Pesquisa aponta que mais de 20% dos estudantes do ensino fundamental e médio já fizeram apostas online nas bets

Frente Parlamentar Mista da Educação revela levantamento alarmante sobre o avanço das apostas virtuais entre menores de idade no Brasil, com início precoce aos onze anos.

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Pesquisa aponta que mais de 20% dos estudantes do ensino fundamental e médio já fizeram apostas online nas bets
© REUTERS/Alexandre Meneghini/Proibida reprodução

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Um levantamento divulgado nesta quarta-feira, dia 9 de setembro de 2026, pela Frente Parlamentar Mista da Educação em parceria com a iniciativa Equidade.info revelou que 20% e 4% dos alunos matriculados nos anos finais do ensino fundamental e do ensino médio já realizaram apostas online em plataformas de apostas, conhecidas popularmente como bets. A proporção atinge níveis ainda mais preocupantes ao alcançar quase metade dos pesquisados, correspondendo a 49% e 7% dos estudantes matriculados no terceiro ano do ensino médio. A pesquisa ouviu presencialmente 1 mil 912 estudantes distribuídos em 191 escolas de todas as regiões do país durante os meses de agosto e setembro.

Um dos dados de maior impacto trazidos pela investigação científica é que o envolvimento com as apostas virtuais começa muito cedo, por volta dos 11 anos de idade, faixa etária em que pelo menos 9% e 5% dos estudantes entrevistados afirmaram já ter feito algum tipo de aposta. Embora a legislação brasileira proíba estritamente que menores de idade tenham acesso a esse tipo de plataforma digital, o estudo demonstra que os meninos apostam com muito mais frequência, registrando 27% e 8% de adesão contra 12% e 6% entre as meninas. No ensino médio, o índice entre os rapazes chega a 41% e 7%, superando o dobro do patamar observado entre os alunos do ensino fundamental II.

Desafios e caminhos regulatórios

Durante a apresentação dos dados, o coordenador da pesquisa, Guilherme Lichand, ressaltou que soluções centradas exclusivamente em mudanças de comportamento individual dos usuários mostram-se insuficientes para conter o avanço do problema. Segundo o especialista, há uma tendência recorrente de culpar os apostadores, enquanto ferramentas como lembretes de perdas passadas sugeridos pelas empresas falham em proteger os consumidores. Para os organizadores, medidas mais drásticas e estruturais são indispensáveis para resguardar a juventude brasileira.

O estudo aponta ainda que a educação financeira escolar não tem sido suficiente para prevenir a exposição ao vício, visto que alunos com maior letramento financeiro apresentam, paradoxalmente, maior probabilidade de apostar. As estimativas financeiras da pesquisa indicam que as perdas agregadas podem ultrapassar a marca de 1 bilhão de reais apenas entre o público estudantil pesquisado. Diante disso, o relatório recomenda a proibição severa de campanhas publicitárias, a implementação de tributações rigorosas sobre os valores transacionados e o reforço na proteção legal voltada especificamente aos menores de 18 anos.

Perguntas frequentes

Qual foi o percentual geral de estudantes que afirmaram já ter feito apostas online?
O levantamento apontou que 20% e 4% dos alunos do ensino fundamental II e médio já apostaram.

Com qual idade média o contato inicial com as apostas costuma ocorrer?
A pesquisa identificou que as práticas começam precocemente aos 11 anos de idade.

Qual é a proporção de alunos do terceiro ano do ensino médio envolvidos nas bets?
O índice chega a quase metade dos pesquisados, totalizando 49% e 7%.

Quais foram os principais encaminhamentos sugeridos pelos pesquisadores?
O estudo recomenda tributação elevada, proibição de publicidade e restrições severas para menores.

Onde foram realizadas as entrevistas metodológicas que compuseram o estudo?
A escuta envolveu 1 mil 912 estudantes em 191 escolas de todo o país.

 

Com informações de Luiz Claudio Ferreira – Repórter da Agência Brasil

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