RESENHA POLITICA – Cenário eleitoral em Rondônia e articulações políticas marcam a corrida rumo às urnas

Coluna analisa os movimentos estratégicos de Confúcio Moura, os desafios da chapa de Marcos Rogério, o impacto da convenção do Partido Liberal, o acordo firmado pelo Ministério Público Federal e os desdobramentos da decisão do Partido dos Trabalhadores na disputa estadual.

Fonte: Robson Oliveira

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RESENHA POLITICA – Cenário eleitoral em Rondônia e articulações políticas marcam a corrida rumo às urnas

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  • O senador Confúcio Moura antecipou sua campanha à reeleição, consolidou apoio da esquerda e centro-esquerda, mas enfrenta forte desgaste local relacionado às unidades de conservação criadas no fim de seu governo.
  • A convenção do PL em Rondônia mostrou estrutura política organizada em torno de Marcos Rogério, que ainda precisa reduzir sua rejeição e dialogar além do eleitorado já convencido para ser competitivo em eventual segundo turno.
  • A direção nacional do PT decidiu priorizar a reeleição de Confúcio Moura ao Senado, levando Luciana Oliveira a retirar sua pré-candidatura, declarar lealdade ao partido e reforçar a campanha de Lula e do campo governista em Rondônia.

Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação do News Rondônia

MATREIRO

Quem apostou que Confúcio Moura pisaria no freio depois de tantos anos de vida pública errou o diagnóstico a exemplo desta coluna. O senador colocou a candidatura à reeleição na rua antes mesmo de muitos adversários organizarem o próprio discurso. Fez o movimento clássico de quem conhece o tabuleiro: limpou o campo da esquerda, consolidou o apoio do centro-esquerda e segue amparado por uma militância disciplinada, que faz barulho, ocupa espaços e costuma seguir a orientação das direções nacionais alinhadas ao presidente Lula.

CARRASCO

Quem conhece Confúcio sabe que ele raramente revela o jogo inteiro. Fala por parábolas, cultiva a imagem de serenidade e transmite a calma de um monge tibetano. Mas, na política, o cajado é instrumento de combate. Nunca foi homem de desperdiçar oportunidade para neutralizar adversários e tampouco costuma demonstrar piedade quando alguém atravessa seu caminho.

EFEITO

Há, porém, um equívoco estratégico cometido por seus concorrentes. Transformar Lula no centro dos ataques contra Confúcio pode produzir exatamente o efeito contrário. O senador jamais escondeu sua relação com o presidente e a defende publicamente.

ATIVO

Em um estado majoritariamente conservador, isso parece um alvo óbvio. Mas eleição não se vence apenas com maioria absoluta; vence-se reunindo a parcela necessária do eleitorado. Se Confúcio conseguir colar sua campanha à estrutura nacional do lulismo e mobilizar esse contingente, terá um ativo eleitoral, não um passivo. Atacá-lo por isso pode servir mais para consolidar sua base do que para ampliá-la entre os indecisos.

FRAGILIDADE

Existe, entretanto, uma ferida política que nunca cicatrizou. A criação das unidades de conservação no fim de seu governo continua despertando forte resistência em parte significativa da sociedade rondoniense e permanece como um dos episódios mais controversos de sua trajetória. O tema voltou ao centro do debate recentemente, com o próprio senador reafirmando sua posição e defendendo a legalidade das medidas adotadas.

PAUTA

É justamente aí que mora o verdadeiro desgaste eleitoral. Enquanto a ligação com Lula mobiliza uma base já conhecida, a questão das reservas ambientais alcança produtores rurais, moradores do interior e segmentos que carregam ressentimentos antigos sobre o assunto. É um debate local, emocional e profundamente enraizado na memória política do estado. Pautar este tema pode pregar nele um desgaste que o rondoniense percebe.

ATALHOS

Confúcio continua sendo um dos políticos mais experientes de Rondônia. Sobreviveu a crises, reinventou alianças e atravessou governos porque conhece, como poucos, os atalhos da política. Mas até os veteranos carregam pesos difíceis de abandonar.

PEDRA

E, entre todos eles, nenhum parece tão pesado quanto o das reservas ambientais. É uma pedra que permanece no caminho do senador e que, diferentemente da polarização nacional, fala diretamente ao sentimento de uma parcela expressiva do eleitorado rondoniense. Fica a dica 0800.

CONVENÇÃO

A convenção do PL, realizada em pleno meio da semana -um dia pouco favorável para mobilizações de massa – conseguiu preencher boa parte da Casa de Shows Talismã e transmitiu uma imagem de organização e entusiasmo. A oficialização das candidaturas, com o apoio do Podemos, reuniu as principais lideranças da aliança e serviu como demonstração de força política.

PLATEIA

No palco estavam Marcos Rogério e Delegado Camargo, candidatos ao Governo e à Vice-Governadoria; o prefeito de Porto Velho, Léo Moraes; os candidatos ao Senado Fernando Máximo e Bruno Scheid; além dos postulantes à Câmara Federal e à Assembleia Legislativa. Prefeitos, vereadores, dirigentes partidários e militantes formaram uma plateia numerosa e participativa, reforçando a percepção de que a coligação entra na disputa com uma estrutura política consolidada.

