O passeio de barco pelo rio Madeira vai além de uma atração turística. A atividade representa cultura, identidade e memória viva de Porto Velho, fortalecendo a ligação histórica da população com o rio que marcou a formação da capital rondoniense.
Entre os profissionais que mantêm essa tradição está Marcos Passos, proprietário do barco Nossa Senhora Aparecida. Atuando há cerca de 30 anos no segmento, ele integra o projeto “Navegando pelas Origens” e carrega uma história familiar ligada ao rio desde a infância, quando ajudava o pai, hoje aposentado.
“Antes, não existiam atividades como este passeio de barco. Considero fundamental que esse serviço atraia visitantes e fortaleça o turismo local. O município e o estado deveriam investir mais, pois há um potencial enorme”, disse Marcos, lembrando que a família atua no setor desde 1992.
O barqueiro também relembrou o período em que as embarcações foram retiradas do Complexo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré e transferidas para o Cai n’Água, local que não possuía estrutura adequada. Segundo ele, a autorização para o retorno ao complexo ferroviário, concedida pela atual gestão municipal, trouxe um novo fôlego à atividade.
“Na semana passada fizemos um levantamento e havíamos perdido cerca de 80% da clientela. Já conseguimos recuperar mais de 50%, chegando a 60%. A expectativa é melhorar ainda mais à medida que as pessoas tomem conhecimento”, relatou.
Atualmente, quatro embarcações realizam os passeios turísticos pelo rio Madeira: Maresia, Rei dos Reis e Nossa Senhora Aparecida 1 e 2. O funcionamento ocorre em sistema de revezamento, com dois barcos por semana, inclusive aos fins de semana, podendo ser ampliado conforme a demanda.
“De segunda a quinta-feira, os passeios acontecem das 15h às 18h. Às sextas, sábados e domingos, das 10h às 18h”, explicou Marcos Passos, que também é presidente da Associação dos Empreendedores de Barcos de Turismo do Rio Madeira.
Os valores foram definidos com o objetivo de incentivar a participação da população local e de visitantes. De segunda a quinta-feira, moradores de Porto Velho pagam R$ 30 por pessoa, enquanto turistas pagam R$ 40. De sexta a domingo, o valor é R$ 40 para todos, com pacote promocional para famílias da capital com cinco ou mais pessoas.
Com a nova gestão municipal, os barqueiros passaram por capacitação profissional, ampliando a experiência oferecida ao público. Além da navegação, os passeios agora contam com seleção musical de artistas locais, apresentações culturais e a presença de guia turístico, responsável por contextualizar a história e a cultura de Rondônia.
A mesma relação com o rio também move Ednildo Pereira, proprietário do barco Rei dos Reis, que atua há 17 anos no turismo fluvial. “O passeio tem tudo a ver com nossa cidade, com nossa cultura e tradição. Estamos aqui para manter viva essa característica”, afirmou.
A experiência tem agradado visitantes e moradores. A turista Lilian Silva, natural do Acre, destacou a qualidade do serviço. “É a primeira vez que faço um passeio como este e gostei muito. A estrutura, o serviço e o ambiente superaram as expectativas”.
Já a pedagoga e advogada Iranilde Mendes, portovelhense, ressaltou o valor simbólico da atividade. “Esse passeio representa nossa cidade. É uma forma de transmitir a história e a identidade de Porto Velho para as novas gerações”.







































