REDEFINIÇÃO
A filiação de Hildon Chaves ao União Brasil, sacramentada em Brasília com a anuência de Maurício Carvalho, reorganiza o tabuleiro eleitoral em Rondônia com mais pragmatismo do que novidade. Hildon nunca deixou de ser lembrado como opção ao governo. O que lhe faltava era abrigo partidário competitivo, algo que o PSDB já não conseguia oferecer há algum tempo.
VIABILIDADE
A recomposição com o grupo dos Carvalho não chega a surpreender. Na política local, divergências costumam ter prazo de validade curto quando o calendário eleitoral se aproxima. O movimento devolve a Hildon musculatura política e acesso a uma estrutura que pode viabilizar, de fato, sua pré-candidatura dentro da federação entre União Brasil e Progressistas.
IDENTIDADE
Bem avaliado ao deixar a prefeitura de Porto Velho, Hildon parte agora para uma etapa mais complexa. Precisa transformar capital político da capital em capilaridade no interior. Não é tarefa trivial em um estado onde o voto ainda tem forte identidade regional e onde lideranças locais operam com autonomia considerável. Ter tempo fora do cargo pode ajudar, desde que seja convertido em presença real e não apenas em agenda protocolar.
JOGADA
A escolha deputado estadual Cirone Deiró como vice revela uma tentativa de avançar sobre esse território. Ligado a Cacoal, Cirone entra na chapa como ponte política, ainda que isso o coloque em rota de colisão indireta com Adailton Fúria, pré-candidato ao governo pelo PSD. A geografia eleitoral, ao que parece, já começa a impor seus paradoxos. Mas é uma jogada de mestre, convenhamos, caso o parlamentar confirme na convenção.
PULVERIZAÇÃO
O cenário mais provável aponta para uma disputa fragmentada, com múltiplos candidatos tentando ocupar o mesmo espaço de centro-direita. Nesse ambiente, Hildon tem vantagens claras. Carrega uma gestão recente bem avaliada e agora conta com uma estrutura partidária mais robusta. Em contrapartida, enfrenta o desafio clássico de quem sai da capital. Precisa convencer o eleitor do interior de que conhece suas demandas para além dos discursos.
EQUILÍBRIO
Há também um componente silencioso nessa equação. Ao se reaproximar dos Carvalho, Hildon ganha apoio política partidária que lhe faltava, mas também passa a dividir protagonismo com um grupo que tem seus próprios interesses e prioridades. A aliança resolve o problema da viabilidade, mas cria a necessidade de equilíbrio interno.
PÉ NA ESTRADA
No fim, a pré-candidatura de Hildon deixa de ser uma possibilidade difusa e passa a ocupar espaço concreto na disputa. Resta saber se conseguirá fazer o movimento mais difícil da política rondoniense. Sair do eixo Porto Velho e ser competitivo onde eleições costumam ser decididas. Porque, como se sabe, eleição no estado não se ganha apenas com lembrança de nome. É preciso estrada, base e, sobretudo, disposição para ouvir o que o interior tem a dizer.
ENTERRO
A filiação de Hildon Chaves ao União Brasil não apenas redesenha o cenário eleitoral de 2026 em Rondônia. Ela enterra, sem cerimônia e com chancela de Brasília, a pretensão do vice-governador Sérgio Gonçalves de disputar o Palácio Rio Madeira.
FIM DA LINHA
O movimento veio com o aval de Antonio Rueda, o que na prática elimina qualquer margem para contestação interna. Quando a direção nacional define o rumo, lideranças regionais costumam apenas se adequar.
LIMITAÇÃO
Sérgio preferiu ignorar o óbvio. Apostou que poderia se descolar do próprio padrinho político, Marcos Rocha, sem custo. O cálculo falhou de forma elementar.
A tentativa de construção de um projeto próprio revelou mais improviso do que estratégia. Faltou leitura de cenário, sobrou confiança desproporcional ao capital político disponível.
PROJETO
Com a ruptura, produziu um efeito colateral relevante. Ao tensionar o governo e desorganizar a base, Sérgio também contribuiu para inviabilizar a construção da candidatura de Marcos Rocha ao Senado, projeto que dependia de coesão mínima dentro do grupo.
ISOLADO
O desfecho foi previsível. Enquanto Hildon surge com respaldo partidário, estrutura consolidada e tempo para percorrer o interior, Sérgio se mantém isolado, sustentando um discurso que já não encontra eco nem dentro do próprio partido.
AVISAMOS
A coluna havia antecipado esse enredo. Ao tensionar a relação com Rocha, o vice abriu mão da principal base de sustentação que possuía. Em política, esse tipo de movimento exige força real, não suposição.
