Fiocruz conclui transferência de tecnologia para produzir remédio contra HIV

Produção nacional do dolutegravir, medicamento essencial distribuído pelo SUS, depende apenas de liberação da Anvisa para abastecer o sistema público.

Fonte: Francisco Rodrigo

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Fiocruz conclui transferência de tecnologia para produzir remédio contra HIV
© Agência de Notícias da Aids/ Divulgação

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A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) finalizou o processo de transferência de tecnologia para a fabricação do dolutegravir, o principal antirretroviral utilizado no tratamento do HIV no Brasil. A nacionalização da produção é resultado de uma parceria firmada em 2020 entre o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos) e a biofarmacêutica GSK. O medicamento é um pilar do atendimento oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que atualmente atende mais de 770 mil pessoas vivendo com HIV em todo o território nacional.

Investimentos e infraestrutura

Para internalizar a produção, o Farmanguinhos realizou um extenso trabalho de modernização, que incluiu a adaptação de sua planta fabril, a aquisição de novos equipamentos e o treinamento especializado de profissionais. Desde 2022, a Fiocruz já atua na distribuição do medicamento ao SUS, tendo fornecido mais de 739 milhões de cápsulas produzidas originalmente nas unidades da GSK. A partir de 2025, o instituto assumiu também o controle de qualidade laboratorial, garantindo a segurança necessária para o início da fabricação própria.

Etapas e próximos passos

Três lotes iniciais do remédio já foram fabricados e validados internamente pelo instituto, restando apenas o trâmite final de liberação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para que a distribuição nacional seja iniciada. O acordo de transferência tecnológica prevê, ainda, uma nova etapa para o próximo ano: a produção do dolutegravir combinado com lamivudina, outro composto importante para o tratamento. Este avanço permitirá que o Brasil reduza a dependência externa e assegure o fornecimento contínuo aos pacientes.

Eficácia do tratamento

O dolutegravir é considerado o padrão-ouro pela Organização Mundial da Saúde (OMS) devido à sua eficácia em reduzir a carga viral a níveis indetectáveis, além de apresentar poucos efeitos colaterais. O medicamento funciona bloqueando a enzima integrase, o que interrompe a replicação do vírus nas células de defesa. Desde 2019, é recomendado globalmente como opção preferencial para todas as populações, incluindo gestantes, desempenhando um papel crucial na melhoria da imunidade dos pacientes e na prevenção do desenvolvimento da AIDS.

Perguntas frequentes

Por que a produção nacional do dolutegravir é importante?

A nacionalização garante maior autonomia ao SUS, assegurando o fornecimento contínuo do principal medicamento contra o HIV para mais de 770 mil brasileiros.

O que falta para o medicamento ser distribuído?

A Fiocruz aguarda apenas a liberação final da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para iniciar o fornecimento dos lotes produzidos.

Qual a próxima etapa do acordo de transferência tecnológica?

A previsão é que, no próximo ano, o Farmanguinhos inicie a produção do dolutegravir combinado com lamivudina.

Qual a recomendação da OMS sobre o dolutegravir?

A OMS o recomenda como tratamento preferencial de primeira e segunda linha para todas as populações, devido à alta eficácia e segurança clínica.

 

Com informações de Tâmara Freire – Repórter da Agência Brasil

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