SÁBADO, 14/03/2026

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RESENHA POLÍTICA – Expedito Júnior e Marcos Rocha: articulação política em Rondônia

A filiação de Marcos Rocha ao PSD reforça a influência de Expedito Júnior, mostrando a capacidade de articulação e apostas estratégicas que moldam a política estadual.

Por Robson Oliveira - 50

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RESENHA POLÍTICA – Expedito Júnior e Marcos Rocha: articulação política em Rondônia
JOGADA

Ao filiar o governador Marcos Rocha ao PSD e, mais do que isso, abrir mão da direção regional do partido, Expedito Júnior realizou um movimento raro na política: abriu mão do poder formal para ampliar influência real. A operação escancarou sua principal virtude — uma capacidade incomum de articulação, leitura de cenário e construção de alianças em terrenos movediços.

RESILIENTE

Derrotado em três disputas pelo governo de Rondônia, inclusive para Marcos Rocha,  Expedito Júnior jamais foi riscado do jogo, apesar das profecias apressadas de alguns avexados. Ao lado do senador Confúcio Moura, é o político mais longevo do estado, sobrevivendo a ciclos eleitorais graças à habilidade de se reinventar e de renascer das cinzas a cada eleição estadual.

APOSTAS

Poucos políticos rondonienses acertaram tanto em apostas consideradas improváveis. Ivo Cassol e Hildon Chaves, por exemplo, hoje são personagens centrais da política estadual, foram escolhas de Expedito quando quase todos torciam o nariz para as chances eleitorais. Descobrir talentos e lançá-los em campanhas inimagináveis sempre foi uma de suas marcas mais consistentes. Mais calejado e bem menos voluntarista opera a política mais por vocação do que por ambição.

CHANCE

Há uma percepção equivocada de que Expedito abandona aliados pelo meio do caminho; na prática, foram muitos os ex-aliados que se voltaram contra ele — e nem isso foi suficiente, ao longo do tempo, para eliminá-lo eleitoralmente. Não é santo, mas está longe de ser demônio. Há razões políticas de sobra para criticá-lo, mas subestimá-lo é um erro recorrente. Pré-candidato a deputado federal, se souber usar suas habilidades de bastidores a favor próprio, pode voltar a ficar de bem com as urnas e sonhar na maturidade com os projetos quando jovem. O que não pode é cometer erros do passado imperdoáveis no presente.

VENTRÍLOQUO

O grupo que começa a se consolidar em torno da candidatura de Adaílton Fúria (PSD) ao Governo de Rondônia — agora reforçado pela filiação do governador Marcos Rocha — já passa pelo previsível bombardeio pré-eleitoral. Nada fora do script. Em períodos assim, a artilharia dispara antes mesmo de o palanque ser montado. Entre os alvos preferenciais está Expedito Junior que, mesmo sem mandato há mais de duas décadas, continua provocando reações desproporcionais. Não exatamente pelo tamanho formal de seu espaço institucional, mas pela reconhecida habilidade de articulação política e pela capacidade de costurar alianças onde muitos só enxergam rivalidades.

FANTOCHA

O roteiro não é novo. Foi assim na eleição de Hildon Chaves, quando adversários previam que o então candidato seria um mero fantoche de Expedito. O tempo tratou de desmontar a caricatura. Agora, por figurar como um dos principais articuladores da pré-candidatura de Fúria, as mesmas ladainhas reaparecem nas redes sociais, requentadas como argumento de ocasião. A história política de Rondônia não registra candidato ingênuo que tenha vencido eleição majoritária para aceitar o papel de marionete. Tampouco há registro de ventríloquo capaz de sustentar mandato alheio sem que o titular tenha vontade própria. Na política real — não na ficção das redes — cada eleito governa com o peso das próprias escolhas.Parte superior do formulárioParte inferior do formulário
 
PODCAST

Nesta terça-feira, após um ano ininterrupto no ar, o podcast Resenha Política completa seu primeiro aniversário, alcançando uma audiência sólida e qualificada — o que nos impõe a responsabilidade de entregar entrevistas consistentes e informações exclusivas. Para marcar a data, entrevistamos o governador Marcos Rocha (PSD), em uma conversa que certamente repercutirá no cenário político estadual.

PAPO

Em um papo franco, sem rodeios, Marcos Rocha abriu o jogo: fez previsões, enfrentou perguntas ásperas, confirmou que sua permanência no governo não é blefe e anunciou que pretende atuar diretamente na eleição do futuro governador, além de trabalhar para formar uma bancada robusta de deputados federais e estaduais. A entrevista, com mais de uma hora de duração, precisou ser dividida em duas partes para atender aos veículos radiofônicos e televisivos que também veiculam o programa.