NANICO
A família Carvalho, com influência decisiva no União Brasil em Rondônia, também se posicionou. E a escolha não contemplou o vice-governador. A pré-candidatura de Sérgio Gonçalves pelo União Brasil, na prática, acabou. Sem legenda viável no partido, restará a ele buscar abrigo em uma sigla nanica, dessas que orbitam gabinetes em Brasília em troca de sobrevivência política.
INSISTENTE
Seria, no máximo, uma saída honrosa para manter o discurso de pré-candidato. Porque, do ponto de vista eleitoral, as chances de vitória se aproximam de zero.
Ainda assim, ele insiste em manter presença nas redes sociais, como se a repetição de intenção pudesse substituir viabilidade política. Não substitui.
NEGACIONISTA
Há uma diferença clara entre resistência e negação da realidade. O vice parece operar na segunda hipótese. No fim, o episódio reforça uma máxima conhecida. Rupturas políticas mal calculadas costumam cobrar um preço alto. Neste caso, a fatura chegou mais cedo do que o esperado.
ABATE
A pré-candidatura de Sérgio Gonçalves não foi derrotada no voto. Foi inviabilizada nos bastidores, onde de fato se definem as candidaturas competitivas. Enquanto isso, Hildon Chaves avança com respaldo formal e caminho aberto dentro do partido, consolidando-se como o nome prioritário do União Brasil para a disputa estadual.
FENIX
Com Hildon na cabeça chapa governamental renasce nesta toada uma chace real para uma candidatura de Mariana Carvalho ao Senado – algo que meses atrás era inviável. Visto que deverá ocorrer mudanças substanciais na disputa senatorial com desistências pelo caminho, ao compor a chapa majoritária do UB Mariana Carvalho começa a dar sinais de fênix. “Política é como nuvem”, diria Magalhães Pinto.
364
A nova engenharia da arrecadação rodoviária em Rondônia parece ter sido escrita não por engenheiros, mas por contadores com faro aguçado. A BR-364, eixo vital do Estado, virou laboratório de um modelo que promete modernidade, mas entrega uma conta salgada com verniz tecnológico: o tal do pedágio por free flow. Sem cancela, sem fila, sem frentista. E, ao que tudo indica, sem compromisso local.
ENRIQUECENDO
A concessionária entra com o discurso da fluidez e sai com a previsibilidade de receitas robustas. O motorista, por sua vez, entra com o carro e sai com mais um débito invisível. Invisível também é o emprego que não se cria. Sem praça física, não há trabalhadores, não há renda circulando, não há impacto econômico direto. É o pedágio em modo silencioso, eficiente sobretudo para quem cobra.
MIRAGEM
Vende-se a ideia de modernização, mas pratica-se uma espécie de terceirização do ônus. A duplicação, promessa clássica em contratos do gênero, vira uma miragem convenientemente distante. O investimento, quando aparece, vem parcelado, condicionado, diluído no tempo. Já a cobrança, essa não perde prazo.
DEBOCHE
No mapa, a linha é precisa. Na vida real, ela corta cidades. Em Vilhena, onde a BR-364 atravessa o cotidiano como uma avenida ampliada, a lógica beira o deboche. O trecho concedido termina poucos quilômetros antes do perímetro urbano, na altura do acesso a Colorado do Oeste. Formalmente, a concessionária não pisa na cidade. Na prática, captura o bolso de quem vive nela.
USURPANDO
O resultado é uma curiosa inovação: paga-se por um serviço que não se materializa no território imediato. Nenhum centavo carimbado para o município, nenhuma compensação visível, nenhum retorno que se possa apontar sem esforço retórico. O contribuinte local vira usuário cativo de uma estrutura que o ignora geograficamente, mas o reconhece financeiramente.
MARKETING
Defensores dirão que é o preço do progresso. Críticos, que é o progresso de poucos. O modelo free flow elimina barreiras físicas, mas ergue outras, menos visíveis e mais eficazes: as da assimetria contratual. A empresa reduz custos operacionais, maximiza arrecadação e terceiriza a narrativa para o marketing da eficiência.
LIVRE
No fim, a BR-364 segue sendo o que sempre foi: vital, estratégica e, agora, ainda mais lucrativa. Não necessariamente para Rondônia. O pedágio corre livre, como manda o figurino. Livre, sobretudo, de dar explicações.
DEMISSÃO
O governador Marcos Rocha demorou, mas acertou, em exonerar o Secretário de Estado da Saúde Coronel Jefferson. O que fica no imaginário estadual é que foi a gestão mais ruim de todas que já passaram pelo órgão e com pendências ainda a serem explicadas. O novo chefe da pasta deve abrir o olho e fazer uma limpeza nos postos chaves antes que comece a ser questionado ou taxado de ineficiente, como era o antecessor. Além de atender a imprensa para prestar esclarecimentos – ao que parece é refratário a jornalista tanto quanto Jefferson.








































