Hepatites virais podem ficar décadas sem sintomas; veja como prevenir

Infectologista alerta para diagnóstico precoce, vacinação e testes contra hepatites B e C, que podem evoluir para cirrose e câncer de fígado.

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Hepatites virais podem ficar décadas sem sintomas; veja como prevenir

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As hepatites virais podem permanecer silenciosas por anos ou até décadas antes de serem identificadas, permitindo que a infecção avance e provoque danos graves ao fígado. O alerta é da infectologista e docente do curso de Medicina da Afya São Lucas, Dra. Rayra Almeida, durante o Julho Amarelo, campanha nacional de conscientização sobre prevenção, diagnóstico e tratamento dessas doenças.

A Região Norte está entre as áreas brasileiras com maior circulação de hepatites virais, especialmente das infecções causadas pelos vírus B e Delta. Na Amazônia, a hepatite Delta tem grande relevância epidemiológica, já que depende da presença do vírus B para infectar o organismo.

Segundo a especialista, o principal desafio no combate à doença é identificar pacientes antes do surgimento de complicações como cirrose e câncer de fígado.

Hepatites B e C podem evoluir sem sinais aparentes

Um dos principais mitos sobre as hepatites virais é que todas apresentam sintomas desde o início. De acordo com a infectologista, isso não corresponde à realidade.

As hepatites virais frequentemente não apresentam sinais nas fases iniciais, principalmente quando se tornam infecções crônicas.

Quando aparecem, os sintomas podem incluir:

  • cansaço;
  • mal-estar;
  • náuseas;
  • vômitos;
  • perda de apetite;
  • dor abdominal;
  • pele e olhos amarelados (icterícia);
  • urina escura;
  • fezes claras.

Nos casos de hepatites B e C crônicas, muitas pessoas permanecem sem sintomas durante anos, enquanto o vírus continua causando inflamação e lesões no fígado.

Quem deve fazer o teste para hepatites?

A médica explica que o diagnóstico precoce é fundamental e que a recomendação atual é que todos os adultos com 18 anos ou mais realizem pelo menos uma triagem para hepatite B e hepatite C ao longo da vida.

Além disso, alguns grupos precisam de atenção especial, como pessoas com:

  • histórico de infecções sexualmente transmissíveis;
  • múltiplos parceiros sexuais;
  • uso de drogas injetáveis;
  • exposição ocupacional a sangue;
  • histórico de hepatite C;
  • passagem pelo sistema prisional.

A especialista reforça que qualquer pessoa que queira realizar o teste deve ter acesso ao diagnóstico, mesmo sem apresentar fatores de risco conhecidos.

Objetos pessoais podem transmitir hepatites?

Verdade. As hepatites B, C e D podem ser transmitidas pelo contato com sangue contaminado.

Por isso, objetos como:

  • alicates de unha;
  • lâminas de barbear;
  • escovas de dentes;
  • equipamentos de manicure;

não devem ser compartilhados.

Esses materiais podem conter pequenas quantidades de sangue e representar risco de transmissão.

Por outro lado, abraços, apertos de mão, beijos, compartilhamento de copos, talheres ou alimentos não transmitem hepatites B, C e D.

As hepatites A e E possuem outra forma de transmissão, geralmente relacionada ao consumo de água ou alimentos contaminados.

Vacina protege contra hepatites A e B

Outro mito frequente é que existe vacina para todos os tipos de hepatite. Atualmente, os imunizantes disponíveis protegem contra as hepatites A e B.

A vacina contra hepatite B possui alta capacidade de proteção e está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Já as hepatites C e D não possuem vacina específica. No caso da hepatite D, a prevenção ocorre principalmente pela imunização contra hepatite B, pois o vírus Delta depende da presença do vírus B para causar infecção.

Hepatites podem causar cirrose e câncer de fígado

Quando não diagnosticadas e tratadas, as hepatites B e C podem evoluir para complicações graves.

Entre os principais riscos estão:

  • cirrose hepática;
  • insuficiência do fígado;
  • carcinoma hepatocelular, um tipo de câncer de fígado.

O acompanhamento médico e o tratamento adequado reduzem significativamente os riscos de progressão da doença.

Segundo a especialista, identificar a infecção antes do desenvolvimento de lesões avançadas aumenta as chances de evitar complicações.

Principal alerta do Julho Amarelo é combater a desinformação

Para Dra. Rayra Almeida, um dos maiores desafios ainda é combater a ideia de que hepatites atingem apenas pessoas com determinados comportamentos ou que sempre apresentam sintomas.

A realidade é que qualquer pessoa pode ser infectada e muitas pessoas convivem com a doença sem saber.

Por isso, a orientação durante o Julho Amarelo é manter a vacinação atualizada, realizar testes quando indicados e procurar atendimento de saúde para avaliação.

O diagnóstico precoce permite iniciar o acompanhamento adequado e pode evitar consequências graves para o fígado.

Perguntas frequentes

Hepatite viral sempre apresenta sintomas?

Não. As hepatites B e C podem permanecer silenciosas por anos ou décadas, sem sinais aparentes.

Quem deve fazer o teste para hepatites B e C?

Todos os adultos com 18 anos ou mais devem realizar triagem pelo menos uma vez na vida. Pessoas com fatores de risco precisam de acompanhamento específico.

Existe vacina contra hepatite?

Sim. Existem vacinas contra hepatite A e hepatite B disponíveis no Brasil. Não há vacina específica contra hepatite C e hepatite D.

Hepatite pode causar câncer?

Sim. As hepatites B e C crônicas podem evoluir para cirrose e aumentar o risco de câncer de fígado quando não são diagnosticadas e tratadas.

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