Pesquisadores alertam em evento da SBPC para riscos na expansão de data centers no Brasil

Debate realizado em Niterói aponta necessidade de regras rígidas, transparência e contrapartidas para evitar exploração de recursos naturais e colonialismo digital.

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Pesquisadores alertam em evento da SBPC para riscos na expansão de data centers no Brasil
© Divulgação/Gov.Br

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A expansão acelerada de data centers no Brasil exige planejamento estratégico, transparência e a criação de regras rigorosas que garantam benefícios reais ao país e reduzam os impactos socioambientais. A avaliação foi defendida por pesquisadores durante um debate realizado na última segunda-feira, 27/07/2026, no município de Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, como parte da programação da septuagésima oitava Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. Os professores Mauro Oliveira, do Instituto Federal do Ceará, e Dan Levy, da Universidade Federal de São Paulo, sustentaram que a instalação de grandes centros de processamento de dados precisa ser acompanhada de políticas públicas consistentes e de maior participação da comunidade científica nas negociações.

Segundo Mauro Oliveira, o Brasil corre o risco real de repetir uma lógica histórica de exportação de matérias-primas e exploração de recursos naturais sem assegurar contrapartidas sólidas para o desenvolvimento nacional tecnológico. O pesquisador destacou que o problema central não reside na atração de data centers, mas na ausência de negociação prévia sobre o que o país deve exigir em troca. Oliveira citou como exemplo um projeto voltado à inteligência artificial no Ceará com demanda projetada de trezentos megawatts de potência, consumo equivalente ao abastecimento de milhões de pessoas, alertando que o cenário global já enfrenta desafios na produção de energia suficiente para atender a essa alta demanda tecnológica.

Desafios socioambientais e conceito de colonialismo digital

Sob a ótica do direito ambiental, Dan Levy argumentou que os impactos provocados pela infraestrutura digital extrapolam o consumo massivo de água e energia elétrica, englobando também a poluição sonora, a pressão sobre os recursos naturais, conflitos territoriais, a ampliação de desigualdades sociais e os riscos diretos para comunidades vulneráveis. O acadêmico defendeu que as transições digital e ecológica devem caminhar integradas, com critérios rígidos de sustentabilidade, e ressaltou que as populações afetadas precisam participar ativamente das decisões de implantação.

Levy associou o crescimento dos centros de dados ao conceito de colonialismo digital, alertando que países do Sul Global acabam fornecendo território, água e energia para sustentar o ecossistema tecnológico de grandes corporações do Norte Global. Diante desse cenário, os especialistas enfatizaram a importância de mecanismos permanentes de monitoramento e auditoria, reforçando que a universidade e a sociedade civil devem atuar como pilares na fiscalização das condições em que esses investimentos estrangeiros e nacionais são estabelecidos no território brasileiro.

Perguntas Frequentes

Em qual evento científico e cidade foi realizado o debate sobre a instalação de data centers no Brasil?

A discussão ocorreu durante a Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, sediada em Niterói, no Rio de Janeiro.

Quais foram os principais gargalos apontados pelos pesquisadores em relação aos novos empreendimentos?

Eles destacaram o consumo excessivo de energia e água, a falta de transparência e o risco de exploração sem contrapartidas nacionais.

O que os especialistas argumentam sobre o conceito de colonialismo digital?

O termo aponta que países do Sul Global fornecem recursos naturais e energia para manter a infraestrutura de empresas do Norte Global.

 

Com informações de Rafael Cardoso – Repórter da Agência Brasil

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