IBGE revela que taxa de analfabetismo entre jovens com deficiência é doze vezes maior que a de pessoas sem deficiência

Levantamento divulgado nesta sexta-feira aponta disparidades educacionais, frequência escolar inferior e avanço expressivo de matrículas no ensino superior a distância.

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IBGE revela que taxa de analfabetismo entre jovens com deficiência é doze vezes maior que a de pessoas sem deficiência
© Paulo Pinto/Agência Brasil

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A taxa de analfabetismo entre as pessoas com deficiência de quinze a vinte e nove anos atingiu 12,2% em 2022, índice doze vezes superior ao registrado entre a população sem deficiência na mesma faixa etária, que ficou em 1%. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, com base nos resultados do Censo Demográfico. A pesquisadora do órgão Luanda Botelho destacou que a desigualdade não se resume à questão geracional, persistindo mesmo quando o recorte etário prioriza os jovens.

O levantamento detalha que o analfabetismo atinge patamares mais elevados entre aqueles que possuem dificuldades associadas às funções mentais, alcançando 40,4%, e entre os indivíduos com mais de um tipo de deficiência, com 34%. Mesmo no segmento com menor taxa de analfabetismo do grupo, representado pelas pessoas com alguma dificuldade de enxergar, o percentual de 3,5% é mais do que o triplo do observado entre os cidadãos sem deficiência. As demais proporções chegam a 10% entre quem tem dificuldade de ouvir, 23,3% entre os que apresentam restrições para caminhar ou subir escadas, e 31,3% entre aqueles com dificuldades para pegar objetos pequenos.

Frequência escolar e infraestrutura de acessibilidade

A frequência escolar também reflete barreiras para esse público. Entre as crianças de seis a quatorze anos, a taxa de frequência escolar de pessoas com deficiência foi de 92,6%, enquanto na faixa de quinze a dezessete anos o índice caiu para 79,5%. Os números ficam abaixo dos registrados entre pessoas sem deficiência, que alcançaram 98,4% e 85,4% nas respectivas faixas etárias. No subgrupo com deficiência profunda, a exclusão escolar se acentua, registrando 82,3% de frequência para crianças e 65,6% para jovens.

No que tange à infraestrutura das instituições de ensino, dados do Censo Escolar apontam que as escolas com banheiros acessíveis somavam 57% do total, enquanto aquelas equipadas com salas de recursos multifuncionais representavam 30%, e as com profissionais de apoio atingiam 26,2%. A rede privada destacou-se na oferta de banheiros acessíveis, com 64,4% contra 54,8% da rede pública. Por sua vez, a rede pública superou a privada na disponibilização de profissionais de apoio, registrando 32,8% frente a 4,6%, além de contar com maior proporção de salas de recursos multifuncionais.

Crescimento no ensino superior

Apesar dos desafios na educação básica, a presença de pessoas com deficiência em cursos de graduação no ensino superior quase triplicou entre 2014 e 2024, saltando de 33.377 para 95.572 alunos matriculados. Com isso, a participação desses estudantes passou de 0,43% para 0,93% do total de acadêmicos no país. O avanço foi impulsionado sobretudo pela modalidade de ensino a distância, que registrou um salto superior a seis vezes no período, superando o ritmo de crescimento das matrículas presenciais.

Perguntas Frequentes (FAQ)

Qual foi a taxa de analfabetismo entre jovens com deficiência em 2022?
O índice alcançou 12,2% na faixa etária de quinze a vinte e nove anos, representando uma taxa doze vezes maior que a registrada entre pessoas sem deficiência.

Quais grupos de deficiência apresentam os maiores índices de analfabetismo?
O analfabetismo é mais expressivo entre pessoas com dificuldades associadas às funções mentais, com 40,4%, e entre aqueles com mais de um tipo de deficiência, com 34%.

Como evoluiu a presença de estudantes com deficiência no ensino superior?
O número de matrículas quase triplicou entre 2014 e 2024, passando de 33.377 para 95.572 alunos, com forte impulso dos cursos na modalidade a distância.

 

Com informações de Vitor Abdala – Repórter da Agência Brasil

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