Estudo revela que brasileiros passam mais tempo vivendo com problemas de saúde

Longevidade no país avança, mas o tempo médio vivido com doenças e limitações subiu para 12,5 anos, segundo pesquisa internacional publicada na The Lancet Public Health.

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O brasileiro está vivendo mais, porém uma fatia cada vez maior dessa trajetória é passada com algum problema de saúde. De acordo com um estudo publicado na revista científica The Lancet Public Health, que analisou dados de 204 países e territórios entre 1990 e 2023, o tempo médio vivido com doenças no Brasil passou de 10,4 para 12,5 anos em pouco mais de três décadas, o que representa um acréscimo de 20%. Com esses índices, o país ocupa a 16ª posição no ranking global das nações com o maior número de anos vividos em más condições de saúde.

O levantamento utilizou dados do Global Burden of Disease 2023 para calcular a chamada lacuna de morbidade, medida que revela a diferença entre a expectativa total de vida e a expectativa de vida saudável. Enquanto a expectativa de vida no Brasil gira em torno de 76 anos, conforme dados do IBGE, a pesquisa demonstra que o ganho em longevidade não veio acompanhado, na mesma proporção, de anos livres de enfermidades. A única oscilação de queda na série histórica ocorreu em 2021, durante a pandemia de Covid-19, período em que tanto a expectativa de vida quanto a de saúde recuaram juntas. A partir de 2022, a alta da lacuna de morbidade retomou ritmo acelerado, chegando a 12,5 anos em 2023.

Fatores globais e disparidades demográficas

Embora o estudo não detalhe as causas isoladas por país, o levantamento aponta que, em âmbito mundial, cinco grandes grupos respondem por 57,4% dos anos vividos com problemas de saúde: distúrbios musculoesqueléticos como dor lombar, transtornos mentais como depressão e ansiedade, doenças dos órgãos dos sentidos como a perda auditiva, lesões não intencionais como quedas, e outras doenças não transmissíveis. Entre os principais fatores de risco associados estão a glicemia de jejum elevada, o excesso de peso, a desnutrição materno-infantil e o tabagismo.

O mapeamento global indica ainda que países com maior expectativa de vida tendem a acumular mais anos com doenças crônicas não fatais devido à maior longevidade da população. No topo da lista de maiores lacunas de morbidade em 2023 figuram os Estados Unidos com 14 anos, seguidos por Austrália, Canadá e Nova Zelândia. No recorte de gênero, o estudo identificou que as mulheres vivem mais, mas passam mais tempo doentes: em 2023, a lacuna feminina no mundo alcançou 12,1 anos, em comparação com 9,3 anos entre os homens. Para os pesquisadores, os resultados reforçam a necessidade de políticas públicas focadas não apenas em reduzir a mortalidade, mas também em investir em prevenção, reabilitação e cuidados de longo prazo.

Perguntas Frequentes

Quanto tempo, em média, o brasileiro passa vivendo com algum problema de saúde?

O tempo médio subiu de 10,4 anos em 1990 para 12,5 anos em 2023, segundo os dados divulgados pela pesquisa internacional.

Qual é a posição do Brasil no ranking global de morbidade?

O país ocupa a 16ª posição entre os 204 países e territórios analisados no que tange ao número de anos vividos em más condições de saúde.

Quais são as principais causas de problemas de saúde apontadas pelo estudo em nível global?

O relatório destaca distúrbios musculoesqueléticos, transtornos mentais, problemas nos órgãos dos sentidos, lesões não intencionais e outras doenças não transmissíveis.

 

Com informações de Poliana Casemiro, g1

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