HPV causa 7,5 mil mortes anuais no Brasil

Estudo aponta que 85% das vítimas de cânceres relacionados ao vírus são mulheres, mas alerta para a subnotificação em homens.

Fonte: Tâmara Freire - Repórter da Agência Brasil - 20

Publicado em

HPV causa 7,5 mil mortes anuais no Brasil
© Marcelo Camargo/Agência Brasil

Compartilhe esta notícia:

Nos siga no Google News
  • Estudo com dados de 2011 a 2019 aponta que cânceres associados ao HPV causam 7,5 mil óbitos e 29 mil internações anuais no Brasil.
  • HPV pode causar oito tipos de cânceres, com maior incidência de cabeça e pescoço em homens e aumento de 10,9% na mortalidade por câncer anal.
  • Ministério da Saúde atualizou diretrizes, adotando teste de DNA-HPV como padrão e mantendo a vacinação pelo SUS como principal estratégia de eliminação.

Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação do News Rondônia

Cânceres associados ao Papilomavírus Humano (HPV) são responsáveis por cerca de 7,5 mil óbitos e 29 mil hospitalizações por ano no Brasil. Dados de um estudo publicado na revista Human Vaccines & Immunotherapeutics, que analisou indicadores do Ministério da Saúde entre 2011 e 2019, revelam que a maioria desses casos poderia ser evitada por meio de vacinação e rastreamento de lesões precursoras. Embora o câncer de colo do útero concentre a maior parte das ocorrências (74,3% das hospitalizações), especialistas advertem que a percepção de que o HPV afeta apenas mulheres prejudica a prevenção em outros públicos.

O vírus tem potencial para causar oito tipos de cânceres, incluindo tumores na região anal, pênis, vagina, vulva e cabeça e pescoço. No caso específico dos cânceres de cabeça e pescoço, a incidência é quatro vezes maior em homens, grupo que, segundo o estudo, apresenta maior vulnerabilidade devido à ausência de lesões precursoras tratáveis, tornando a vacinação a única via de prevenção eficaz. Além disso, o câncer anal apresentou crescimento preocupante no período analisado, com alta de 10,9% na mortalidade.

Desafio na saúde da mulher

O levantamento aponta uma tendência preocupante no câncer do colo do útero: após uma queda nas internações até 2016, os números voltaram a subir nos anos seguintes. A doença atinge mulheres em idade produtiva, com média de idade de 47 anos, frequentemente diagnosticadas já em estágios invasivos. A diretora executiva de Pesquisa de Dados da MSD, Cintia Parellada, enfatiza que apenas 40% das brasileiras realizam o exame de Papanicolau com a periodicidade recomendada, o que retarda o início do tratamento.

Para otimizar o diagnóstico, o Ministério da Saúde atualizou as diretrizes de rastreamento. O teste de DNA-HPV oncogênico, capaz de identificar se o vírus possui potencial cancerígeno, agora é a ferramenta padrão para mulheres entre 25 e 64 anos. Com o uso desse teste, o intervalo de repetição pode chegar a cinco anos em casos negativos, permitindo um rastreamento mais organizado. A vacinação contra o HPV, disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) desde 2014, continua sendo a estratégia central para eliminar a doença em duas décadas.

NEWS QUE VOCÊ VAI QUERER LER

DESTAQUE NEWS

EMPREGOS E CONCURSOS

POLÍTICA

POLÍCIA

ÚLTIMAS NOTÍCIAS