O avanço dos casos de câncer de pele no Brasil deixou de ser um problema restrito ao Sul e Sudeste e passou a acender um alerta também na Região Norte. Rondônia aparece hoje entre os estados com maior incidência da doença, segundo dados recentes da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), rompendo um padrão histórico de concentração nos grandes centros do país.
Em uma década, o número de diagnósticos registrados no Brasil cresceu de forma expressiva, saltando de pouco mais de 4 mil casos em 2014 para mais de 72 mil em 2024. No mesmo período, a taxa nacional chegou a 34,27 casos por 100 mil habitantes, após ter atingido seu ponto mais alto no ano anterior. O dado revela um avanço contínuo da doença e maior capacidade de detecção pelo sistema de saúde.
No ranking estadual, Espírito Santo e Santa Catarina lideram com folga. Logo atrás, Rondônia chama atenção ao ocupar a terceira posição nacional, com uma taxa de 85,11 casos por 100 mil habitantes, superando diversos estados do Sul e Sudeste. O desempenho coloca o estado como um ponto fora da curva na Região Norte, tradicionalmente associada a índices mais baixos.
Especialistas atribuem esse cenário a uma combinação de fatores. A exposição solar intensa, o envelhecimento da população e mudanças no perfil demográfico ajudam a explicar o crescimento dos casos. Em Rondônia, o trabalho ao ar livre, comum em atividades rurais e urbanas, pode contribuir para o aumento do risco, aliado à ampliação do acesso a exames e diagnósticos.
A SBD avalia que, em estados historicamente marcados por subnotificação, a elevação dos números pode indicar avanço na vigilância epidemiológica, embora o desafio persista, sobretudo em áreas remotas.








































