Norte em Festa: 59ª edição do Festival de Parintins é encerrada com o Caprichoso campeão!

Uma cidade folclórica que reúne tradições, pertencimentos, experiências, turismo e vivências. Confira uma série sobre a Ilha Tupinambarana.

Fonte: Gleyciane Prata

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Norte em Festa: 59ª edição do Festival de Parintins é encerrada com o Caprichoso campeão!

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Parintins tem a fama de ser a ‘’ilha encantada’’. Por ser vista além do duelo dos bois Caprichoso e Garantido nas três noites, é admirada também por sua contagiante forma turística de ser, por suas riquezas naturais amazônicas e por seu modo de viver.

Parintins tem seu jeito único de receber turistas do mundo inteiro. Seus habitantes constroem experiências singulares para o nicho do turismo, desde a culinária até a estadia e os passeios, proporcionando ao visitante memórias para a vida toda. É por isso que é preciso organização no planejamento de viagem para evitar perrengues.

O início

‘’O festival foi oficializado em 1965 por um grupo de amigos ligados à Juventude Alegre Católica (JAC), com o objetivo de arrecadar fundos para a construção da Catedral de Nossa Senhora do Carmo, padroeira de Parintins. No primeiro ano, vinte e duas quadrilhas se apresentaram, mas os bois Caprichoso e Garantido ainda não participavam do evento.

Em 1966, os dois bois foram convidados a participar do festival, e ambos se apresentaram juntos pela primeira vez. A partir desse momento, a rivalidade entre Garantido e Caprichoso se intensificou. Em 1975, a organização do festival passou a ser responsabilidade da Prefeitura de Parintins, e o local do evento foi transferido para o Centro Cultural e Desportivo Amazonino Mendes – conhecido como Bumbódromo, inaugurado em 1988’’.

Parintins, sendo uma ilha, está localizada a quase 400 km a leste de Manaus. Tradicionalmente, os brincantes buscam experiências marcantes indo de barco para contemplar a natureza ao longo do percurso; a viagem é longa, durando entre 18h e 24h, dependendo de quantas paradas são obrigatórias ou emergenciais. Mas há aqueles que desejam praticidade e buscam lanchas (ajatos), que chegam em cerca de 8h por meio fluvial.

Meio de transporte aéreo: Por avião, a viagem torna-se mais ágil, durando cerca de 1h saindo de Manaus.

Dicas: meios de pagamento, recebimentos e hospedagem

Durante o período festivo, a ilha normalmente dobra o número de turistas, o que gera instabilidades; portanto, é preciso ter atenção redobrada. Por exemplo, leve dinheiro em espécie para não depender somente da rede de internet, pois, embora muitos comércios estejam preparados para negociar de diversas formas, o acesso digital pode oscilar.

Hospedagem: Como a cidade ainda está em fase de desenvolvimento de extensão, a oferta de hotéis não comporta todo o volume turístico. Por isso, a alternativa é antecipar a busca por casas locais, quitinetes, quartos temporários ou apartamentos divididos entre hóspedes. Nesse período, muitos moradores abrem suas casas para visitantes. O povo parintinense é conhecido por ser hospitaleiro e prestativo, não deixando a desejar nas acomodações.

Defesa de itens na arena

Os 21 itens oficiais são os quesitos avaliados pelos jurados durante as três noites, divididos em três blocos:

  • Bloco A – Comum/Musical: Apresentador, Levantador de Toadas, Batucada (no Garantido) / Marujada (no Caprichoso), Amo do Boi, Toada (letra e música) e Organização do Conjunto Folclórico.

  • Bloco B – Cênico/Coreográfico: Porta-Estandarte, Sinhazinha da Fazenda, Rainha do Folclore, Cunhã-Poranga, Boi-Bumbá (Evolução), Pajé e Coreografia.

  • Bloco C – Artístico: Ritual Indígena, Povos Indígenas (Tribos), Tuxauas, Figura Típica Regional, Alegoria, Lenda Amazônica, Vaqueirada e Galera.

Reunindo gerações e torcedores de vários bairros, os dois bois-bumbás preservam até hoje as tradições de rua que vão além do Bumbódromo: as manifestações populares que antecedem o festival, baseadas em costumes, fé e pertencimento. As brincadeiras de rua são chamadas de “Boi de Rua” ou “Alvorada”.

