Mulheres da Amazônia fortalecem territórios contra mudanças climáticas

Associações e cooperativas lideradas por mulheres impulsionam agroflorestas, segurança alimentar e proteção dos territórios tradicionais na Amazônia.

Fonte: Francisco Rodrigo

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Mulheres da Amazônia fortalecem territórios contra mudanças climáticas
© Fase/Divulgação

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As mudanças climáticas já alteram o cotidiano de comunidades tradicionais da Amazônia. Em Pirocaba, no município de Abaetetuba, nordeste do Pará, a agricultora Daniela Araújo observa que o açaí, um dos principais alimentos da região, deixou de seguir o ciclo natural de amadurecimento.

Segundo ela, períodos prolongados de seca e chuvas fora de época fazem com que o fruto seque antes de atingir o ponto ideal de colheita.

A experiência adquirida ao longo de gerações permitiu que as mulheres identificassem rapidamente essas alterações ambientais e buscassem alternativas para manter a produção e proteger os recursos naturais.

Projeto fortalece mulheres em comunidades paraenses

Em 2023, a FASE Amazônia (Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional) iniciou um projeto voltado ao fortalecimento da soberania alimentar, da autonomia feminina e da justiça climática em 14 municípios do Pará.

A iniciativa reúne agricultoras, ribeirinhas, quilombolas, indígenas e famílias agricultoras em ações que incluem:

implantação de sistemas agroflorestais;
formação de lideranças femininas;
fortalecimento da governança comunitária;
incentivo à comercialização da produção;
apoio ao acesso a políticas públicas e regularização territorial.

Segundo a coordenadora da FASE Amazônia, Sara Pereira, as soluções surgiram da própria experiência das comunidades, valorizando os conhecimentos locais.

Sistemas agroflorestais recuperam áreas e diversificam a produção

Uma das principais estratégias adotadas pelas mulheres foi a implantação de sistemas agroflorestais, que combinam diferentes espécies vegetais em uma mesma área.

Além do açaí, passaram a ser cultivados alimentos de ciclo curto, ampliando a variedade da produção e reduzindo a dependência de um único cultivo.

A diversificação fortalece a segurança alimentar das famílias e reduz os riscos provocados pelas mudanças climáticas.

De acordo com Daniela Araújo, hoje as comunidades produzem frutas, hortaliças e outros alimentos que garantem abastecimento durante todo o ano.

Caderneta agroecológica monitora impactos do clima

Outra ferramenta importante utilizada pelo projeto é a caderneta agroecológica.

Nela, as agricultoras registram:

alimentos produzidos;
volume da colheita;
dificuldades enfrentadas;
efeitos da seca ou do excesso de chuvas;
mudanças observadas ao longo das safras.

Esses registros permitem compreender como as alterações climáticas afetam a produção e ajudam no planejamento das atividades agrícolas.

Produção gera renda e fortalece autonomia feminina

No município de Ingarapé-Miri, mulheres organizadas pela Associação de Apoio às Comunidades Amazônicas (APACC) passaram a beneficiar alimentos produzidos nas propriedades familiares.

Produtos derivados da mandioca, como farinha, tucupi, biju e maniçoba, passaram a abastecer feiras locais e programas de alimentação escolar.

Segundo a presidente da associação, Benedita Carvalho Gonçalves, a organização coletiva ampliou as oportunidades de geração de renda e valorizou o trabalho das agricultoras.

Além do retorno financeiro, a iniciativa fortaleceu a participação das mulheres nas decisões comunitárias e no desenvolvimento econômico local.

Proteção da floresta e segurança alimentar caminham juntas

Os sistemas agroflorestais também contribuem para conservar o solo, proteger a biodiversidade e manter as áreas produtivas durante todas as estações do ano.

Ao combinar espécies nativas e cultivos agrícolas, as comunidades conseguem produzir alimentos sem ampliar o desmatamento, reforçando a preservação ambiental.

A experiência mostra que práticas sustentáveis desenvolvidas pelas próprias populações tradicionais podem desempenhar papel importante no enfrentamento das mudanças climáticas.

Perguntas frequentes

O que mudou nas comunidades amazônicas?

As mulheres passaram a atuar de forma organizada em associações e cooperativas para fortalecer a produção sustentável e proteger seus territórios.

O que são sistemas agroflorestais?

São modelos de cultivo que integram árvores, frutíferas e outras culturas agrícolas em uma mesma área, promovendo conservação ambiental e produção de alimentos.

Como as mudanças climáticas afetam a produção?

Secas prolongadas e alterações no regime de chuvas modificam o ciclo natural de culturas como o açaí e reduzem a produtividade.

O que é a caderneta agroecológica?

É uma ferramenta utilizada pelas agricultoras para registrar a produção, acompanhar impactos climáticos e apoiar o planejamento das atividades.

Quais os principais benefícios do projeto?

Aumento da segurança alimentar, geração de renda, fortalecimento da autonomia feminina e proteção dos territórios tradicionais.

 

Com informações de Fabíola Sinimbú – Repórter da Agência Brasil

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