Cirurgias cardíacas em pacientes com Chagas elevam risco de morte

Estudo da USP aponta que mortalidade pós-operatória é 2,4 vezes maior neste grupo; complexidade técnica e fatores não cardíacos são os principais desafios.

Fonte: Guilherme Jeronymo - Repórter da Agência Brasil - 20

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Cirurgias cardíacas em pacientes com Chagas elevam risco de morte
© Arquivo/Elza Fiúza/Agência Brasil

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  • Estudo da USP mostra que portadores de doença de Chagas têm mortalidade pós-cirurgia cardíaca de 36%, 2,4 vezes maior que outros cardiopatas.
  • A maior mortalidade é atribuída à complexidade técnica das intervenções, com necessidade de acesso à camada externa do coração em 80% dos casos.
  • Pesquisadores defendem protocolos pós-operatórios específicos e destacam subdiagnóstico da doença de Chagas, que ainda afeta cerca de 7 milhões de pessoas.

Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação do News Rondônia

Portadores de doença de Chagas que necessitam de intervenções cirúrgicas cardíacas enfrentam riscos significativamente maiores de mortalidade comparados a pacientes com outras patologias do coração. É o que revela um estudo conduzido por pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), publicado na revista The Lancet Regional Health – Americas. Segundo a pesquisa, que analisou 378 procedimentos realizados no Hospital das Clínicas entre 2011 e 2020, a mortalidade geral após a cirurgia nesse grupo atinge 36%, um índice 2,4 vezes superior ao observado em outros pacientes cardiopatas.

A investigação, que acompanhou 288 pacientes, esclarece que a maior mortalidade não é decorrente das arritmias em si, mas sim da complexidade técnica das intervenções. Em cerca de 80% dos casos de Chagas, os médicos precisam acessar a camada externa do coração para realizar a ablação procedimento que “queima” as lesões causadas pelo protozoário Trypanosoma cruzi. Em contraste, apenas 15% dos pacientes com cardiopatia isquêmica exigem o mesmo tipo de acesso. Essa dificuldade técnica aumenta a probabilidade de complicações operatórias e instabilidade clínica.

Necessidade de protocolos específicos

Rodrigo Melo Kulchetscki, um dos autores do estudo e doutorando em cardiologia, ressalta que os achados reforçam a urgência de aprimorar o cuidado direcionado a essa população, majoritariamente atendida pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “O estudo reflete que é necessário melhorar o cuidado em saúde do paciente com doença de Chagas de uma forma geral”, afirma. Os pesquisadores defendem a criação de protocolos de acompanhamento pós-operatório mais rigorosos e personalizados, dada a vulnerabilidade desses indivíduos a complicações não cardíacas.

O estudo também aponta limitações importantes, como a variação nos protocolos de acompanhamento pós-alta e as dificuldades enfrentadas por pacientes de regiões remotas, que muitas vezes encontram barreiras logísticas e socioeconômicas para a continuidade do tratamento. A doença de Chagas, uma condição crônica que pode causar danos graves ao coração e ao sistema digestivo, ainda afeta cerca de 7 milhões de pessoas no mundo. Com 30 a 40 mil novos casos anuais, especialistas alertam que o subdiagnóstico é um obstáculo crítico, já que menos de 10% dos infectados recebem o diagnóstico, geralmente apenas quando a doença já atingiu estágios mais agressivos.

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