Trump diz acompanhar eleição brasileira sem declarar apoio

Presidente dos EUA afirmou que acompanha o pleito brasileiro “muito de perto”, mas não citou candidatos nem declarou apoio a nenhum concorrente.

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Trump diz acompanhar eleição brasileira sem declarar apoio
© Reuters/Toby Melville/proibida reprodução

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (1º) que acompanha “muito de perto” as eleições brasileiras de 2026, cujo primeiro turno será realizado no domingo (4). A declaração ocorreu na saída da Casa Branca, antes de uma viagem presidencial ao Texas.

Ao responder a uma jornalista, Trump classificou o Brasil como um país importante e destacou a relevância da eleição. O presidente norte-americano, porém, não mencionou candidatos nem declarou apoio a nenhum concorrente na disputa brasileira.

Fala ocorre em momento de tensão entre Brasil e EUA

A declaração acontece em um período de atritos diplomáticos entre Brasília e Washington. Nos últimos meses, os dois governos divergiram sobre medidas comerciais, questões diplomáticas e temas relacionados ao processo eleitoral brasileiro.

A proximidade das eleições também ampliou a atenção das autoridades brasileiras para possíveis tentativas de influência estrangeira.

Segundo reportagem da Agência Brasil publicada em setembro, um relatório reservado da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), encaminhado à Presidência da República, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Ministério da Justiça, apontou risco de influência ou interferência dos Estados Unidos no processo eleitoral. A avaliação foi apresentada como um risco, e não como comprovação de que uma interferência tenha ocorrido.

Em documento público sobre os desafios de inteligência para 2026, a Abin também incluiu a interferência externa entre as ameaças que exigem atenção durante as eleições, ao lado de desinformação, uso de inteligência artificial e atuação do crime organizado. Nesse documento público, o alerta sobre interferência estrangeira é apresentado de forma geral.

Brasil negou vistos a funcionários dos EUA

Outro episódio ocorreu em julho, quando o governo brasileiro negou vistos ao subsecretário do Departamento de Estado para Democracia, Direitos Humanos e Trabalho, Riley Barnes, e ao subsecretário adjunto Samuel Samson.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores, os dois pretendiam conversar com autoridades eleitorais brasileiras sobre liberdade de expressão durante o período eleitoral. O governo brasileiro considerou que a visita, naquele contexto, poderia representar uma instrumentalização política do tema das urnas eletrônicas.

Houve, entretanto, divergência sobre o objetivo da missão. Conforme reportagem da Agência Brasil, o Departamento de Estado norte-americano negou que os representantes tivessem como finalidade monitorar as urnas eletrônicas brasileiras.

Observadores internacionais acompanham as eleições

A presença de observadores estrangeiros nas eleições brasileiras também ocorre por meio de missões formalmente convidadas para acompanhar o processo.

Mais de 140 representantes de sete organizações internacionais chegaram ao Brasil para observar a preparação, a votação e a apuração. Entre as instituições estão a Organização dos Estados Americanos (OEA), a União Europeia, o Parlamento do Mercosul e outras entidades internacionais.

As missões de observação têm como objetivo analisar aspectos como integridade do processo, organização da votação e cumprimento das normas eleitorais.

A declaração feita por Trump nesta quinta-feira, portanto, limita-se à afirmação de que acompanha as eleições brasileiras. Até a publicação desta matéria, a fala divulgada não incluiu indicação de apoio a qualquer candidatura no Brasil.

FAQ

Trump declarou apoio a algum candidato no Brasil?

Não na declaração desta quinta-feira (1º). O presidente dos Estados Unidos afirmou que acompanha a eleição brasileira, mas não citou candidatos nem manifestou apoio a um concorrente.

Quando será o primeiro turno das Eleições 2026?

O primeiro turno será realizado neste domingo, 4 de outubro. A votação definirá representantes para presidente, governos estaduais, Senado, Câmara dos Deputados e assembleias legislativas.

Há comprovação de interferência dos EUA nas eleições?

As fontes consultadas tratam de avaliações de risco e preocupações de autoridades brasileiras. O relatório citado pela Agência Brasil apontou possibilidade de influência ou interferência; isso não equivale, por si só, à comprovação de que uma interferência tenha ocorrido.

com informações de Pedro Rafael Vilela – Repórter da Agência Brasil

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