DESGASTE

Embora o governador destaque ações que, segundo ele, ampliaram e melhoraram o atendimento na saúde pública estadual, a situação na capital continua alvo de críticas contundentes, sobretudo quanto à falta de atendimento humanizado no Hospital João Paulo II. Soma-se a isso a promessa, feita na campanha e reiterada na reeleição, de construção de um novo Pronto-Socorro — frustrada após a escolha de uma empresa que não reunia condições mínimas para executar a obra. O desgaste é evidente. Um novo hospital poderia minimizar os danos políticos acumulados e aliviar uma gestão marcada por decisões administrativas controversas e por uma condução mais afeita ao “choque” de gestão do que à sensibilidade exigida na área da saúde.

OPÇÃO

Sobre a filiação ao PSD de Rondônia, com o aval de Gilberto Kassab, Marcos Rocha afirmou que, por diversas vezes, recebeu garantias do presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, de que assumiria o diretório regional da legenda. O tempo passou, e a promessa não se concretizou. Quando veio o convite do PSD, trouxe também a garantia de comando estadual do partido e autonomia para organizar o grupo político sob sua liderança. Segundo Rocha, essa foi a razão determinante da mudança. No dia da filiação, Rueda ainda teria tentado demovê-lo, reiterando a promessa, mas já era tarde. Quanto ao PL, lembrou que o partido tem liderança consolidada sob Marcos Rogério, seu adversário na última disputa, com quem mantém relação política distante. A alternativa foi migrar com seu grupo para o PSD.

ADESÕES

Rocha revelou ter informado a Kassab que projeta repetir o desempenho das eleições proporcionais de 2022, quando conseguiu eleger seis dos oito deputados federais de Rondônia alinhados ao seu projeto. Antecipou que o deputado federal Thiago Flores deverá acompanhá-lo no PSD, tão logo se abra a “janela partidária”. Outros parlamentares e um número considerável de prefeitos também demonstrariam interesse em aderir. Todos, segundo o governador, estarão empenhados em eleger boas bancadas e apoiar Fúria como seu sucessor. A meta é ambiciosa: fazer nas eleições “barba, cabelo e bigode”. Há quem duvide e aposte que o projeto pode desidratar no percurso. O tempo, como sempre, será o juiz final. Vale a pena conferir a entrevista completa no Resenha Política.Parte superior do formulário
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MÁGOA

Chamou atenção o fato de o governador Marcos Rocha praticamente ignorar o vice-governador Sérgio Gonçalves ao longo de toda a entrevista. Nenhuma menção direta, nenhum gesto de reconhecimento político — silêncio absoluto. Apenas ao final da conversa, ao rememorar os bastidores da última eleição, Rocha voltou ao episódio que classificou como “traição”, revelando a mágoa que, segundo ele, o impediu de disputar uma vaga considerada promissora ao Senado. A referência, ainda que sem citar nomes, teve endereço certo. Em política, às vezes, o que não se diz fala mais alto do que qualquer declaração explícita. São relações azedadas que dificilmente voltarão ao que era antes.

Embora seja um legislador diligente e fortemente ancorado em sua influência religiosa, o deputado estadual Delegado Camargo (PODEMOS) exagera na retórica ao se insurgir contra o projeto do Executivo que regulamenta a loteria estadual. A cruzada moral soa desproporcional diante de um fato elementar: são raríssimos os fiéis que nunca fizeram uma “fezinha” numa aposta da loteria federal. A oposição do parlamentar à regulamentação não passa de uma pantomima cuidadosamente encenada para fidelizar o eleitorado conservador — ainda que, nesse mesmo campo, quase todos conheçam o caminho da casa lotérica. Atire a primeira pedra quem jamais preencheu um volante, sobretudo nas viradas de ano, quando a Mega-Sena engorda cofres, paralisa o país e transforma a esperança em espetáculo televisionado. Demonizar a loteria estadual enquanto o brasileiro consome a federal com fervor beira a hipocrisia seletiva. O Governo de Rondônia não deve recuar por conta de indignações performáticas, ainda que elas vistam o manto da fé.

FATO

Eis que ocorreu exatamente o que esta coluna previu: a empresa responsável pelo recolhimento do lixo da capital não conseguiu cumpri com o contrato e pediu para se retirar. Era previsível – somente setores vesgos não viam – porque é um serviço que exige expertise e capacidade técnica. Nenhuma outra empresa do ramo, exceto a que vinha recolhendo os resíduos sólidos da capital, possui as condições que o município necessita. Isto é fato. Insistir no contrário é procrastinar a pendenga.