REJEIÇÃO

Mas convenção não elege ninguém. O verdadeiro teste começa quando o palanque dá lugar ao corpo a corpo com o eleitor. O desafio de Marcos Rogério será convencer que sua competitividade não se restringe ao primeiro turno e que possui condições reais de ampliar apoios em uma eventual disputa decisiva no segundo turno. Para isso, precisará reduzir índices de rejeição que hoje representam um obstáculo relevante à expansão de sua candidatura.

PESO

A favor da chapa pesa o apoio de prefeitos com boa avaliação administrativa e de lideranças municipais capazes de transferir capital político. Contra ela, permanece a necessidade de dialogar além do eleitorado já convencido. Em campanha eleitoral, entusiasmo de militância ajuda a produzir boas imagens; votos, porém, continuam sendo conquistados muito mais fora dos eventos do que dentro deles. A fama de arrogante ainda ronda ele e a campanha. É um traço que atrapalhar em razão de ser perceptível ao eleitor médio. É possível vencer. Eis aí a questão…

ACORDO

Em um Estado onde parte do discurso político transformou fiscalização em perseguição, proteção ambiental em “ideologia” e cumprimento da lei em incômodo ao setor produtivo, o acordo firmado entre o Ministério Público Federal e a Amaggi merece registro positivo. É a demonstração de que desenvolvimento e responsabilidade podem ocupar a mesma estrada.

LITÍGIO

Ao encerrar o inquérito civil mediante um Termo de Acordo Extrajudicial, o procurador da República Raphael Bevilaqua evitou uma longa disputa judicial e construiu uma solução prática: a empresa corrigirá procedimentos para impedir a saída de caminhões com excesso de peso e ainda destinará R$ 97,8 mil em equipamentos à Polícia Rodoviária Federal em Rondônia.

RISCOS

Não se trata apenas de punir uma irregularidade. Caminhões acima do peso deterioram rodovias, elevam o risco de acidentes e ampliam custos que acabam recaindo sobre toda a sociedade. Exigir o cumprimento das regras não é radicalismo; é administração pública responsável.

VIRTUDE

Em tempos de negacionismo institucional, quando qualquer iniciativa ligada à fiscalização ambiental ou ao interesse coletivo costuma ser atacada como se fosse obstáculo ao crescimento econômico, o acordo reafirma uma verdade elementar: produzir riqueza não autoriza descumprir a lei. Segurança viária, preservação da infraestrutura e respeito às normas são pressupostos de uma economia moderna, não inimigos dela. Além de ser uma virtude civilizacional.

RESULTADO

O MPF acerta ao privilegiar uma solução que produz resultado concreto, reforça a capacidade operacional da PRF e impõe mudanças efetivas na conduta empresarial. Em um ambiente político frequentemente dominado pelo confronto estéril, o bom senso ainda consegue abrir caminho. Há esperança ainda para humanidade.

DESAPEGO

A decisão da direção nacional do PT de priorizar a candidatura à reeleição do senador Confúcio Moura produziu seu primeiro efeito político relevante em Rondônia. A jornalista Luciana Oliveira anunciou a retirada de sua pré-candidatura ao Senado, declarou apoio à estratégia definida pelo partido e afirmou que a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está acima de qualquer projeto pessoal. A mudança ocorre após a direção petista concentrar esforços em candidaturas consideradas mais competitivas ao Senado.

LEALDADE

Em manifestação nas redes sociais, Luciana adotou um discurso de absoluta fidelidade partidária. Disse que se submete à decisão da direção nacional por entender que derrotar o bolsonarismo em Rondônia é prioridade estratégica e comparou esse desafio à distância entre Brasil e China. Sem demonstrar contrariedade, confirmou apoio à reeleição de Confúcio Moura e reafirmou o compromisso com a campanha de Lula. A postura está em sintonia com declarações anteriores, quando já havia afirmado que abriria mão da própria candidatura caso essa fosse a orientação do partido.

REFORÇO

Há cerca de dois meses em intercâmbio na China- onde produz matérias maravilhosas sobre o país asiático, Luciana informou que retornará ao Brasil para participar ativamente da campanha petista em Rondônia. O objetivo, segundo declarou, é reforçar a mobilização da militância e atuar na disputa política contra o campo bolsonarista durante o processo eleitoral.

UNIDADE

A retirada da pré-candidatura elimina uma potencial disputa interna e consolida, ao menos por ora, a estratégia nacional de unificar o campo governista em torno de Confúcio Moura. O movimento evidencia que, para o PT, a matemática eleitoral prevaleceu sobre os projetos estaduais, numa tentativa de ampliar as chances de manter representação alinhada ao Palácio do Planalto no Senado Federal. É na Casa Alta do parlamento brasileiro que a direita concentra força para alcançar a maioria e impor uma agenda conservadora e devastadora a quem pensa contrário.

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