Cães e gatos alteram comportamento após perder um companheiro

Apetite, sono, brincadeiras e procura por atenção podem mudar depois de uma perda

Publicado em

Cães e gatos alteram comportamento após perder um companheiro
Fotos: Pexels

Compartilhe esta notícia:

Nos siga no Google News

A caminha continua no mesmo lugar, o pote desapareceu e um dos moradores da casa não voltou. Para o cão ou gato que permanece, a morte de outro animal pode representar uma alteração em uma rotina construída durante meses ou anos. Pesquisas vêm identificando mudanças no comportamento de pets depois da perda de um companheiro, embora a ciência ainda seja cautelosa ao definir se essas respostas correspondem ao luto da maneira como os seres humanos o experimentam.

Estudos realizados com cães e gatos registraram alterações no apetite, nas brincadeiras, no sono, na vocalização e na procura por atenção depois da morte de outro animal da residência. Em uma pesquisa com 426 pessoas que conviviam com pelo menos dois cães, 86,6% relataram alguma mudança no comportamento do sobrevivente. A relação mantida pelos animais antes da morte apareceu como um dos fatores associados às alterações.

Entre os cães avaliados, 67% passaram a buscar mais atenção, 57% brincaram menos, 46% reduziram a atividade e 32% comeram menos. A duração também variou: aproximadamente um quarto dos tutores que perceberam mudanças afirmou que elas permaneceram por mais de seis meses.

Cão e gato convivendo em ambiente doméstico, representando a relação entre animais de companhia.

Os gatos também passaram a integrar esse campo de pesquisa. Um estudo envolvendo 412 tutores e 452 gatos sobreviventes analisou mudanças após a morte de outro animal da casa. Quanto mais positiva era a relação anterior entre os pets, maior foi a redução relatada em atividades como comer e brincar. Animais que haviam convivido por mais tempo também apresentaram aumento na procura por atenção nas semanas e meses posteriores.

Há, entretanto, uma questão metodológica. Como cães e gatos não podem relatar o que sentem, os estudos dependem da observação dos tutores. Os próprios pesquisadores reconhecem que o sofrimento humano após a perda pode influenciar a maneira como o comportamento do animal sobrevivente é interpretado.

Outro elemento é a mudança da casa. A ausência modifica horários, interações, brincadeiras e até o comportamento das pessoas. Dessa forma, uma alteração observada no pet pode decorrer da falta do companheiro, das mudanças ambientais, da reação dos tutores ou da combinação desses fatores.

Cão e gato convivendo em ambiente doméstico, representando a relação entre animais de companhia.

Para quem enfrenta essa situação, preservar parte da rotina pode ajudar o animal a lidar com as mudanças. Horários de alimentação, passeios e momentos de interação podem ser mantidos, evitando transformações adicionais sem necessidade.

O tutor também deve observar se a alteração compromete a saúde. Recusa prolongada de alimento, perda de peso, isolamento, alterações gastrointestinais ou mudanças persistentes justificam avaliação veterinária, já que sinais atribuídos à perda podem coincidir com doenças.

A chegada imediata de outro animal também não deve ser tratada como substituição automática. Introduzir um novo pet modifica novamente o ambiente e precisa considerar o comportamento do animal que permaneceu e a disponibilidade da família.

A ciência ainda investiga o que cães e gatos experimentam diante da morte. O que os estudos já permitem afirmar é que a ausência de um companheiro pode ser acompanhada por mudanças mensuráveis no comportamento. Para o tutor que acaba de perder um animal, isso acrescenta um cuidado à própria despedida: observar também aquele que ficou.

NEWS QUE VOCÊ VAI QUERER LER

DESTAQUE NEWS

EMPREGOS E CONCURSOS

POLÍTICA

POLÍCIA

ÚLTIMAS NOTÍCIAS