Bolsonaro desafia STF e aposta em confronto para mobilizar apoiadores, dizem analistas

Ex-presidente foi colocado em prisão domiciliar após descumprir decisão que proibia uso de redes sociais; especialistas apontam ação estratégica

Fonte: Redação g1, g1 — São Paulo - 44

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Bolsonaro desafia STF e aposta em confronto para mobilizar apoiadores, dizem analistas
Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo

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O ex-presidente Jair Bolsonaro foi colocado em prisão domiciliar na noite desta segunda-feira (4) após descumprir determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) que o proibia de utilizar redes sociais. A medida foi tomada pelo ministro Alexandre de Moraes e aprovada pela Primeira Turma do tribunal.

A decisão foi motivada por uma publicação em que Bolsonaro realizou uma chamada de vídeo com o filho, senador Flávio Bolsonaro, durante uma manifestação no último domingo (3) na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro.

A análise dos especialistas

Para Rafael Mafei, professor da Faculdade de Direito da USP e da ESPM, a postura do ex-presidente não é acidental.

“Bolsonaro tem adotado uma estratégia de confrontar a Justiça. Ele se coloca em situações de descumprimento para, em seguida, alegar que não entendeu a decisão, criando tumulto e explorando isso politicamente”, avaliou.

Mafei entende que as ações de Bolsonaro têm como objetivo escalar o conflito com o STF.

“É um ato deliberado de desafio, sobretudo após episódios em que ele fez questão de exibir a tornozeleira eletrônica e se deixar filmar, sabendo que isso circula rapidamente nas redes sociais, exatamente o que a decisão judicial buscava impedir”, disse.

Ainda segundo o professor, essa postura também serve a uma estratégia maior:

“Bolsonaro e seus aliados apostam que tensionar a relação com o STF fortalece sua base política e pode gerar pressão externa contra ministros da Corte”, completou.

O papel da base bolsonarista

A jornalista Andreia Sadi concorda com essa avaliação e reforça que nada é feito sem cálculo político:

“O ex-presidente não age por impulso. Ele usa o embate com Alexandre de Moraes para ampliar o conflito e tentar desgastar o Supremo como instituição”, analisou.

Segundo ela, a movimentação de Bolsonaro tem como finalidade manter a sua base mobilizada enquanto aguarda o julgamento da trama golpista, previsto para setembro.

“Ele quer se apresentar como vítima de perseguição para reforçar o discurso de censura e perseguição política, mas isso é apenas parte de sua estratégia. O que realmente importa para ele são os processos que ainda estão por vir”, destacou Sadi.

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