Paneiros de servidores cobrem Pocket Park em Porto Velho

Peças inspiradas no artesanato amazônico foram produzidas por servidores da Sesb com fibra sintética reciclada para proteger o espaço.

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Paneiros de servidores cobrem Pocket Park em Porto Velho
Fotos: Renata Beccária

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  • Pocket Park na Avenida Calama, em Porto Velho, terá cobertura de 58 m² formada por paneiros inspirados no artesanato amazônico, ao lado do IFRO.
  • Servidores da Sesb, como Raimunda Nogueira e Adilson José Salgueiro Silva, trançam as peças com fitas de fibra sintética reciclada para garantir resistência e manter o padrão tradicional.
  • O projeto, assinado por técnicos da Sesb e apoiado pelo prefeito Léo Moraes, integra a recuperação de espaços públicos e busca unir identidade regional, conforto e funcionalidade urbana.

Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação do News Rondônia

Paneiros inspirados no artesanato amazônico vão formar os 58 metros quadrados de cobertura do Pocket Park, construído na Avenida Calama, ao lado do Instituto Federal de Rondônia (IFRO), em Porto Velho. O espaço foi projetado para oferecer uma área de descanso, convivência e circulação de pedestres.

A cobertura combina uma referência da cultura amazônica com uma solução para proteção contra o sol e a chuva. As peças são trançadas por servidores da Secretaria Executiva de Serviços Básicos (Sesb), utilizando fitas de fibra sintética produzidas com material reciclado.

A escolha do material busca aumentar a resistência e a durabilidade da estrutura sem modificar o padrão de trançado inspirado nos paneiros de palha tradicionalmente utilizados na Amazônia.

Servidores produzem paneiros

A confecção das peças também aproveita conhecimentos relacionados a trabalhos manuais e artesanais transmitidos entre gerações.

Raimunda Nogueira, servidora da Sesb há 26 anos e ocupante do cargo de gari, aprendeu a técnica ainda na infância. Segundo ela, o conhecimento foi adquirido com o pai, que produzia peneiras e outros utensílios utilizados na produção de farinha.

“Aprendi com meu pai a trançar dessa forma. Ele era sitiante e produzia peneiras e outros utensílios usados na produção de farinha.”

Raimunda conta que recebeu apoio de José para aprimorar a técnica utilizada na produção dos paneiros para o projeto.

Para a servidora, participar da confecção das peças representa também uma forma de valorizar um conhecimento que faz parte de sua trajetória profissional e familiar.

“Gosto do que faço e, quando me proponho a fazer algo, faço para ficar bem-feito. É deste trabalho que sai o sustento da minha família.”

Adilson José Salgueiro Silva, gari e servidor há 24 anos, também participa da produção. Ele colaborou no desenvolvimento da solução adotada pela secretaria.

“Eu já tinha uma noção. Sou curioso, observo as coisas e tento aprender. Quando o projeto surgiu na secretaria, colaborei com a ideia e deu certo.”

Cobertura une cultura e funcionalidade

O arquiteto e urbanista Alecsander de Souza, assessor executivo da Sesb e um dos autores do projeto, explica que a escolha do paneiro surgiu da relação entre arquitetura e território.

Segundo ele, a intenção não era apenas reproduzir um símbolo regional, mas utilizar a referência amazônica em uma estrutura com função prática no espaço público.

“A arquitetura precisa dialogar com o lugar onde está inserida. Por isso, escolhemos o paneiro amazônico como elemento central da cobertura.”

O trançado também contribui para criar diferentes efeitos de luz e sombra ao longo do dia. A solução ajuda a reduzir a incidência solar e proporciona mais conforto aos usuários do Pocket Park.

A substituição da palha pelas fitas de fibra sintética foi pensada para aumentar a resistência da cobertura às condições climáticas.

“O material mantém a referência ao artesanato amazônico e atende às exigências de durabilidade de um espaço público”, explica Alecsander.

Para o arquiteto, a proposta demonstra como elementos culturais podem ser incorporados a soluções destinadas ao uso cotidiano da população.

“Quando unimos identidade, conforto e técnica, o espaço cria uma relação com quem vive a cidade.”

Pocket Park entra na fase final

O projeto integra a proposta de recuperação e qualificação dos espaços públicos de Porto Velho e deverá servir como modelo para futuras intervenções em outras áreas da cidade.

A estrutura do Pocket Park contará com bancos, paisagismo, vasos, iluminação, áreas permeáveis e espaços protegidos do sol. A proposta é oferecer melhores condições de permanência e convivência aos usuários.

Segundo o prefeito Léo Moraes, o projeto foi pensado para ocupar uma área que permaneceu sem utilização adequada por décadas.

“É um projeto-piloto para novos espaços públicos que se soma às praças e aos espaços que já foram requalificados ou reformamos em Porto Velho.”

Ainda de acordo com o prefeito, a proposta foi desenvolvida pela equipe técnica de arquitetura e paisagismo da Sesb.

A utilização de paneiros produzidos pelos próprios servidores acrescenta ao projeto um elemento de identidade regional, ao mesmo tempo em que transforma uma técnica artesanal em parte da estrutura de um espaço público de convivência.

Com informações de Renata Beccária

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