A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado aprovou, nesta quarta-feira (25), uma série de requerimentos que marcam uma nova fase nas investigações sobre o sistema financeiro. Entre as decisões mais impactantes estão as convocações do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, do ex-presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, e do ex-ministro da Fazenda, Paulo Guedes. Diferente de convites, a convocação obriga o comparecimento sob risco de condução coercitiva.
A CPI apura fraudes estimadas entre 17 bilhões e 50 bilhões de reais no Banco Master. Além das oitivas, os senadores aprovaram a quebra dos sigilos bancário e fiscal da instituição e de sócios de Vorcaro. Também foi quebrado o sigilo da Reag Investimentos, empresa que sofreu liquidação pelo BC em janeiro deste ano sob suspeita de envolvimento nas operações fraudulentas investigadas.
Desregulação sob suspeita e embate político
Senadores governistas argumentam que as políticas de desregulação implementadas entre 2019 e 2022 fragilizaram os mecanismos de controle. O senador Jaques Wagner (PT-BA) destacou que resoluções do BC durante a gestão de Campos Neto podem ter criado um ambiente explorado pelo crime. Já a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) apontou que Vorcaro só obteve autorização para assumir o controle do banco em outubro de 2019, durante a presidência de Campos Neto.
Por outro lado, parlamentares da oposição criticam as convocações, alegando motivação político-eleitoral. O senador Marco Rogério (PL-RO) e o senador Sérgio Moro (União-PR) afirmaram que não há indícios que liguem diretamente Guedes ou Campos Neto ao Banco Master. Segundo a oposição, a tentativa de trazer figuras públicas respeitadas internacionalmente para o debate visa apenas desgastar a imagem de ex-membros do governo Bolsonaro.
Novas frentes de investigação e convites
A CPI também aprovou a convocação dos ex-ministros da Cidadania João Roma e Ronaldo Vieira Bento. O senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) aponta que indícios ligariam as pastas a interesses do banqueiro investigado. Paralelamente, foram aprovados convites — de comparecimento opcional — aos ministros do STF Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, além do atual presidente do BC, Gabriel Galípolo, e do ministro da Casa Civil, Rui Costa.
Convocados: Daniel Vorcaro, Roberto Campos Neto e Paulo Guedes (obrigatório).
Foco: Investigar se a modernização do mercado ocultou fragilidades de controle.
Quebras de Sigilo: Banco Master, sócios e Reag Investimentos.
Fase: Fabiano Contarato (PT-ES) afirma que a CPI focará agora no “andar de cima” do crime organizado.
Em contrapartida, a Comissão rejeitou pedidos de convocação que miravam ex-funcionários ligados ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O presidente da CPI reforçou que o objetivo é entender a lógica das mudanças normativas que permitiram a expansão de esquemas de lavagem de dinheiro no país.









































