitam o “silêncio da alma”. No Cuniã, a experiência é sensorial. O turismo criativo aqui se traduz no aprender o passo a passo da produção da farinha, da mandioca à mesa, é sentir o leite da castanha-do-Pará tirado direto do ouriço, contemplar um alvorecer no meio do lago ou entender o ciclo de árvores centenárias que sustentam a vida. É experimentar o açaí direto da fonte, valorizando a colheita e entendendo que sua visita representa muito mais que uma renda extra às comunidades. Ensina a valorizar suas raízes centenárias, proporcionando pertencimento a um novo ambiente, porém, entrelaçado na sua própria história.
O Cuniã é um novo modelo de turismo em uma Amazônia real, sendo, nos últimos anos, fomentado por meio de uma governança compartilhada, surgindo uma musculatura comercial sem perder seu protagonismo comunitário, transformando a vivência ribeirinha em um produto de prateleira pronto para o mundo conhecer. Mas, para o mundo comprar, nós, os moradores de Porto Velho, precisamos ser os primeiros a “dar o check-in”.
Precisamos refletir, por que muitas vezes vendemos melhor o que é de fora do que o que é nosso? Uma provocação estratégica nos lembra que o turista não sonha em conhecer o Pará ou o Amazonas, ele sonha em conhecer a Floresta Amazônica, a diferença é o posicionamento de mercado que esses Estados avançam há anos no radar de interesse. Eu tenho uma ótima notícia para dar, a Amazônia real, autêntica e potente, está no nosso quintal, no Baixo Madeira. Reconhecer, valorizar e saber receber faz parte do nosso papel socioeconômico. “Ah, mas nossa cidade não tem nada para fazer, muitas prioridades para resolver antes de receber turistas”. Será que outros destinos famosos do Brasil também não têm? A indústria limpa do Turismo Criativo pode ser a solução de vários problemas sociais, que desdobram em investimentos e requalificação local.
Quando o morador de Porto Velho abraça o Cuniã, ele deixa de ser apenas um residente para se tornar um promotor de marketing da própria cidade. Ao consumirmos o turismo do Baixo Madeira, validamos uma economia que mantém a “floresta em pé” e gera renda 365 dias. Afinal, nem todos estão para o turismo, mas todos concordam no desenvolvimento que essa atividade atrai.
Não é apenas sobre ver jacarés, embora observar mais de 36 mil deles sob o luar seja um espetáculo à parte. É sobre entender que “você muda e a Amazônia muda você”. O Turismo Criativo no Cuniã é o convite para esse reencontro.
Então, Porto Velho, que tal pararmos de ser apenas o portão de entrada e passarmos a ser o destino principal? O Cuniã já provou que tem alma, técnica e sabor. Agora, só falta você embarcar nessa imersão. “Bora ali?”










































