Um levantamento realizado pela Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados, divulgado nesta quinta-feira, 12, revela que 73% dos brasileiros apoiam o fim da escala de trabalho 6×1. A condição principal para esse suporte, no entanto, é a manutenção integral do salário atual dos trabalhadores.
A pesquisa ouviu 2.021 pessoas em todo o país e mostrou que o desejo por mais descanso é quase unânime: 84% dos entrevistados acreditam que o trabalhador deveria ter, no mínimo, duas folgas semanais. Atualmente, a proposta de emenda à constituição que altera essa jornada tramita no Congresso Nacional.
Apesar do entusiasmo com a folga extra, o fator financeiro é decisivo. Caso a redução da carga horária resulte em menos dinheiro no bolso, o índice de aprovação despenca para apenas 28%. O dado evidencia que, em um cenário de renda média baixa, a prioridade permanece sendo o poder de compra.
Conhecimento e viés político
O estudo indicou que 62% dos brasileiros já ouviram falar do debate sobre o fim da escala 6×1, embora apenas 12% afirmem conhecer bem a proposta. Entre os que desconhecem o tema, um em cada três brasileiros nunca ouviu falar sobre a possível mudança legislativa.
Há também um recorte político claro nos dados coletados. Entre os eleitores que votaram no presidente Lula em 2022, a aprovação ao fim da escala atinge 71%. Já entre os eleitores de Jair Bolsonaro, o apoio é menor, mas ainda majoritário, somando 53% de respostas favoráveis.
O CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, avalia que o grande impasse no Congresso será justamente a conciliação entre o desejo dos trabalhadores e a resistência das empresas. O setor produtivo argumenta que a redução de jornada sem ajuste salarial pode elevar custos e prejudicar a competitividade.
Tramitação gradual da PEC
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC 148/2015) avançou na Comissão de Constituição e Justiça do Senado em dezembro de 2025. Se aprovada em definitivo, a transição para o novo modelo de trabalho ocorrerá de forma gradual para não desestabilizar o mercado.
O cronograma prevê que as regras atuais sejam mantidas em 2026. A partir de 2027, o descanso subiria para dois dias, com teto de 40 horas semanais. O objetivo final é atingir 36 horas por semana até o ano de 2031, dependendo ainda de votações cruciais no plenário da Câmara e do Senado.
Sobre o otimismo da população, 52% dos entrevistados acreditam que o Congresso Nacional aprovará a medida. O debate promete ser um dos temas centrais da pauta legislativa e econômica ao longo de 2026, com pressão de sindicatos e associações patronais.







