  • Alvorada: Nasceu na década de 1930 como um “boi de rua”, quando o fundador Lindolfo Monteverde levava os brincantes de madrugada para visitar casas de devotos. A partir de 1975, o formato foi invertido, transformando-se na multidão que caminha para ver o dia clarear. O evento inicia no Curral Lindolfo Monteverde, na Cidade Garantido, e se encerra ao amanhecer na Catedral de Nossa Senhora do Carmo, numa grande passeata que transforma a Ilha da Magia num verdadeiro mar vermelho e branco. A concentração acontece no dia 30, com a marcha iniciando na madrugada do dia 1º. (Fonte: Portal Amazônia)

  • Boi de Rua: Criado oficialmente em 2001, o Boi de Rua foi inspirado em antigas manifestações comuns em Parintins nos anos 1980: levar o boi às ruas para o contato direto com seus torcedores. Com a proposta de resgatar a tradição popular e aproximar o boi Caprichoso de sua torcida, o então presidente do Conselho de Artes do Touro Negro, João do Carmo, idealizou o evento. Em 2026, o cortejo teve como novidade o retorno do formato em trajeto único. (Fonte: Portal Amazônia)

Ecossistema de Economia Criativa e Empregabilidade

Parintins, por ser uma cidade turística, é movida pela economia criativa. A cidade cria diversas oportunidades com inúmeros lugares temáticos e elementos criativos; os empreendedores estão sempre de prontidão para receber o turista, muitas vezes em suas próprias casas.

A Amazônia, em si, é uma potência econômica. O “Nome Amazônia” deixou de ser comum para se tornar resistência cultural, pertencimento e força, ganhando visibilidade com patrocínios que reforçam a identidade parintinense. A cadeia produtiva cultural faz da ideia uma realidade através de costureiras, artesãos, artistas plásticos, escultores, soldadores, pescadores, marceneiros e ajudantes.

 

Segundo o Portal Você Oficial, para 2026, a expectativa é de que a movimentação da economia criativa e os investimentos cheguem a 193,2 milhões, superando a marca de 184 milhões de 2025, impactando a rede de hotelaria, transportes, gastronomia e elementos artísticos.

O triciclo é reconhecido no turismo e na economia local como uma forte identidade cultural, reflexo da vivência da comunidade. O vereador Flávio Farias (UB) teve um projeto de lei sancionado pelo Executivo Municipal que torna o triciclo Patrimônio Cultural e Material de Parintins, reconhecendo-o não apenas como transporte, mas como símbolo da identidade local. (Fonte: Câmara Municipal de Parintins)

Glossário do Parintinense

  • Auto do Boi: Encenação que narra a história do boi-bumbá (Pai Francisco e Mãe Catirina).

  • FAB (Força Azul e Branca): Torcida oficial do Boi Caprichoso.

  • Galera: Denominação dada às torcidas dos bois.

  • Pávulo: Alguém esnobe ou metido.

  • QG: Local onde são confeccionadas as fantasias.

  • Baixa do São José: Lugar onde foi fundado o Boi Garantido.

  • Cunhã-poranga: Termo usado para a mulher bonita da tribo.

  • Amo do Boi: Cantor e compositor que faz versos exaltando seu boi e desafiando o adversário.

  • Batucada: Grupo musical do Boi Garantido.

  • Kaçauerés: Trabalhadores que montam e transportam as alegorias do Boi Garantido.

  • Paikices: Trabalhadores que montam e transportam as alegorias do Boi Caprichoso.

  • Perreché: Torcedores do Boi Garantido (termo derivado de “pé rachado”).

  • Marujada de Guerra: Grupo musical do Boi Caprichoso.

Toadas

As músicas tocadas pelos bois, chamadas de “toadas”, tornam-se expressões que carregam contos, narrativas, pedidos de socorro pela preservação da floresta amazônica, ensinamentos indígenas e o linguajar cotidiano. As letras vão além de um simples ritmo; carregam representatividades ribeirinhas que somam às encenações das alegorias.

Identidade Visual

A cidade reproduz seu marketing naturalmente, sendo dividida tradicionalmente em duas cores: azul (Caprichoso, bairro da Francesa) e vermelho (Garantido, Baixa do São José). O comércio local e marcas nacionais, como a Coca-Cola, buscam inserir esses elementos em fachadas, sinalizações e produtos para atrair o público e valorizar os patrocínios.

O boi azul e branco abordou o tema “Brinquedo que Canta Seu Chão” com os subtemas: “O Brinquedo do Povo Canta: Parintins – O Chão de Origem”, “O Brinquedo Ancestral Canta: Amazônia, o Chão da Vida” e “O Brinquedo da Resistência Canta: Norte Brasil – Chão de Bravos”.

O Boi Caprichoso venceu na segunda-feira (29), após a contagem de notas das três noites de festival, conquistando 1259 pontos contra 1258,3 do boi contrário. O boi azulado adiciona mais uma vitória à sua trajetória, somando um total de 27 títulos.

Fonte: CNN Brasil

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