CAOS

Antes mesmo do contrato principal — vencido pela empresa Marquise, reconhecida pela solidez e competência técnica — entrar em vigor, a atual concessionária, agora dispensada, venceu um contrato emergencial, firmado sob o argumento da judicialização do certame regular. O que deveria ser uma solução temporária transformou-se rapidamente em um problema estrutural, abrindo caminho para o caos que hoje se impõe à cidade.

EQUÍVOCOS

A empresa de coleta de lixo de Porto Velho protagonizou um verdadeiro espetáculo para vencer o contrato: barulho, promessas grandiloquentes e discurso de eficiência. Bastou assumir para revelar completa incapacidade operacional. O serviço simplesmente não funciona. As ruas estão sujas, o lixo se acumula e a cidade paga o preço de uma escolha mal feita. Há mais de dez anos Porto Velho não enfrentava um colapso tão grave na coleta de resíduos sólidos. O que se vê hoje é o retrato fiel de decisões administrativas temerárias e de um processo licitatório que privilegiou o discurso, não a competência.

VÁCUO

Para agravar o desastre, decisões contraditórias da Justiça e exigências desproporcionais do órgão fiscalizador desmontaram a única estrutura que efetivamente dava conta do serviço. A empresa que recolhia o lixo com regularidade, zelo e capacidade técnica foi alijada do contrato em meio a um conflito judicial mal conduzido e politicamente mal resolvido. Criou-se um vácuo operacional absurdo. A disputa virou um jogo burocrático, distante da realidade das ruas, enquanto a cidade afunda no lixo. Fiscalizar é necessário; inviabilizar um serviço essencial, não.

ERROS

A resposta da municipalidade é previsível e ruim em razão da legislação: chamar outra empresa às pressas para “tapar o buraco”, como se coleta de lixo fosse serviço improvisável. O resultado já está escrito. Em pouco tempo ficará evidente que a nova convocada também não tem estrutura, pessoal nem expertise para atender Porto Velho. Às vésperas do carnaval, caminha-se para um caos sanitário anunciado. No fim das contas, quem paga essa conta não são os gabinetes, nem os autos do processo, mas a população — refém de brigas de bastidores, vaidades institucionais e de uma sucessão de erros que transformaram um problema administrativo em uma crise urbana de grandes proporções.

RISCOS

A BR-364, espinha dorsal de Rondônia, virou sinônimo de tarifa alta e contrapartida baixa e o discurso da modernização e da eficiência privada esbarra na realidade de pistas esburacadas, sinalização precária e congestionamentos nos trechos urbanos, além de registros de mortes. Pior: cobra-se antecipadamente por obras que ainda não saíram do papel, o que revela evidente abuso contratual. Na prática, a concessionária investe — em tese — com caixa formado a partir da arrecadação das próprias tarifas, ou seja, com dinheiro dos rondonienses. Onde estão os investimentos com recursos próprios da empresa que serviram de argumento para justificar a privatização? Se o risco é privado, o capital também deveria ser.

JUSTIÇA

A decisão da Justiça Federal que suspendeu a cobrança do pedágio foi um freio necessário diante de indícios de descumprimento contratual e questionamentos legítimos sobre o valor das tarifas. Foi um gesto que ecoou o sentimento coletivo de injustiça. Contudo, é fundamental que essa suspensão seja confirmada em definitivo ou que resulte na revisão concreta dos valores cobrados. Não basta interromper temporariamente; é preciso reavaliar a modelagem do contrato para que as tarifas caiam e reflitam a realidade econômica do estado. Justiça não é apenas suspender — é corrigir distorções de forma permanente e garantir que o usuário não pague por um serviço que ainda não recebeu.

ACIDENTES

A concessão foi vendida como solução para os gargalos históricos da BR-364, com promessas de duplicação célere nos trechos mais críticos. O que se vê, porém, é morosidade nas obras e um número preocupante de acidentes, muitos deles fatais. Cada atraso na duplicação representa risco concreto para quem depende da rodovia diariamente. Rondônia não pode aceitar que metas contratuais virem peças publicitárias enquanto vidas são perdidas no asfalto estreito. Investimento prometido precisa sair do papel com urgência. A duplicação não é luxo — é questão de segurança, responsabilidade contratual e respeito à população que sustenta, com seu próprio dinheiro, a concessão.
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