“É só a Seduc virar a esquina”: nova denúncia de merenda causa revolta na Escola Hélio Neves Botelho, no Caladinho

Após fiscalização da Seduc em 20 de agosto, comunidade escolar afirma que estudantes da Escola Hélio Neves Botelho continuam recebendo mingau com frequência e, em alguns dias, apenas pão; famílias pretendem levar denúncia ao Ministério Público.

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“É só a Seduc virar a esquina”: nova denúncia de merenda causa revolta na Escola Hélio Neves Botelho, no Caladinho

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A merenda escolar voltou a ser motivo de indignação entre pais e integrantes da comunidade da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio (EEEFM) Hélio Neves Botelho, no bairro Caladinho, Zona Sul de Porto Velho. O caso ganha novos contornos porque as reclamações ressurgem apenas oito dias depois de uma fiscalização realizada pela Secretaria de Estado da Educação (Seduc) na unidade.

Segundo pais e fontes ouvidas pelo News Rondônia, o mingau teria voltado a predominar na alimentação oferecida aos estudantes, enquanto, em determinados dias, o pão teria sido servido sem manteiga ou outro acompanhamento.

A denúncia é semelhante à apresentada anteriormente pela comunidade escolar. Na avaliação dos pais, o problema não estaria apenas na composição de uma refeição específica, mas na suposta repetição de um cardápio que não atenderia à variedade nutricional esperada para a alimentação escolar.

Fiscalização ocorreu em 20 de agosto

A Secretaria de Estado da Educação, por meio da Superintendência Regional de Educação de Porto Velho (Super), informou à reportagem que realizou uma fiscalização na escola no dia 20 de agosto. Na ocasião, a pasta afirmou que uma equipe havia sido enviada à unidade para verificar denúncias relacionadas à alimentação escolar e às condições de higiene.

A nota enviada pela Seduc informou que uma nova averiguação seria realizada, com participação de profissionais das áreas de nutrição, administrativa e pedagógica. A Super também informou que pais, estudantes e professores seriam ouvidos durante a apuração.

Segundo a Secretaria, após a conclusão dos trabalhos, seriam adotadas as medidas administrativas cabíveis caso as denúncias fossem confirmadas.

Oito dias depois, porém, novas reclamações chegaram à reportagem. Para a comunidade escolar, a situação teria voltado a se repetir, levantando dúvidas sobre a efetividade da fiscalização realizada na unidade.

“É só a Seduc virar a esquina”

De acordo com uma fonte ouvida pelo News Rondônia, o mingau continuaria predominando mesmo após a fiscalização.

“Sim, o mingau tem predominado ainda após a fiscalização da Seduc na semana passada. Ninguém está entendendo mais nada. A equipe da Seduc vem, proíbe que a escola ofereça apenas um nutriente, mas é só a Seduc virar a esquina que a escola volta a desrespeitar.”

A fonte afirma que apenas na quinta-feira (27) teria sido servida uma refeição considerada mais completa.

“Na quinta-feira (27), houve comida: arroz com carne moída. Tem vezes que servem pão sem manteiga, sem nada. Está muito estranho essa escola.”

Segundo o relato, a situação estaria provocando indignação entre integrantes da comunidade escolar, principalmente porque a fiscalização da Seduc teria orientado a escola sobre a necessidade de oferecer uma alimentação mais diversificada.

Alimentos no estoque e comida que não chega às panelas

Outro ponto que chama a atenção dos pais é o suposto contraste entre a existência de alimentos armazenados na escola e aquilo que estaria efetivamente chegando ao prato dos estudantes.

Segundo relatos apresentados à reportagem, a escola teria depósito com mercadorias, mas, por razões que a comunidade afirma desconhecer, parte desses alimentos não estaria sendo utilizada na preparação das refeições.

A situação levanta uma pergunta que os pais consideram fundamental: se existem alimentos disponíveis na unidade, por que eles não estariam chegando às panelas e, consequentemente, aos pratos dos estudantes?

A resposta, segundo as famílias, precisa ser dada pela direção da escola e pelos responsáveis pela gestão da alimentação escolar.

Pais querem recorrer ao Ministério Público

Para um pai que possui filhos matriculados na unidade, o que estaria acontecendo é inadmissível. Na avaliação dele, não se trata apenas de uma eventual falha na preparação da merenda, mas de um possível descumprimento das orientações repassadas pela própria Secretaria de Estado da Educação.

O responsável afirma que pretende recolher assinaturas de outros pais e encaminhar a denúncia ao Ministério Público Estadual (MPE), para que o órgão cobre rigor da Seduc e acompanhe as providências adotadas em relação à direção da Escola Hélio Neves Botelho.

Segundo ele, as possíveis falhas também precisam ser encaminhadas aos órgãos competentes com pedido de urgência, principalmente porque, conforme o relato, muitas crianças chegam à escola sem realizar outra refeição e acabam recorrendo à merenda escolar como um dos primeiros alimentos do dia.

“Quando a fiscalização vem, eles fazem comida, mas no outro dia o serviço de cozinha volta a fazer o que bem entende. Ou seja, não cumprem o cardápio escolar.”

Mais de 800 estudantes

A escola atende mais de 800 estudantes, entre crianças e adolescentes que permanecem diariamente na unidade. Para as famílias, a merenda representa uma parte importante da rotina escolar e não pode ser reduzida a uma questão secundária.

Os pais defendem que a alimentação oferecida deve seguir o planejamento estabelecido pela Seduc e apresentar variedade suficiente para atender às necessidades nutricionais dos estudantes.

A repetição das denúncias, oito dias após a fiscalização, aumenta a pressão sobre a Secretaria e sobre a direção da escola. Para a comunidade, a questão agora não é apenas saber se houve uma fiscalização, mas o que efetivamente mudou depois dela.

A reportagem do News Rondônia busca esclarecimentos da direção da Escola Hélio Neves Botelho sobre as denúncias, o estoque de alimentos, o cumprimento do cardápio e a rotina da cozinha. A Seduc também foi procurada para esclarecer se a fiscalização do dia 20 constatou irregularidades, quais orientações foram repassadas à escola e quais medidas serão adotadas diante das novas denúncias.

Enquanto a comunidade aguarda respostas, uma questão permanece no centro da indignação dos pais: se a fiscalização identificou a necessidade de mudanças e existem alimentos disponíveis na unidade, por que, oito dias depois, estudantes ainda estariam recebendo predominantemente mingau e, em alguns momentos, apenas pão?

 

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