Justiça de Santa Catarina suspende lei contra cotas raciais

Tribunal de Justiça de Santa Catarina concede liminar, suspende norma que proibia cotas raciais em universidades públicas e instituições com recursos estaduais e pede esclarecimentos ao governo e à Alesc.

Fonte: News Rondônia

Publicado em

Justiça de Santa Catarina suspende lei contra cotas raciais

Compartilhe esta notícia:

Nos siga no Google News

O Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) suspendeu os efeitos da lei estadual que proibia a adoção de cotas raciais e outras políticas de ações afirmativas em universidades públicas estaduais e em instituições que recebem recursos do Estado. A decisão foi tomada em caráter liminar nesta terça-feira, 27 de janeiro, e impede a aplicação imediata da norma até o julgamento definitivo do caso.

A lei havia sido aprovada pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) em dezembro e sancionada na semana passada pelo governador Jorginho Mello (PL). O texto estabelecia a proibição de critérios raciais para ingresso de estudantes, contratação de professores e servidores, além de outras políticas afirmativas em instituições vinculadas ao poder público estadual.

Liminar suspende efeitos da lei

A suspensão ocorreu após o ajuizamento de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI), que aponta possíveis violações à Constituição Federal. Na decisão, o TJSC determinou que o governo do Estado e a Assembleia Legislativa prestem informações ao Judiciário no prazo de 30 dias, etapa necessária para a análise mais aprofundada do mérito.

Com a liminar, a lei deixa de produzir efeitos imediatamente, mantendo válidas as políticas de cotas raciais e ações afirmativas que já vinham sendo adotadas pelas universidades e instituições de ensino superior em Santa Catarina.

Questionamentos constitucionais

Entre os principais argumentos apresentados na ação estão a possível violação aos princípios da igualdade material, do direito à educação e da autonomia universitária. Também foi destacado que o Supremo Tribunal Federal (STF) já reconheceu, em julgamentos anteriores, a constitucionalidade das políticas de cotas raciais como instrumento de redução das desigualdades históricas no acesso ao ensino superior.

A ADI sustenta ainda que a legislação estadual pode ter extrapolado a competência do Estado ao interferir em políticas educacionais alinhadas a diretrizes nacionais e a entendimentos consolidados da Corte Suprema.

Repercussão política e social

A aprovação da lei gerou forte repercussão em todo o país. Entidades ligadas à educação, movimentos sociais, organizações estudantis e partidos políticos classificaram a norma como um retrocesso nas políticas de inclusão, enquanto apoiadores defenderam a medida sob o argumento de igualdade formal entre candidatos.

Com a decisão do TJSC, o debate volta a se concentrar no campo jurídico, enquanto a sociedade acompanha os desdobramentos do processo que ainda será analisado pelo Órgão Especial do Tribunal.

Próximos passos

Após o envio das informações pelo governo estadual e pela Alesc, o processo seguirá para manifestação do Ministério Público. Somente depois dessas etapas o Tribunal deverá julgar o mérito da ação, decidindo se a lei será definitivamente derrubada ou se poderá voltar a vigorar.

Até lá, as cotas raciais e demais políticas afirmativas seguem autorizadas em Santa Catarina, garantindo a continuidade dos critérios atualmente adotados pelas instituições de ensino superior.

NEWS QUE VOCÊ VAI QUERER LER

DESTAQUE NEWS

EMPREGOS E CONCURSOS

POLÍTICA

POLÍCIA

ÚLTIMAS NOTÍCIAS