Projeto leva atendimento médico a comunidades ribeirinhas do Amazonas

Iniciativa instala postos de saúde em áreas isoladas de Carauari para oferecer consultas, telemedicina e reduzir longos deslocamentos pelos rios.

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Projeto leva atendimento médico a comunidades ribeirinhas do Amazonas
foto - Lucas Bonny/FAS

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Moradores de comunidades ribeirinhas de Carauari (AM) passaram a contar com atendimento médico mais próximo após a implantação de novos pontos de saúde na região do Médio Rio Juruá. A iniciativa busca reduzir as longas viagens de barco enfrentadas pela população para chegar até a área urbana do município.

Os postos foram instalados nas regiões de Campina e Bauana, dentro de unidades da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), e oferecem consultas presenciais, teleconsultas, atendimento de enfermagem, acompanhamento odontológico e ações de prevenção.

A estrutura integra o projeto SUS na Floresta, desenvolvido para adaptar a atenção básica de saúde às características das comunidades tradicionais da Amazônia.

Ribeirinhos enfrentavam dias de viagem para consultas

Antes da implantação dos pontos de atendimento, muitos moradores precisavam viajar horas ou até dias pelo rio para conseguir uma consulta médica.

A gestante Aldeniza Silva e Silva, moradora da comunidade Boa Vista, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Uacari, precisou enfrentar esse desafio durante o pré-natal.

Grávida de sete meses, ela precisava viajar até a zona urbana de Carauari para ser atendida. O percurso podia levar até três dias de rabeta, dependendo das condições do rio.

Com o novo posto de saúde em Campina, a distância foi reduzida.

“Agora [a distância] é só de uma praia”, afirmou Aldeniza, após conseguir atendimento mais próximo de casa.

Além da própria consulta, ela também aproveitou a oportunidade para levar a filha de seis anos, que apresentava problemas de saúde.

Estrutura combina atendimento presencial e tecnologia

Os novos pontos de saúde foram planejados para atender às dificuldades geográficas da região amazônica.

Cada unidade conta com:

  • consultórios para atendimentos presenciais;
  • espaços para teleconsultas;
  • sala de triagem;
  • consultório odontológico;
  • conexão à internet;
  • equipamentos de telessaúde;
  • áreas de apoio para equipes profissionais.

Os serviços fazem parte da rede do Sistema Único de Saúde (SUS), embora o projeto seja realizado por meio de uma parceria entre instituições públicas e privadas.

Segundo o Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS), responsável pela gestão do projeto, a iniciativa não cria uma estrutura paralela ao SUS, mas fortalece a rede existente.

Projeto beneficia milhares de moradores

Os dois novos pontos de atendimento devem beneficiar cerca de 4,7 mil pessoas de 56 comunidades ribeirinhas.

O diretor de prospecção e parcerias do IDIS, Guilherme Sylos, explicou que o modelo considera fatores específicos da Amazônia, como grandes distâncias, períodos de cheia e seca dos rios e dificuldade de acesso a profissionais de saúde.

A proposta é aproximar a atenção primária da população, evitando que problemas simples evoluam para situações mais graves.

Atendimentos já reduziram deslocamentos

Logo após a inauguração das unidades, moradores já passaram a utilizar os serviços.

Em Campina, foram evitadas chamadas de transporte de emergência para casos que puderam ser resolvidos no próprio local.

Entre os atendidos esteve o jovem Thiago Freitas Andrade, da comunidade Xibuauzinho, que sofreu um ferimento no pé após pisar em uma tábua com pregos.

Após uma semana sentindo dores, ele procurou o posto de saúde e recebeu atendimento de enfermagem, medicamentos e orientações.

Também foram realizados atendimentos de pré-natal, acompanhamento de hipertensos, tratamento de sintomas gripais e cuidados com ferimentos.

Telemedicina amplia acesso a especialistas

Além dos profissionais fixos, os moradores poderão realizar consultas médicas por meio da telemedicina.

A técnica de enfermagem Denise de Sousa Brito destacou que a tecnologia permite que pacientes tenham acesso a consultas sem precisar enfrentar longos deslocamentos.

O secretário municipal de Saúde de Carauari, Manoel Brito, informou que cada unidade contará com um enfermeiro e um técnico em enfermagem, que atuarão em períodos alternados de 15 dias.

Também serão realizados atendimentos médicos e odontológicos programados.

SUS na Floresta nasceu durante a pandemia

O projeto começou a ser estruturado em 2020, durante a pandemia de covid-19, quando muitas comunidades amazônicas enfrentaram dificuldades para acessar serviços de saúde.

A iniciativa pretende manter o atendimento mesmo em situações de emergência sanitária ou eventos climáticos extremos.

Segundo a gerente do Programa Saúde na Floresta da FAS, Mickela Souza Costa, aproximar os serviços de saúde das comunidades também contribui para fortalecer a população que vive e protege os territórios amazônicos.

Expansão prevê novos pontos no Amazonas

Com as unidades de Campina e Bauana, o projeto passou a contar com três pontos de atendimento. O primeiro foi inaugurado em abril, na comunidade do Ubim, em Eirunepé (AM).

A previsão é instalar ainda mais três unidades: uma em Itapiranga e duas em Novo Aripuanã. Também está prevista a construção de um alojamento de apoio para profissionais de saúde em Uarini.

A expectativa é ampliar o acesso à atenção básica e garantir que moradores de áreas isoladas tenham atendimento sem depender exclusivamente de longas viagens pelos rios.

FAQ

O que é o projeto SUS na Floresta?
É uma iniciativa que leva serviços de atenção básica à saúde para comunidades ribeirinhas da Amazônia, combinando atendimento presencial e telemedicina.

Quantas comunidades serão beneficiadas em Carauari?
Os pontos de Campina e Bauana devem atender cerca de 56 comunidades ribeirinhas, alcançando aproximadamente 4,7 mil pessoas.

Quais serviços são oferecidos nos postos?
São oferecidos atendimentos de enfermagem, consultas presenciais, teleconsultas, atendimento odontológico, prevenção e acompanhamento de doenças.

Por que o atendimento é importante para os ribeirinhos?
Porque reduz deslocamentos que podiam durar dias de barco até a zona urbana do município.

Com informações de Elaine Patricia Cruz – Repórter da Agência Brasil.

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