A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, afirmou nesta quarta-feira (25) que a condenação dos envolvidos no assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes é uma resposta direta a quem ridicularizou o caso. A declaração ocorreu após a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenar os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão a mais de 76 anos de reclusão. Anielle, que é irmã da vereadora, destacou o peso simbólico da decisão judicial após quase oito anos de espera.
Para a ministra, a sentença interrompe um ciclo de desrespeito que a família enfrentou desde o atentado em 2018. Ela relembrou que, durante as investigações, o nome de Marielle foi frequentemente usado de forma depreciativa, especialmente em períodos eleitorais. “Isso é um recado para uma parcela da sociedade que falava que era ‘mimimi’ sobre Marielle Franco”, desabafou Anielle durante entrevista na saída do tribunal.
Alívio e emoção entre os familiares
Marinete Silva, mãe da vereadora, descreveu o julgamento como um momento histórico que traz alívio para a família. Ela ressaltou que a pergunta sobre quem mandou matar sua filha finalmente obteve uma resposta definitiva do Estado brasileiro. O pai de Marielle, Antonio Francisco, chegou a passar mal devido a um pico de pressão durante a sessão, mas, após atendimento médico, afirmou que a angústia de quase uma década foi amenizada pela justiça.
A viúva de Anderson Gomes, Agatha Reis, também se manifestou, afirmando que o desfecho do caso renova a esperança de outras pessoas que aguardam respostas do Judiciário. Já Fernanda Chaves, assessora que sobreviveu ao ataque, classificou a decisão como um marco no combate à violência de gênero na política. Segundo ela, o Brasil sinaliza ao mundo que o feminicídio político não será tolerado nas instituições democráticas.
Desfecho do julgamento no STF
O STF concluiu que os irmãos Brazão foram os autores intelectuais do crime, motivados por disputas fundiárias no Rio de Janeiro. Além das penas de prisão, os condenados deverão pagar indenizações milionárias às famílias das vítimas e perderão seus cargos públicos. A decisão foi tomada de forma unânime pela Primeira Turma da Corte, encerrando uma das fases mais complexas da história jurídica e política recente do país.









































